Documento criado em 01 Junho 2008
ASPJ  Em Português 2° Trimestre 2008


Resenhas Críticas


Why Air Forces Fail: The Anatomy of Defeat, editado por Robin Higham e Stephen J. Harris. University Press of Kentucky (http://www.kentucky press.com), 663 South Limestone Street, Lexington, Kentucky 40508-4008, 2006, 416 páginas, US$39.95 (encadernado).

Os historiadores têm documentado muito bem as derrotas dos exércitos e das marinhas, mas prestaram muito menos atenção às derrotas das forças aéreas. O que existe está, geralmente, nas histórias do conflito maior, do qual as campanhas aéreas fizeram parte. Em Why Air Forces Fail, talvez o primeiro estudo de seu tipo, 11 historiadores bem-conhecidos da guerra aérea assumiram essa nobre tarefa, com ensaios curtos, porém detalhados e cativantes. Os autores analisam as derrotas das forças aéreas da Polônia (1939), França (1940), países árabes (1967), Alemanha e Áustria-Hungria (1914-18), Itália (1939-43), Japão Imperial (1942-45), Alemanha (1940-45), Argentina (Guerra das Falklands/Malvinas, 1982), Rússia (1941), Estados Unidos (1941-42) e Inglaterra (1941-42). Por meio desses ensaios, o livro explica os fundamentos complexos e de origem freqüentemente profunda dessas catástrofes.

Os editores do livro são bem versados em história militar. Robin Higham, professor emérito de história militar na Kansas State University e editor da revista Aerospace Historian, de 1970 a 1988, escreveu e editou muitos livros sobre variados aspectos da história militar. Atualmente historiador-chefe do Directorate of History and Heritage, National Defence Headquarters, Canadá, Stephen Harris foi o co-autor da história oficial da Força Aérea Canadense. Os dois editores pediram contribuições que examinassem “exemplos arquetípicos dos quais pudessem ser tiradas conclusões valiosas” (pág. 1) e forneceram aos possíveis autores numerosas perguntas para estimular-lhes o pensamento. Queriam especialmente que os autores fossem além de razões técnicas, táticas e políticas para as derrotas das forças aéreas em estudo.

Desse modo, os ensaios são, ao mesmo tempo, apanhados gerais e narrativas analíticas, que examinam mais do que as campanha aéreas específicas. Além das razões típicas para tais derrotas catastróficas, os autores fornecem razões doutrinárias, logísticas e culturais para mostrar por que essas forças aéreas falharam em suas respectivas campanhas aéreas históricas. Cada um também discute a capacidade industrial e econômica de cada país para produzir/obter a quantidade e a qualidade de aeronaves (aviões e motores), necessárias para combater com eficácia os inimigos em perspectiva. A maioria também discute um aspecto importante, porém freqüentemente negligenciado: a qualidade das tripulações e do pessoal de manutenção.

Guiados pelo pedido inicial dos editores, cada autor apresentou as mesmas razões básicas para a derrota dessas forças aéreas, apesar das diferenças no tempo, lugar, condição econômica e cultura. Eles concluem que os líderes de cada país e sua força aérea não relacionaram corretamente a doutrina, a tecnologia e a produção industrial para produzir aeronaves e treinar tripulações e pessoal de manutenção, de modo a impedir a derrota na campanha histórica. O fracasso deles geralmente não se originou de ignorância ou estupidez, mas da política e da cultura de seu tempo. Por exemplo, as forças aéreas derrotadas de 1939-42 foram tanto produtos da mentalidade e economia do pós-Primeira Guerra Mundial, quanto dos desenvolvimentos tecnológicos. Os vencedores iniciais das guerras aéreas desse conflito—Alemanha e Japão—simplesmente foram superiores a seus inimigos derrotados. Entretanto, no final das contas, nenhuma dessas forças aéreas pôde manter sua posição, devido às mesmas causas básicas que impediram as forças aéreas que elas haviam inicialmente derrotado.

Os editores poderiam ter organizado melhor o livro. Os ensaios estão organizados de modo aleatório—não por tópicos ou sequer cronologicamente. Higham e Harris, eles próprios, escrevem que as forças aéreas derrotadas classificam-se em três categorias: (1) os “patos mortos”, que nunca tiveram uma chance (a Força Aérea Alemã da Primeira Guerra Mundial, a russa em 1914-41, a polonesa em 1939, a francesa e a italiana); (2) as “lebres”, que tiveram êxito inicial, mas afinal fracassaram (a Luftwaffe e a Força Aérea japonesa na Segunda Guerra Mundial); e (3) as “fênixes”, que sofreram derrotas iniciais, mas renasceram das cinzas de suas derrotas (a Força Aérea Argentina, as forças aéreas árabes, a Royal Air Force em 1941-42 e as Forças Aéreas do Exército dos EUA, no Pacífico, 1941-42). Se os editores houvessem organizado os ensaios segundo essas categorias, os leitores poderiam ter discernido melhor as semelhanças e diferenças entre as diversas forças aéreas.

Como seria de esperar, os ensaios diferem em qualidade e profundidade. Os melhores abrangem uma campanha relativamente curta, como as das forças aéreas polonesa e francesa no começo da Segunda Guerra Mundial. Na outra extremidade do espectro, encontra-se o ensaio sobre as forças aéreas árabes, que são excessivamente ambiciosas, discutindo todas as forças aéreas importantes do Oriente Médio, inclusive a Força Aérea Israelense, desde os anos de 1950 até os anos de 1970. Um tratamento melhor teria se concentrado apenas nas forças aéreas egípcia e israelense. Cada ensaio também inclui breves bibliografias e áreas para pesquisas futuras—certamente vantagens. De modo geral, Why Air Forces Fail representa um acréscimo muito necessário que há muito tempo deveria ter sido feito à história do poder aéreo, e uma leitura obrigatória para qualquer entusiasta do poder aéreo, historiador e oficial operacional da Força Aérea em serviço.

Dr. Robert B. Kane,
Tenente-Coronel, na reserva, USAF

Air Armament Center, Eglin AFB, Flórida

Weapons of Choice: The Development of Precision Guided Munitions, de Paul G. Gillespie. University of Alabama Press (http://uapress.ua.edu), Box 870380, 20 Research Drive, Tuscaloosa, Alabama 35487-0380, 2006, 232 páginas, US$35.00 (encadernado).

