Publicado em dezembro 09
ASPJ  Em Português 4° Trimestre 2009


EDITORIAL


A nossa revista celebra 60 anos!

As opções para a capa foram muitas. A solução foi esta colagem: reproduzimos a primeira capa de 1949; homenageamos também, com muito orgulho, Marcos Pontes, o Primeiro Astronauta brasileiro e os muitos que seguirão seus passos; e Alcântara! Presságios poderosos para um futuro brilhante há muito aguardado. Tampouco podíamos deixar de incluir a Santos Dumont, que tornou tudo possível, apesar de irmos contra sua expressa vontade. O uso de sua invenção como instrumento de guerra foi causa de imensa angústia a esse nobre brasileiro.

Ao celebrarmos mais de meio século de serviço, reconhecemos o forte vínculo que existe entre as Forças Aéreas de países lusófonos e a dos Estados Unidos. Angola, Brasil, Moçambique e Portugal anualmente enviam oficiais às Escolas de Guerra da Aeronáutica na Base Aérea Maxwell, Alabama. O Brasil iniciou essa tradição em 1947! Confiram a lista de oficiais que frequentam e frequentaram a Air Command and Staff College (ACSC) e a Air War College (AWC) durante um ano. Na contra-capa publicamos fotos de visitas recentes de oficiais da FAB.

O leitor notará a correlação entre todos os artigos. Contudo, aconselhamos a começar a leitura com “Ergue-se Marte!” de Robert Harding. Seu entusiasmo pelos avanços feitos pelo Brasil é contagioso. Nele, o país sacode a poeira e ingressa ao Século XXI destemido, altaneiro, potente e sem apologia. O moleque travesso que desmente as predições negativas e galga as escadarias do sucesso, com vestimenta de astronauta, cientista, diplomata, empresário internacional e catedrático de renome. Parabéns Brasil!

A seguir, “A Vulnerabilidade da Indústria na Era Atômica” do Ten Cel George R. Charlton. O primeiro artigo publicado em novembro de 1949, quatro anos após o terrível impacto da bomba atômica. Esse artigo e o que segue foram fielmente reproduzidos sem qualquer correção ortográfica. O leitor ficará ciente da falta de dados então existentes para formular até mesmo as diretrizes mais básicas, referentes à segurança, gerenciamento e ações futuras. Ilustra a preocupação da época. Sem dúvida, em retrospecto - o que sempre garante uma visão 20/20 - o artigo parece até mesmo infantil em sua exposição. Em 1949, as primeiras explosões nucleares acabavam de ocorrer. Pouco se conhecia a respeito de seus efeitos devastadores. Lembrem-se de que os estudantes norte-americanos daquela época, do jardim de infância à universidade, eram aconselhados a mergulhar debaixo das carteiras e cobrir a cabeça com os braços, em caso de explosão nuclear! Interessante notar que o Cel Charlton recomendava a construção de indústrias subterrâneas. Sem dúvida, algo proibitivo. Por outro lado, sua sugestão foi adaptada à construção de silos subterrâneos para a armazenagem de mísseis nucleares e tripulações especializadas.

“Sentinelas da Política Exterior”, do Maj John D. Reid, é o outro artigo reimpresso da primeira edição da revista. A nação prepara-se para a “paz mundial estável e duradoura”com o apoio de seu novo “guarda-costas”: a Força Aérea. Sai pela esquerda: a Grã-Bretanha. Entra pela direita: os EUA. A garantia de paz com demonstração de força. Bases aéreas avançadas versus aeronaves de longo alcance – na época fagulhas perambulando em futuro distante.

Os artigos que seguem podem ser lidos em qualquer sequência:

“A Serviço da Nação” de autoria do Gen Reformado John A. Shaud, PhD e Dale Hayden, Phd. Agora sim contamos com as respostas às questões apresentadas pelos dois primeiros artigos de 1949. Nada como a experiência. Só que passamos ao quebra-cabeças do futuro da aeronáutica - 2018-2023: jogos de guerra, armas extraordinárias, problemas encarados após a Guerra Fria. Pesquisa bitolada sem enfoque futuro. No momento em que a FA acaba de solucionar os problemas de campanha convencional, surgem as guerras irregulares, o aumento desequilibrado de população, orçamento restrito, apoio popular incerto. E, intercalado a tudo isso, a busca pela perfeita interdependência e segurança entre ar, espaço e ciberespaço.

