Publicado em dezembro 09
ASPJ  Em Português 4° Trimestre 2009


Resenhas Críticas


George C. Marshall: Rubrics of Leadership de Stewart W. Husted. Army War College Foundation Press and Stackpole Books (http://www.stackpolebooks .com), 5067 Ritter Road, Mechanicsburg, Pennsylvania 17055-6921, 2007, 300 páginas, US$23,95 (capa dura).

O trabalho do Professor Stewart Husted sobre George C. Marshall é texto letivo de liderança baseado na vida do General. O “Arquiteto da Vitória Americana” na Segunda Guerra Mundial, Marshall foi Secretário de Estado e, mais tarde, Secretário de Defesa. Seu plano para reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1953.

A longa e bem sucedida carreira do General inclui muitos exemplos de liderança. Baseado em sua vida, Husted seleciona de quatro a nove observações para cada um dos 11 capítulos do livro. As 71 notas em destaque oferecem excelente material para debates escolásticos.

Tais debates colocariam enfoque na vida de Marshall ou certos eventos históricos mencionados mais atuais. Os alunos colocariam em prática e discutiriam as tradições americanas de liderança militar relatadas, como coragem, autodisciplina, integridade, controle civil dos militares e a importância de visão não partidária de problemas políticos para militares. O autor inclui exemplos positivos e negativos de sua carreira para que os estudantes possam discutir e aprender com seus sucessos e lapsos.

Já com outro livro acerca de Marshall (George C. Marshall: A Marshall Plan for Leadership and Selfless Service, 2004), Husted conhece bem o assunto. Usa a vida e empreendimentos do General para escrever texto semelhante a certos livros de liderança recentes de grandes figuras como Lincoln, Grant, Lee, MacArthur, Eisenhower e outros (inclusive texto humorístico sobre Átila, o Huno). Embora muitos centrem-se em sugestões para executivos e empresários, a audiência primária de Husted é o estudante universitário com carreira militar em mente. Embora seja verdade que a vida militar de Marshall oferece incrível modelo a líderes, o enfoque do livro é tão restrito que irá interessar apenas a estudantes universitários e professores que o utilizam em aulas de liderança. Nele, encontrarão exemplos maravilhosos: 24 fotografias, índice e numerosas notas de rodapé. Outros devem buscar biografia detalhada de Marshall para saber mais sobre a vida deste grande herói americano e para chegar às próprias conclusões referentes às experiências que sua vida ilustra.

Major Herman Reinhold, USAF, Reformado
Athens, New York

Deadly Connections: States that Sponsor Terrorism - Daniel Byman. Cambridge University Press (http://us.cambridge.org), 32 Avenue of the Americas, New York, New York 10013-2473, 2005, 380 páginas, US$30,00 (capa dura), US$18,99 (brochura) (2007).

Não é de estranhar que um dos escritores mais sérios do país em uso de coerção como instrumento de política externa escreva um livro sobre terrorismo que transfere o enfoque do terrorista ao Estado. É movimento bem acolhido em campo de estudo que transborda de análises de protagonistas não-Estatais, aparentemente esquecendo-se de que o Estado-Nação continua a ser o personagem principal em ambiente de segurança internacional. Deadly Connections, de Daniel Byman, um veterano da RAND Corporation e Catedrático da Universidade de Georgetown, visa educar autoridades políticas competentes e estrategistas acerca de porquê os Estados apoiam o terrorismo para que possam formular estratégias mais eficazes, a fim de sustar esse apoio. Sem dúvida, o livro é leitura obrigatória aos interessados em por fim ao terrorismo. O exame de Byman de terrorismo patrocinado pelo Estado, flui logicamente, de definições e análise da natureza do apoio através de estudos de caso detalhados pós-Guerra Fria, às recomendações referentes à ferramentas para combatê-lo. Talvez a contribuição mais importante dessa literatura seja a taxonomia que se desenvolve pela análise do amplo espectro de patrocínio estatal e subsequente análise das motivações dos terroristas e tipos de apoio. Os leitores perceberão as nuances e interações complexas entre terroristas e Estados sob novo enfoque. Baseado em Paul Pillar, especialista americano em contraterrorismo, Byman classifica os Estados patrocinadores em escala que varia de “apoio tenaz”, tal como o Irã para com o Hezbollah, a “apoio passivo” e “refúgio involuntário”, como a Arábia Saudita e a Somália (p. 15). O esquema ilustra o amplo espectro de apoio que os Estados oferecem às organizações terroristas e serve de base para analisar o porquê e os tipos de apoio que prestam. Dada a ênfase recente em laços entre o Islã e o terrorismo político, alguns leitores talvez se surpreendam ao saber que ideologia não é necessariamente o motivo principal para apoio à atividades terroristas. Observando que não existe “uma só” razão, Byman usa análise ponderada quantitativa para ilustrar as justificativas estratégicas, tais como a desestabilização da nação vizinha e a projeção de poder que tendem a ser os motivos mais comuns. Detalha o impacto dos vários tipos de apoio para com a força, organização e operações de grupos terroristas. Explica, em seguida, como esse apoio impede as tentativas antiterroristas dentro desses grupos. Byman denomina o apoio estatal de “negócio infernal” e explica como esse apoio pode, de fato, enfraquecer a organização terrorista, quando as necessidades da nação tornam-se incompatíveis com as dos terroristas (p. 78). Consequentemente, as organizações terroristas nem sempre desejam forte apoio estatal.