Durante a breve história da aviação, os esforços de nossa nação, no que diz respeito a bombardeio, progrediram desde o emprego de centenas de bombardeiros para destruir um único alvo inimigo, até o envio de uma única aeronave para atingir, com precisão, múltiplos alvos. A chave para essa capacidade revolucionária são as armas guiadas com precisão (PGM), que vão das primeiras bombas controladas por rádio até a presente geração de armas guiadas a laser e por satélites, cujo desenvolvimento podemos atribuir tanto à inovação humana quanto à evolução da tecnologia. Essas armas, que permitem mais flexibilidade no lançamento por aeronaves e aumentam a precisão do bombardeio, tornaram-se um meio fundamental de nossas forças armadas. Além disso, sua capacidade de destruir alvos e, contudo, causar pouco ou nenhum dano colateral, mudou a política de segurança nacional.

Weapons of Choice apresenta um relato minucioso do desenvolvimento das PGM das Forças Armadas dos EUA, esforço que começou na Primeira Guerra Mundial e continua até hoje na forma de numerosos programas. Gillespie traça essas armas ao longo de história da aviação, tratando de suas provas e empregos, bem como da reação a elas por parte de atores militares e políticos. Ele não só discute o efeito das PGM na estratégia e nas táticas militares para todos os conflitos importantes dos EUA, desde a Primeira Guerra Mundial até as recentes batalhas no Golfo, mas também analisa de que modo afetaram as atuais capacidades do poder aéreo. O autor limita sua cobertura às bombas guiadas convencionais (não os mísseis de cruzeiro ou os mísseis superfície-superfície), examinando a inovação, a tecnologia, os orçamentos, a política de segurança nacional e as políticas que modelaram seu desenvolvimento; ele também usa os resultados das múltiplas Quadrennial Defense Reviews para avaliar o efeito das PGM na atual política e estrutura de força nacionais. Seu livro dá conhecimento aos leitores da ampla variedade de armas guiadas e explora a confiabilidade e as questões logísticas que provocaram as inquietações a respeito do emprego delas em combate.

Infelizmente, Gillespie não se aprofunda no recente surgimento da bomba de pequeno diâmetro, nem menciona as capacidades que as forças armadas talvez gostassem de ver nas futuras PGM. Tais omissões, porém, não diminuem a capacidade que o livro tem para instruir os leitores nas atuais capacidades/limitações dessas armas e o efeito delas no poder aéreo. Por fim, Gillespie parece demonstrar, um pouco, uma inclinação para a Força Aérea, apesar das principais contribuições das outras Forças para o desenvolvimento das armas de precisão.

De um modo geral, Weapons of Choice apresenta uma história excelente das PGM. Os entusiastas do poder aéreo e, também, os novatos vão obter uma compreensão melhor não apenas das capacidades importantes que a geração atual das PGM oferece às forças armadas, mas também do efeito adverso que a ausência delas teve em conflitos anteriores da história de nossa nação.

Maj Evan Dertien, USAF
Bolsista da Força Aérea
Yorktown, Virginia

The Age of Total War, 1860-1945, de Jeremy Black. Praeger Security International, Greenwood Publishing Group (http://www.praeger.com/psi), 88 Post Road West, Westport, Connecticut 06881, 2006, 216 páginas, $44.95 (encadernado).

O termo guerra total freqüentemente evoca quadros mentais de intenso sofrimento e morte, destruição em massa, conflito generalizado por toda parte e, talvez, um compromisso nacional de continuar a guerra, que beira ao fanatismo. Jeremy Black, em The Age of Total War, 1860-1945, faz um magnífico trabalho de ilustrar os liames complexos de cada imagem e demonstrar por que, mesmo no contexto dessas imagens marcantes, as guerras podem ser ou não “totais”.

A premissa de Black é de que a pessoa precisa ter um foco de tempo e de lugar, para dizer se é verdade ou não que uma determinada guerra seja uma “guerra total”. Muitos fatores precisam se reunir para culminarem em uma experiência que indiscutivelmente se tornaria em uma guerra total (resumidos na pág. 1). Ele avalia um período histórico, de 1860 a 1945, fornecendo uma ampla amostragem de conflitos que, de muitas maneiras, refletem alguns ou a maioria dos elementos descritos na página 1.

Nos dois primeiros capítulos, o autor conduz o leitor por exemplos de guerra total em um microcosmo. Essa introdução é importante para entender por que Black afirma que existe mais, para a totalidade da guerra, do que simplesmente o que o observador percebe. Cada estudo de caso, abrangendo conflitos de escala mundial desde 1860 até o começo da Primeira Guerra Mundial, arma o palco para os capítulos seguintes.

As discussões de The Age of Total War a respeito das Guerras Mundiais, I e II, são verdadeiramente fulgurantes. Primeiro, ao descrever a Primeira Guerra Mundial, Black oferece ao leitor exemplos do que os estados participantes comprometeram com a guerra, em termos de dinheiro, sangue, território, orgulho nacional, mobilização e capacidade industrial. Ele discute minuciosamente o tratado de Versalhes, inclusive os desmembramentos da Alemanha e da Áustria; a criação de novos estados; o número de mortos e feridos; e as dívidas de reparação da Alemanha. “[O tratado de Versalhes] foi um acordo sem concessões razoáveis. Tanto quanto guerra total seja uma questão de resultados, esta foi uma guerra total” (pág. 100).

Black, então, volta-se para a Segunda Guerra Mundial. Baseando-se no trabalho de vários de seus colegas historiadores e armando o palco com o uso de Versalhes, ele argumenta que a Segunda Guerra Mundial foi um conflito caleidoscópico de totalidade, dependendo de como se vêm os segmentos do conflito. Por exemplo, ingleses e norte-americanos preservaram as “inibições civilizadas de suas sociedades” em seu combate na Frente Ocidental (pág. 144), indicando um conflito mais limitado; isso contrasta com o nível de brutalidade experimentado na Frente Oriental entre alemães e a União Soviética, o que sugere que ambas as partes travaram uma guerra total (págs. 146 e 147).

Black resume esse trabalho dizendo que “a compreensão da guerra em termos de campanha – o tratamento operacional da guerra – é por demais estreita. Em vez disso, é mais adequado entender a guerra como um processo cultural que se concentra na imposição da vontade.(…) As pessoas são derrotadas quando entendem que perderam” (pp. 169-70).

A medida em que um estado se dedica a impor sua vontade a outro define, em última análise, a totalidade do conflito. Poder-se-ia argumentar que a guerra global de hoje contra o terrorismo é, da perspectiva de EUA/coalizão, um conflito limitado – mas é uma guerra total, das perspectivas de quase qualquer uma das partes adversárias, baseadas em seu nível de compromisso e desejo de impor sua vontade. Recomendo sinceramente The Age of Total War aos planejadores em todos os níveis, que fariam bem em refletir na aplicação de suas lições a planos adaptáveis de futuras operações.