A contribuição de Adam Lowther, PhD, Analista de Defesa Militar “Como Compreender a Nova Tríade Nuclear”, defende a velha Tríade e recomenda a renovação e o desenvolvimento de armamento nuclear de ponta como meio de prevenção de guerra, i.e., Dissuasão. Aconselha também a expansão de cobertura nuclear a aliados.

“A Dissuasão Nuclear: A Perspectiva Chinesa” de autoria da Cel Yao Yunzhu do Exército da República Popular da China, apresenta certos pontos de vista opostos ao do Dr. Lowther. Escreve muito bem, de maneira lógica, simples e sem subterfúgios. Faz-nos compreender porque a noção de Dissuasão Americana não é tão bem aceita naquele país e como e porque a Dissuasão Chinesa evoluiu à posição atual.

O Ten Cel Robert Spalding em seu artigo “Choque Cultural: Operações de Bombardeiros Nucleares no Mundo Pós-Guerra Fria” examina o processo de integração, adaptação e, finalmente, assimilação pós-GF. O Comando Aéreo Estratégico [SAC] e o Comando Aéreo Tático [TAC] passaram a fazer parte do Comando de Combate Aéreo [ACC]. De início, duas culturas completamente divergentes: o SAC, regimentado, passível de improvisação; o TAC, visto como bando de “cowboys”. O desempenho do B-1, B-2, B-52, liderando batalhas e providenciando CAS. Os sucessos e os erros crassos.

O mundo, cada vez mais complexo, sobretudo em assuntos de relações internacionais, inspirou “Transparência”, do Cel Frédéric Parisot, Oficial de Ligação da Força Aérea Francesa junto ao Pentágono. Sua análise divide a transparência em positiva e negativa e avalia as Operações Psicológicas Militares [Military Psychological Operations –PsychOps]. Predica o uso de transparência positiva não só em política doméstica como também na exterior: “A Defesa não tem a ver somente com as forças armadas, a economia ou segurança das nações. Requer empreendimento combinado para compartilhar dados em setores de inteligência, conhecimento, experiência identificada e até mesmo exercícios conjuntos. Assim, deve haver um sistema aberto e transparente em cada país, onde agências envolvidas no processo de segurança nacional compartilham informação relevante em grande escala.”

Os nossos parabéns pelos sessenta anos da Escola Superior de Guerra. Outra Veterana de 1949. Grande e distinto desempenho através de décadas. Pairada às portas de Nova Era, a ponto de cruzar o patamar. Esperamos que se arremesse ao Milênio que a espera rejuvenecida, de braços abertos, em ritmo acelerado, impulsionando novas e arrojadas façanhas. “Integração e Educação” do Prof. Dr. Cel. Afonso Farias de Souza Júnior também analisa a possível transferência da ESG do Rio a Brasília.

Em conclusão, em 1949 o enfoque era a bomba atômica. Sessenta anos após, a mesma inquietude perdura: armas nucleares, cada vez mais sofisticadas. Desejamos propiciar ao leitor a esperança de um milênio de descobertas favoráveis e seguras. Assim, concluímos com “As Armas de Energia Direta”, de autoria de Scott and Robie. Armas não letais, vistas como o futuro da guerra. Não causam efeitos que perduram, mas alcançam, contudo, os objetivos desejados. Opção positiva e humanitária. Tendem a persuadir o adversário, sem perda de vida ou as consequências irreparáveis dos conflitos atuais.

Uma vez mais, desejamos lembrar ao leitor que continuamos em busca de artigos pertinentes. A fim de assegurar a publicação de seu artigo, favor consultar a orientação providenciada pela Cap Lori Katowich. Também aconselhamos que futuros autores consultem a Air University Press “Style and Author Guide” http://aupress.maxwell.af.mil.

Iris Moebius
Editora


As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade da Força Aérea ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.


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