Com exceção de um capítulo sobre apoio passivo, Deadly Connections mantém o enfoque em nações que se encontram na categoria de apoio ativo. Seus estudos de caso perspicazes do Irã, Síria, Paquistão e Afeganistão dos talibãs ilustram as várias justificativas responsáveis pelo apoio, juntamente com as consequências. Os estudos de caso deixam claro como o apoio muda ao longo do tempo e o importante papel que o mesmo desempenha em política prática. Esses, juntamente com o apêndice que apresenta breve resumo dos principais grupos terroristas, são particularmente úteis aos que analisam o terrorismo. Byman conclui Deadly Connections, recomendando como por fim ao apoio estatal e deixa claro que não existe “política universal ou resposta simples que os Estados Unidos. . . podem utilizar para remover a patrocinação estatal do terrorismo.”(pp. 273-74). Examina vários instrumentos de coerção e analisa o caso da Líbia para ilustrar o caminho multifacetado, longo e árduo para se chegar ao sucesso. Seu assessoramento para a formulação de estratégia bem sucedida é primeiro compreender o motivo, aproveitando-o com o uso de ferramentas de coerção, tais como combate, pressão política e econômica e bruta força. Adverte que estratégias que funcionam com uma nação podem sair pela culatra com outra, especialmente quando a justificativa e o tipo de patrocínio são distintos. Os leitores verão que Deadly Connections é interessante e informativo. Recomendo-o às pessoas interessadas, especialmente as que se encontram envolvidas em elaboração de diretrizes de contraterrorismo.

Col Sean M. Frisbee, USAF
Baghdad, Iraq

New Heavens: My Life as a Fighter Pilot and a Founder of the Israel Air Force - Boris Senior. Potomac Books (http://www.potomacbooksinc.com), 22841 Quicksilver Drive, Dulles, Virginia 20166, 288 páginas, US$20,76 (capa dura), US$13,56 (brochura).

Boris Senior é filho de próspero fazendeiro e empresário que havia emigrado a África do Sul para fugir da opressão russa contra os judeus. Quando jovem, possuia apenas conhecimento superficial do patrimônio religioso e pouco entendia da opressão infligida aos judeus mundialmente. Quando eclodiu a II Guerra Mundial, o irmão mais velho de Senior ingressou à força aérea sul-africana como piloto de caça. Boris logo seguiu os passos do irmão. Como piloto de caça da Royal Air Force, Senior perseguiu alvos em toda a Itália e foi abatido sobre o Adriático. Um PBY (avião de bombardeio e patrulha) do exército resgatou-o do mar gelado em salvamento audaz. A guerra abriu os olhos de Senior para a difícil situação dos compatriotas e provocou um sentimento de nacionalismo sionista. Após o que, sub-repticiamente, aderiu ao Irgun e mais tarde ao Haganah, preparando o terreno para a criação do Estado judeu de Israel.

Após o mandato das Nações Unidas de 1948, criando um Israel independente, veio a ser um dos membros fundadores da nova força aérea, servindo de piloto israelita e, finalmente, aposentou-se com a patente de coronel. New Heavens é a autobiografia de Senior, relatando as experiências durante aquele período turbulento. Era de esperar que tal livro fosse leitura obrigatória para qualquer interessado nos primeiros passos do que se tornou uma das forças aéreas mais respeitadas do mundo. Infelizmente, o livro não faz jus às expectativas. Como livro de memórias, New Heavens é adequado. Como história, na realidade falta substância. Pode ser que seja passa-tempo interessante e divertido, mas de pouco esclarecimento. Senior, que faleceu pouco após terminar o livro, usa um estilo muito envolvido e pessoal. Seus relatos, como a descrição detalhada do resgate marinho, são emocionantes. Mas é só até onde vai. Após terminar a leitura, nada se sabe da estratégia político-militar ou táticas da força aérea israelita. Os eventos narrados são de participante e, por vezes, de observador dos acontecimentos, mas nada revelam como deram forma à liderança. A vida militar do autor é certamente digna de respeito, mas deixa a dúvida se foi realmente um dos “fundadores” da força aérea de sua nação. Uma narrativa mais aprofundada dos acontecimentos históricos teria apagado qualquer dúvida a respeito.

Ademais, considerando a epoca atual, a descrição animada de Senior das atividades terroristas na Europa e África do Sul deixou este crítico um pouco enojado. Sua transição fácil de piloto de caça aliado a terrorista, operando na Inglaterra, traça paralelo inquietante à possibilidade bastante real de que células terroristas estejam operando em nosso país hoje mesmo. Nem o apoio que sinto para com Israel ou o fato de Senior ser terrorista inepto conseguiram atenuar a crescente náusea que sentia, à medida que lia as passagens. Não se deve negar a história, mas as confissões do autor, voluntárias e sem remorso, podem fazer com que o leitor sinta-se mal. Em suma, New Heavens é um livro que se esquece com facilidade e que, infelizmente, não consegue concretizar o potencial.

CSM James H. Clifford, USA, Retired
McDonough, Georgia


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