Maj Paul Niesen, USAF
Scott AFB, Illinois

All Roads Lead to Baghdad: Army Special Operations Forces in Iraq, de Charles H. Briscoe et al. USASOC History Office (http://www.gpo.gov), Fort Bragg, North Carolina 28307, 2006, 517 páginas, $45.00 (brochura).

Escrito por pessoas envolvidas na Operação Iraqi Freedom, All Roads Lead to Baghdad é um relato revelador dessa operação, incluindo a ocupação do Iraque. O pessoal do History Office do Comando de Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos (USASOC) compôs um quadro soberbo dessa guerra e do período que se seguiu a ela.

O livro relata a importância e o efeito das forças especiais no Iraque através dos olhos dos soldados envolvidos, desde planejadores e generais até pessoal operacional em várias equipes de forças especiais. Apesar do subtítulo, o estudo não trata apenas do USASOC, mas também de numerosas operações convencionais durante a guerra, inclusive os desdobramentos e a história do Iraque sob Saddam Hussein. O USASOC também fornece uma ampla variedade de informações, muitas transmitidas por quadros, gráficos e mapas, bem como relatos de primeira mão de soldados e aviadores.

O primeiro capítulo, uma das seções mais importantes do livro, explica a relevância do Iraque para o Oriente Médio e os Estados Unidos. Muitos norte-americanos ainda têm falsas noções do estado do Iraque antes que as forças de coalizão o invadissem, em 2003. Descreve Saddam e seu regime como “nada parecido a um leão desdentado” (pág. 6), explicando que ele podia convocar 400.000 soldados regulares e o dobro disto de reservistas. O autor também discute o fedayns de Saddam e as capacidades dessas brigadas de dedicação fanática. Essa discussão inclui diagramas da ordem de batalha iraquiana antes da Iraqi Freedom. Fiquei surpreso de ver que, na ocasião, o Iraque vangloriava-se de ter 325 aeronaves de combate. Hoje, apenas 20 delas permanecem operacionais.

Outra seção do livro, que achei fascinante, trata do emprego da Combined Joint Special Operations Task Force-North e a dificuldade experimentada pelas forças especiais de coalizão, por causa da recusa por parte da Turquia em permitir seu desdobramento durante a Iraqi Freedom. Esse impasse levou à criação da Operação Ugly Baby, uma trajetória de vôo tão horrível que “só a mãe poderia gostar dele” (pág. 117). A guerra teria ocorrido muito mais depressa com o apoio da Turquia.
Escrito cronologicamente, o estudo cobre detalhes até a hora em que a fase de planejamento começou e fornece um “instantâneo de cinco meses” da Iraqi Freedom (pág. 451). Algumas partes, porém, parecem repetitivas, e várias vezes os claros relatos dos autores a respeito das operações tornam os resumos desnecessários.

All Roads Lead to Baghdad fornece aos leitores a chance de ver a Iraqi Freedom pelos olhos das pessoas que combateram nas linhas de frente e atrás delas. Também lhes permite entender de que modo as forças especiais de todas as armas afetam o resultado das operações principais. Em geral, eu recomendaria muito este livro para qualquer um que tenha algum interesse em operações especiais e no Iraque.

Cadete Jake A. Dugat, USAF
Air Force ROTC, Universidade de Houston

The Limits of Air Power: The American Bombing of North Vietnam, de Mark Clodfelter. University of Nebraska Press (http://unp.unl.edu), 1111 Lincoln Mall, Lincoln, Nebraska 68588-0630, 2006, 312 páginas, $16.95 (brochura).

A primeira edição de The Limits of Air Power (1989) procurou desafiar a Força Aérea tradicional a refletir sobre o fracasso do poder aéreo no Sudeste da Ásia. O livro começa esboçando o ponto de vista que culpava Washington por diluir o esforço de guerra por meio de restrições desnecessárias, citando como exemplo Gen William Momyer, à época comandante da Sétima Força Aérea, que se queixava, em 1969, de que “tínhamos a força, a habilidade e a inteligência, mas nossos superiores civis não nos davam liberdade” (pág. 145). Clodfelter, então, examina mais de perto a natureza do conflito, concluindo que embora as restrições civis tivessem desempenhado um papel importante, a eficácia do poder aéreo mudou dramaticamente, à medida que a própria guerra mudava – a partir de uma insurreição, em 1963, para uma campanha convencional, em 1968 e mais do que isso. Sua conclusão advertiu os defensores do poder aéreo para serem cautelosos, porque o poder aéreo tinha utilidade limitada contra as forças não-convencionais.

Esta nova edição reitera essa advertência e acrescenta uma nova introdução e um epílogo. A introdução mostra que a situação atual, tanto no Iraque quanto no Afeganistão, “assemelha-se à que Johnson encontrou no Vietnã: uma insurgência intensamente motivada, porém travada de maneira esporádica, empregando métodos de guerrilha e recebendo ajuda resiliente de fontes externas” (pág. xi). Com efeito, em alguns aspectos, isto é assim – significando que a compreensão da mensagem de Clodfelter é ainda mais crítica hoje do que em 1989.

O epílogo (originalmente, o artigo: “O Poder aéreo contra inimigos assimétricos: moldura para uma avaliação da eficácia”, da revista Air and Space Power Journal [1° trimestre de 2003]: 4-14) usa sua análise original do Vietnã para criar uma moldura generalizada a fim de analisar o poder aéreo. Essa moldura fornece detalhes para o seu conceito de objetivos “positivos” (aqueles que buscam alcançar uma meta específica) e objetivos “negativos” (aqueles que buscam evitar um resultado indesejado). Também propõe uma série de “variáveis fundamentais”: a natureza do inimigo, o tipo de guerra travada pelo inimigo, a natureza do ambiente de combate, a magnitude dos controles militares e a natureza dos objetivos políticos. O modelo dele sustenta que a compreensão desses fatores significa compreender o espaço em que o poder aéreo precisa operar – e, portanto, sua provável eficácia.

Aplicando essa moldura aos conflitos atuais, ele mostra que os objetivos negativos permanecem crucialmente importantes. Com efeito, sugere que ao tentar equilibrar o objetivo positivo de eliminar os terroristas contra o negativo associado à perda dos corações e as mentes do mundo islâmico, “é provável que o prejuízo de longo prazo, de aplicar o poder aéreo letal, venha a eclipsar seu benefício de curto prazo” (pág. xi).

Seja qual for a opinião a respeito dessa afirmação, a revisão de Clodfelter da edição original é oportuna, e as novas seções são breves e fáceis de ler. Embora enormes diferenças permanecem entre o Vietnã e Afeganistão/Iraque (de modo mais notável com respeito a níveis da ameaça de superioridade aérea enfrentados no Vietnã), a comparação merece ser considerada – e a edição atualizada de The Limits of Airpower fornece um excelente ponto de partida.

Capt Tim Spaulding, USAF
Royal Air Force Lakenheath, Reino Unido

The Regulars: The American Army, 1898-1941, de Edward M. Coffman. Belknap Press of Harvard University Press (http://www.hup.harvard.edu/index.html), 79 Garden Street, Cambridge, Massachusetts 02138, 2004, 528 páginas, $35.00 (encadernado), $21.95 (brochura) (2007).

Com a publicação de The Regulars, Dr. Edward M. Coffman – professor emérito de história na Universidade de Wisconsin-Madison – completou seus dois volumes de história social do Exército dos Estados Unidos, de 1784 a 1941. O livro atual é um companheiro que dá seguimento, com mérito, ao primeiro volume, The Old Army: A Portrait of the American Army in Peacetime, 1784-1898 (Oxford University Press, 1986). No livro agora resenhado, Coffman mapeia as vidas de oficiais e soldados do Exército, considerando especificamente seus esforços para transformar a instituição, de uma força policial de fronteira para um exército moderno. Coffman argumenta que essa transformação foi devida à revolução gerencial na virada do século, revolução que afetou quase todos os aspectos da sociedade norte-americana.

Coffman demonstra uma vez mais seu domínio da pesquisa histórica. Não apenas explorou as imensas riquezas dos Arquivos Nacionais, do Instituto de História Militar dos EUA e da Special Collections and Archives Division da Academia Militar dos EUA em West Point, New York, mas também realizou mais de 75 entrevistas. Além disso, nos anos de 1970, preparou seu próprio questionário, que armazenou mais de 320 respostas. Coffman acumulou material de pesquisa que poucas outras pessoas – talvez nenhuma – jamais teve. Em resumo, é uma realização impressionante, e, felizmente, ele aproveitou bem sua pesquisa.

O livro é extremamente bem escrito e cria, de modo convincente, uma biografia compósita do Exército na primeira metade do século vinte, quando oficiais e soldados mudaram-se de uma Força velha para uma moderna, organizada ao redor de idéias de administração que representaram um papel tão importante neste século quanto no último. Coffman não se satisfaz, contudo, em analisar as armas de combate do Exército (infantaria, cavalaria, artilharia, corpo de aviação e força blindada); conduz o leitor para as vidas privadas de seus biografados e recria o mundo deles. Somos apresentados às vidas de tais homens como Joseph W. Stillwell, Omar Bradley, Forrest Harding, George S. Patton Jr., Jacob Devers, William H. Simpson e muitos outros. Com esses homens, somos levados ao passado para ver como era a vida de serviço nas Filipinas, combatendo na Europa durante a Primeira Guerra Mundial, vivendo durante os anos magros da Grande Depressão e mobilizando-se para a guerra total no final dos anos de 1930 e começo dos anos de 1940. No conjunto, é um relato atraente de uma fase importante da história do Exército dos EUA – história que contém numerosas lições acerca da resposta de uma organização militar às imensas mudanças sociais. Um militar da aeronáutica também pode tirar proveito desse exame.

Coffman gasta um tempo considerável examinando o nascimento da aviação dentro do Exército. A história desse desenvolvimento ajuda a explicar muito da atual cultura organizacional da Força Aérea dos EUA. Em acréscimo, a análise de Coffman fará grande serviço ao Aviador que precisa trabalhar em um ambiente cada vez mais de uso combinado. Afinal de contas, compreender as perspectivas únicas das Forças singulares e, subseqüentemente, como tais Forças podem trabalhar unidas é um dos requisitos fundamentais para a guerra combinada eficiente e eficaz. Para o Aviador ou para os interessados em uma compreensão completa da história do Exército na primeira metade do século vinte, The Regulars, de Coffman, é o melhor lugar para se começar.

Dr. Kevin C. Holzimmer
Maxwell AFB, Alabama

Into the Unknown Together: The DOD, NASA, and Early Spaceflight, de Lt Col Mark Erickson, USAF. Air University Press (http://www.au.af.mil/au/aul/aupress), 131 West Shumacher Avenue, Maxwell AFB, Alabama 36112-5962, 2005, 682 páginas, $50.00 (brochura). Disponível gratuitamente em http://www.au.af.mil/au/aul/aupress/Books/Erickson/erickson.pdf

Into the Unknown Together é uma revisão abrangente do terreno político e administrativo envolvido no começo do programa espacial dos EUA – especialmente aqueles aspectos que tratam do vôo espacial humano. Com efeito, o trabalho é enciclopédico, chegando a robustas 682 páginas, incluindo-se as notas finais. Cobrindo principalmente o período desde o nascimento da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA), em 1958, até o fim do programa Apollo, em 1972, o livro discute com grandes detalhes as complexas, às vezes bizantinas, interações que caracterizaram as relações entre a NASA, o Departamento de Defesa (DOD) e a Força Aérea. O livro é particularmente vigoroso em seu traçado do desenvolvimento dessas interações e da maneira pela qual cada administração presidencial pôs seu próprio selo não só no programa espacial dos EUA em geral, mas também na natureza da relação entre a NASA e suas contrapartes do DOD. Essas interações variaram em tempo e intensidade, desde a cooperação até o conflito e o descaso benigno. O trabalho certamente representa uma contribuição importante para a literatura acadêmica séria a respeito da história espacial, refutando claramente qualquer idéia de que a NASA fosse apenas um títere do DOD ou da Força Aérea. Somente a bibliografia, de 108 páginas, atualizada para o começo do século vinte e um, é o recurso mais impressionante para quem escreve sobre assuntos espaciais.

Como muitas vezes acontece na vida, um ponto forte também pode representar uma fragilidade – e vemos isso, acredito, no trabalho de Erickson. Em virtude de ser a narrativa muito minuciosa, não é uma leitura fácil e, assim, talvez seja mais adequada para o acadêmico sério ou pesquisador político do que para alguém que queira obter uma visão ampla do desenvolvimento dos primórdios da política espacial dos EUA. A esse respeito, o relatório RAND, de Benjamim S. Lambeth, Mastering the Ultimate High Ground, de 2003, é muito menor e cobre muitos dos pontos principais que o Coronel Erickson trata com minúcias significativamente maiores, acerca do começo do programa espacial dos EUA. Os capítulos iniciais de This New Ocean, de William E. Burrows (1998), também serviria como boa alternativa para alguém que busca uma rápida visão de conjunto.

Em acréscimo, esse trabalho concentra-se diretamente nas questões organizacionais, burocráticas, doutrinárias e gerenciais. Em conseqüência, muito da dimensão pessoal, inclusive do drama, desta história, não é representado. Caracteres importantes, como o general do exército John Medaris, o conselheiro de ciência presidencial James Killian, o elaborador de política de ciência do DOD Herbert York, o primeiro administrador da NASA James Webb, o general da Força Aérea Bernard Schriever e muitos outros vêm e vão como personagens, mas realmente não aprendemos muito sobre o que os tornou importantes ou como eles formaram suas idéias e visões das questões relativas ao vôo espacial dos EUA ou para o espaço de um ponto de vista militar.

Em suma, para o profissional “fanático” de política do espaço ou o historiador da política (e científica) espacial dos EUA, Into the Unknown Together é referência obrigatória para estudo ou biblioteca. Coronel Erickson prestou um grande serviço aos campos acadêmicos da história e da política espacial.

Lt Col Joseph P. Bassi, USAF, na Reserva
Lompoc, Califórnia

Finding Amelia: The True Story of the Earhart Disappearance, de Ric Gillespie. Naval Institute Press (http://www.usni.org/press/press.html), 291 Wood Road, Annapolis, Maryland 21402-5034, 2006, 296 páginas (com suplemento em DVD), $28.95 (encadernado).

Finding Amelia é um relato exaustivamente pesquisado a respeito do desaparecimento da famosa aviadora Amelia Earhart, em 2 de julho de 1937. Trabalho histórico sério, o livro contém muitos detalhes e documentos, mas o autor, Ric Gillespie, teve êxito em torná-lo acessível para o leitor comum. Diretor executivo do International Group for Historic Aircraft Recovery, ele aproveita o trabalho de sua organização analisando mais de 5.000 documentos relacionados com o desaparecimento de Earhart. Embora a perda de Amélia Earhart e seu navegador Fred Noonan permaneça um mistério não-solucionado, Finding Amelia reúne os dados disponíveis para pintar um quadro daquele vôo fatal e das subseqüentes buscas inúteis, que cativaram a atenção da imprensa e do público no final dos anos de 1930.

Finding Amelia fornece um olhar retrospectivo de um tempo em que tudo sobre a aviação era novidade e o país acompanhava a evolução do vôo com grande expectativa. O vôo de Earhart marcou a transição de um aspecto singular da cultura americana – como as acrobacias publicitárias de pioneiros da aviação, como Billy Mitchell e Jimmy Doolittle – para a rotina das linhas aéreas civis e a produção de aeronaves comerciais. Amelia Earhart acabou sendo uma das últimas dos grandes protagonistas de espetáculos emocionantes de vôo da era da aviação-como-novidade. Com efeito, poder-se-ia argumentar que a pressão para completar seu vôo ao redor do mundo derivou em parte do seu medo razoável de que algum outro aviador ou, pior, a Pan Am vencesse esse desafio assustador.

O livro apresenta também lições contemporâneas. Intenso escrutínio da mídia e importante pressão financeira exigiram um horário muito rígido para o vôo de Earhart, e Gillespie defende com argumentos convincentes que essas forças externas levaram a lapsos importantes no treinamento e na preparação. O autor observa – e nisto é parcimonioso – que “tal como na maioria dos acidentes aéreos, a perda não foi devida a um único evento catastrófico, mas, em vez disso, a uma bola-de-neve de vários infortúnios e erros” (pág. 103). Alguns detalhes interessantes emergem a respeito do vôo, especialmente no sentido em que falhas de comunicação e lapsos que podem ter contribuído para a tragédia. Por exemplo, nem Earhart nem Noonan (um pioneiro da aviação ele próprio) conheciam o código Morse (o padrão de radiocomunicações na época). Além disso, depois de reconstruir a aeronave após o seu primeiro esforço fracassado em dar a volta ao mundo, Earhart preferiu não reinstalar uma antena de baixa freqüência que lhe poderia ter permitido navegar por meio de sinais de rádio farol. Inexplicavelmente, Earhart e sua equipe deram sinais de que planejaram navegar através de sinais de rádio de alta freqüência – mais ou menos uma impossibilidade técnica na época.

Para o entusiasta sério em história, o livro e o DVD que o acompanha são recursos inestimáveis. O DVD inclui mais de 5.000 mensagens, telegramas, cartas, mapas, relatórios do governo e do fabricante de aeronaves, diários de bordo da Marinha e da Guarda Costeira, estudos técnicos e cine-jornal sobre o caso de Earhart. Pode-se ler Finding Amelia em mais de um nível: informalmente, para os interessados em lançar um olhar retrospectivo sobre uma tragédia famosa que capturou a imaginação do público, ou seriamente, para os interessados em separar o mito da realidade a respeito do desaparecimento e da busca subseqüente de dois grandes pioneiros da aviação.

Maj Robert J. Preston II, USAF
Maxwell AFB, Alabama

Vietnam Diary: From inside Air Force Headquarters, de Dr. Herman L. Gilster. RoseDog Books (http://rosedogbooks-store.stores.yahoo.net/index.html), 701 Smithfield Street, Pittsburgh, Pennsylvania 15222, 2005, 370 páginas, $30.00 (brochura)

Herman Gilster era tenente-coronel com doutorado em economia, por Harvard, quando deixou o corpo docente da Academia da Força Aérea, para ir para o Vietnã. Ele chegou ao quartel-general da Sétima Força Aérea, nos arredores de Saigon, em novembro de 1970. Na época, a guerra aérea se desenrolava há mais de seis anos; a cataclísmica ofensiva do Tet, que quebrantou a vontade política norte-americana, já fazia dois anos; e o grande volume de sortidas de ataque dos EUA era dirigida contra as linhas de suprimento inimigas – a Trilha Ho Chi Minh – estendendo-se pelo Laos e entrando pelo Vietnã do Sul. O bombardeio do Vietnã do Norte havia cessado em novembro de 1968. Gilster serviu no estado-maior do quartel-general durante um ano, tentando analisar os efeitos daquelas milhares de sortidas de interdição. Evidentemente, foi uma experiência frustrante, e este livro reproduz o seu diário daquele ano.

Como muitos americanos, em 1970 Gilster tinha começado a perder a fé na utilidade e, talvez até, na moralidade da Guerra do Vietnã. A primeira impressão de sua nova casa não era favorável: “Esta base é um dos lugares mais horríveis, mais imundos e mais sórdidos que já vi.(…) Sandy também tinha razão sobre ele cheirar tão mal” (pág. 11). Quanto aos nossos aliados sul-vietnamitas: “É realmente um bando de inúteis preguiçosos, e estar aqui, longe de minha família, defendendo a eles que não fazem nada por si próprios, me deixa furioso” (pág. 73). Lembremo-nos, porém, de que Gilster viu muito pouco do Vietnã ou de sua gente além dos confins da base aérea em Ton Son Nhut.

Este é um relato algo sombrio de cada um dos 365 dias que Gilster passou no Vietnã, tentando compreender as operações aéreas, analisá-las e transmitir conselhos úteis a seus superiores. Em verdade, há aqui alguns descortinos a respeito de como a guerra aérea foi planejada e conduzida. Parece que Gilster gastou todo o seu tempo preparando exposições e diapositivos para seu chefe, que, por sua vez, informava o chefe de operações e o comandante da Sétima Força Aérea. Seu chefe, um coronel aqui referido simplesmente como D1, é retratado como um pouco néscio, raramente aceitando o conselho de Gilster ou compartilhando seus descortinos. Por conseguinte, a guerra continuou a espichar-se, com pouco propósito e ainda menos efeito positivo: “O problema é que ninguém pensa. Todo mundo está apenas preocupado com números, tentando justificar a existência deles” (pág. 162).

Surpreendentemente, Gilster não fornece quase nenhuma estatística neste livro que trata de análise estatística. Menciona conceitos econométricos e análise de regressão, queixando-se de que a maioria dos comandantes e oficiais do estado-maior de alta patente não entendiam de tais coisas. Mas ele nunca se propõe a explicar por que tais metodologias deveriam ter sido usadas, nem explica que elas teriam produzido planos diferentes de campanhas aéreas e – o que é mais importante – resultados diferentes. Todavia, formula algumas reflexões úteis. Qual era o significado e a importância das resmas de estatísticas geradas por agências de inteligência durante a guerra? Lendo o relato de Gilster, a pessoa é forçada a concluir que a maioria de tais análises estatísticas estava grosseiramente errada – vários escritórios e agências não puderam sequer concordar com os números mais básicos, tais como o número de sortidas e os tipos de material bélico lançado. Contudo, livros inteiros basearam seus argumentos nesses números corrompidos. Eu poderia acrescentar que o relato de Gilster não indica se os números foram distorcidos, seja deliberadamente, seja em uma direção específica (quer dizer, não parece que os livros foram forjados para fazer as operações aéreas dos EUA parecerem mais ou menos bem-sucedidas do que na verdade foram). Estavam simplesmente errados.

Precisa-se também dizer que as pessoas que produziram as estatísticas não eram tolas; nem estavam limitadas a contar nos dedos – elas tinham computadores, tanto lá quanto em Washington. Entretanto, argumenta Gilster, os dados acumulados eram geralmente do tipo errado, erroneamente processados e impropriamente analisados. Como pôde a nação mais poderosa e tecnicamente mais adiantada do mundo cometer tantas tolices amadorísticas?

Gilster não fornece qualquer resposta clara, mas a questão continua vital. Os Estados Unidos estão agora empenhados em uma guerra global contra o terror, e o inimigo está em toda parte, é inteligente e perito em usar a mais moderna tecnologia de informação. Serão nossas ferramentas e métodos analíticos atuais melhores hoje do que o foram durante a Guerra do Vietnã? Esperemos que sim.

Col Phillip S. Meilinger, USAF, na Reserva
West Chicago, Illinois

Flying through Midnight: A Pilot’s Dramatic Story of His Secret Missions over Laos during the Vietnam War, de John T. Halliday. Scribner, impresso por Simon and Schuster (http://www.simonsays.com), 1230 Avenue of the Americas, New York, New York 10020, 2005, 432 páginas, $27.50 (encadernado).

Flying through Midnight é o relato pessoal de um piloto de C-123 voando em missões da Operação Candlestick, em 1970 e 1971, para iluminar alvos inimigos, lançando sinalizadores sobre a área do Steel Tiger, no sul de Laos, e na área do Barrel, no norte de Laos. O autor conta várias histórias divertidas antes de chegar ao foco central do livro: uma aterrissagem noturna em Long Tien, Laos, e a decolagem subseqüente no dia seguinte.

Um leitor não-familiarizado com as operações aéreas durante a guerra no sudeste da Ásia talvez achasse muito divertido o livro de Halliday. Contudo, estou intimamente familiarizado com essas operações, depois de ter passado 27 meses lá como controlador aéreo avançado (FAC), Raven (uma espécie particular de FAC muito independente, voluntário, que voou em missões não-convencionais, mas altamente bem-sucedidas, em Laos) e piloto de RF-4. Encontrei tantos erros factuais nas primeiras 100 páginas, que comecei a duvidar de que Halliday tenha chegado a estar alguma vez no sudeste da Ásia. O fato de que ele realmente esteve lá torna as coisas ainda piores. Achei seus relatos irritantes. Os acontecimentos podem ter acontecido há mais de 35 anos, porém, mesmo depois de três décadas, a pessoa não confunde o centro de comando do campo de batalha aerotransportado noturno de Barrel Roll (Alley Cat) com o de Steel Tiger (Moonbeam). Nem esquece o nome da Base Udorn, da Real Força Aérea Tailandesa – uma base de recuperação primária para as missões fracassadas de Barrel Roll. Dúzias de outras memórias questionáveis neste livro farão qualquer veterano daquele tempo e lugar questionar a veracidade do autor.

Flying through Midnight produz algum entretenimento. Todavia, para leitores versados nos acontecimentos que Halliday descreve neste livro, sugiro um estoque de comprimidos antiácidos ao alcance da mão.

Col Karl Polifka, USAF, na Reserva
Raven 45, 1969
Williamsburg, Virginia

Carriers in Combat: The Air War at Sea, de Chester G. Hearn. Praeger Security International, Greenwood Publishing Group (http://psi.praeger.com), 88 Post Road West, P.O. Box 5007, Westport, Connecticut 06881-5007, 2005, 336 páginas, $49.95 (encadernado).

Chester G. Hearn publicou 18 livros, a maioria a respeito de assuntos marítimos e da Guerra Civil americana. Carriers in Combat pretende ser a história da aviação naval, principalmente dos Estados Unidos, com alguma atenção ao mesmo assunto nas marinhas japonesa e britânica. O primeiro combate da aviação naval americana aconteceu em 1914, em Vera Cruz, México. Isso faz com que a história tenha mais de 90 anos. Hearn discute os primeiros 30 anos, mais ou menos, em 228 páginas, e os últimos 60, em 52 páginas. O livro inteiro não se constitui em autoridade, mas a parte que cobre o período pós-guerra é estritamente superficial.

O autor dedica a parte maior de sua atenção à Segunda Guerra Mundial, e certamente convém aos profissionais da força aérea saberem algo a respeito da aviação naval naquele período. Os oficiais navais que eles encontrarão em funções de natureza combinada serão bem versados nessa parte da história, e os oficiais da força aérea podem desenvolver boas relações, se também tiverem algum conhecimento da história. Além disso, desde a Segunda Guerra Mundial, o comando marítimo quase não foi contestado, e a missão da Marinha tornou-se cada vez mais a projeção do poder fora do território, especialmente desde o colapso da União Soviética. Assim, à parte a localização da partida e da aterrissagem, as missões das duas Forças em grande parte convergiram. Todavia, os oficiais da Força Aérea devem buscar seu conhecimento em outro lugar.

Pelo menos, Hearn nada faz para ocultar seus preconceitos, identificando os aviadores com tudo que é bom e verdadeiro na Marinha e pintando todos os demais como incompetentes ou pior. Ele é especialmente duro com o Alte Raymond Spruance, mas é um firme admirador de Alte Marc Mitscher. Spruance não era aviador; Mitscher pertenceu à primeira geração de aviadores. Contudo, Spruance – o líder aéreo vitorioso da Batalha de Midway – aparece, criticado, no que se refere à Batalha do Mar das Filipinas, porque não postos a pique todos os navios-aeródromos japoneses, embora, sem termo de comparação, a maior parte de seus aviões tenha caído, e três dos porta-aviões os tenham seguido às profundezas do mar. Esse foi, de fato, o último capítulo na consecução do domínio do ar no Pacífico (excetuando-se o problema dos kamikazes). Como Hearn relutantemente admite, o ponto é que a missão de Spruance era a proteção das forças de desembarque na invasão das Ilhas Mariana – o que foi realizado. O autor critica o Alte Harry Fletcher por abandonar as forças de desembarque à época da invasão de Guadalcanal, e aqui condena Spruance por não abandoná-las. Agora parece que Spruance poderia ter saído em perseguição após a retirada dos japoneses, mas isso é mais fácil de se ver agora do que na época. Esse é apenas um exemplo da tendenciosidade evidente de Hearn: jamais reconhecer suficientemente que o Alte Chester Nimitz era o comandante do Pacífico. Ele também não era aviador, mas parece ter feito um trabalho suficientemente bom. Além disso, o Alte Ernest R. King – chefe de operações navais, com sede em Washington – escapa da ira do autor. King ganhou o brevê, mas jamais serviu como membro de uma tripulação, desde que foi um O-6 (capitão), quando submeteu-se a treinamento para piloto em Pensacola.

Como a Bíblia, United States Strategic Bombing Survey (USSBS) é tão volumoso que pode ser usado para justificar todos os tipos de pecado. Hearn, que parece não ter mergulhado muito profundamente nele, utiliza-o para sustentar sua afirmação de que os navios aeródromos são a maior arma convencional da história, sem notar que o USSBS credita à combinação da campanha submarina com o bombardeio estratégico ser decisiva contra o Japão. De acordo com Hearn, o Exército e a Força Aérea (quando ele chega a reconhecê-los) também representaram um papel secundário naquela guerra, como também nos combates que tivemos desde então.

Tendenciosidade e desequilíbrio não são os únicos problemas deste livro. Todo resenhista pode esquadrinhar toda bibliografia que existe para encontrar omissões. Contudo, aqui há, simplesmente, demasiadas e importantes, para que se ignore o problema. Hearn freqüentemente se refere ao Alte U. S. Grant Sharp com relação às suas tiradas contra o Pres. Lyndon Johnson, que leva toda a culpa pelo fiasco do Vietnã. Todavia, ele não se refere ao próprio livro de Sharp sobre o assunto. Apóia fortemente a opinião que Sharp tem das coisas, mas não mostra que o bom almirante não era aviador, da mesma forma que Spruance também não o era. Tanto a Marinha quanto a Força Aérea saíram da Guerra do Vietnã com a determinação de mudar muitas coisas a respeito de seus tratamentos da guerra aérea, contudo Hearn parece estar construindo uma lenda de apunhalar-pelas-costas, jogando toda a culpa nos políticos em Washington. Aqui, ele se vale muito de fontes secundárias (quase todas provenientes de gente da marinha), especialmente artigos do Proceedings do US Naval Institute (um periódico de mérito, que todo profissional da Força Aérea deveria conhecer, porém há mais para se pesquisar do que isso). O autor também omite a excelente biografia do Alte John Towers, escrita por Clark Reynolds, cuja história cobre a maior parte do mesmo terreno deste trabalho – só que com mais autoridade. Vamos admitir, Hearn cita o trabalho definitivo de Norman Friedman em sua bibliografia, mas não mostra muita evidência de tê-lo lido, como é o caso da obra de Norman Polmar. Eu poderia prosseguir assim, sem parar, apontando os trabalhos de Jeff Barlow, Eliot Cohen, Robert Futrell e Conrad Crane, todos eles representariam subsídios melhores para o programa de leitura profissional dos militares da Aeronáutica.

Finalmente, Carriers in Combat está repleto de erros, tanto de natureza técnica quanto histórica. Para citar apenas alguns, Hearn pelo menos insinua que o Saratoga e Lexington de 1927 eram propelidos por motores a diesel; na verdade, ambos eram movidos por turbinas a vapor. Depois diz que o Saratoga sofreu a inundação de três caldeiras em conseqüência do ataque de torpedos – sem se perguntar por que um navio movido a diesel precisaria de uma caldeira! Ele erroneamente parece identificar a conversão da Marinha, de carvão para petróleo, com conversão para motor a diesel. Às vezes, chama o canhão de 20 mm de metralhadora e, em outra parte, de canhão. (É um canhão, com a linha divisória com calibre de .60.) Sugere que os dois grandes navios entraram em linha com 16 canhões de cinco polegadas cada. Na verdade, foi com armas de cruzador de oito polegadas, que foram removidas no começo da Segunda Guerra Mundial em benefícios de mais canhões antiaéreos, entre elas as de calibre de cinco polegadas. Mais tarde, confunde o USS Enterprise com o Saratoga e, em outra parte, equipa-os com canhões antiaéreos de 22 mm (em vez de 20 mm). Chama as ondas de sonar de “super-sônicas”, embora saibamos que a velocidade de som é muito mais lenta debaixo d’água do que no ar. Diz que o Skyraider é uma evolução do Dauntless. Longe disto; este último era um bombardeiro de reconhecimento, e o primeiro veio muito mais tarde, projetado não só para bombardear, mas também para lançar torpedos. Ele afirma que Nimitz foi para a Alemanha para estudar motores a diesel, para facilitar a conversão da Marinha, de carvão para petróleo. Totalmente errado; a conversão havia começado muito tempo antes e nada tinha a ver com esses motores. Em vez disso, eles estavam sendo estudados como fábricas de motores na superfície para submarino, em uma Marinha que já se havia convertido amplamente ao petróleo. O autor afirma que os TBD Devastators estavam velhos e lentos no começo da guerra; eram lentos, é verdade – mas não velhos. Tinham entrado em linha em 1937, e só tinham quatro anos na época de Pearl Harbor, quando a Marinha Real ainda estava pilotando aviões biplanos de cabinas abertas como bombardeiros de torpedo. Em um lugar, Hearn afirma que as táticas determinaram o resultado da Batalha de Midway (ocasionalmente, preocupou-me se ele sabe a diferença entre tática e estratégica); em outra parte, ele credita a vitória à sorte ou à quebra dos códigos japoneses. Ele dá ao navio-aeródromo de escolta o crédito de vencer a campanha contra submarinos alemães, mas ignora a importância da quebra de seu código. Hearn descreve o Valley Forge como tendo um deslocamento de 36.000 toneladas e o Leyte, de 21.000. Ambos eram da classe Essex, cujo padrão de deslocamento era de 27.000 toneladas. Quando chega à Guerra da Coréia, ele escreve errado o nome do Gen Matthew Ridgway toda vez que o usa.

Mais uma vez, eu poderia continuar indefinidamente. Não é de bom tom esmiuçar o trabalho de um autor em busca de falhas, mas os erros em Carriers in Combat ocorrem tão freqüentemente que a pessoa precisa desconfiar de que Hearn simplesmente não fez sua lição de casa, um problema que desqualifica este livro para inclusão na lista de leitura profissional dos militares da Aeronáutica. Em vez disso, eles deveriam tentar a biografia de Ernest R. King, por Raymond Buell, ou a de Towers, por Reynolds, acima citadas.

Dr. David R. Mets
Maxwell AFB, Alabama

Protecting Liberty in an Age of Terror, de Philip B. Heymann e Juliette N. Kayyem. MIT Press (http:// www-mitpress.mit.edu), 55 Hayward Street, Cambridge, Massachusetts 02142-1493, 2005, 160 páginas, $20.00 (brochura).

Heymann e Kayyem buscam oferecer diretrizes específicas para a aplicação apropriada dos princípios democráticos visando o objetivo espinhoso de achar e alvejar cadeias terroristas clandestinas, tanto no território nacional quanto no estrangeiro. Longe de ser uma leitura leve, Protecting Liberty in an Age of Terror é a culminação atualizada de debate, discussão, pesquisa e recomendações de política do “Projeto de Estratégia Legal a Longo Prazo para Preservar a Segurança e as Liberdades Democráticas na Guerra Contra o Terrorismo”, de Harvard. Compreendendo uma lista impressionante de mentes especializadas em direito, funcionários da administração de níveis ministerial e assessor, dos dois partidos políticos, e consultores britânicos, esse painel se reuniu periodicamente por um período de 18 meses, para discutir “as mudanças fundamentais em direito nacional e internacional e em práticas aceitas que ocorreram desde 11 de setembro” (pág. 2). Embora seja fácil cair no terreno político, os autores removeram todos os traços de sentimento partidário para deixar que as leis, tratados e práticas tradicionalmente aceitas aplicáveis falem por si próprios. A maioria das pessoas concorda que a guerra contra os terroristas não deve comprometer a liberdade democrática; não obstante, o diabo está nos detalhes.

Os autores, diretores do projeto de Harvard, tratam admiravelmente das questões obrigatórias da prisão e tortura, que funcionam como “pára-raios”. Nenhuma circunstância autoriza a desconsiderar “a proibição, calcada no princípio do devido processo de ações que os tribunais dos Estados Unidos consideram que ‘abalam a consciência’” (pág. 11), e não há condições aceitáveis que permitam a extradição a países que aparentemente praticarão tortura. Precedentes nacionais e internacionais substantivos iluminam a linha esbatida entre técnicas de “interrogatório altamente coercitivo” (HCI), aceitáveis, e tortura. Reconhecendo a dificuldade inerente ao tópico, o painel recomenda que o procurador geral dos EUA apresente uma definição específica de técnicas de HCI permissíveis, sujeitas a revisão pelo Congresso e ao escrutínio público. Talvez a recomendação mais restritiva exige requerer a publicação, caso a caso, de permissão para HCI, por parte de um funcionário sênior do governo, determinação que pode reduzir gravemente a inteligência tática disponível aos soldados na zona de combate ativa.

O painel também recomenda aplicação clara das proteções constitucionais dos EUA para detentos que não sejam cidadãos, a menos que um privilégio específico oferecesse uma ameaça à segurança nacional. À parte o debate a respeito das liberdades civis, uma motivação muito prática também subjaz a esta recomendação: um estado não pode exigir proteção legal de seus cidadãos no estrangeiro, a menos que o estado demonstre semelhante consideração. Se indivíduos são detidos dentro de uma zona de combate ativa, então lhes deve ser conferido o direito de um tribunal para analisar a justificativa para tal detenção; se os indivíduos são recolhidos em uma zona de combate ativa, mas detidos em outra parte, então deve-lhes ser conferido o alcance mais amplo praticável dos direitos da Quinta Emenda. Finalmente, o painel é enfático em sua recomendação contrária a recolherem-se pessoas para detenção em um país estrangeiro soberano que, para isso, empresta sua cooperação. Se adotadas, essas recomendações mudarão drasticamente a paisagem da atual política de detenção americana.

Outras áreas de menor publicidade do debate sobre as liberdades civis do após 11 de setembro envolvem o direito do governo de obter e usar dados eletrônicos de cidadãos, empresas, grupos religiosos e políticos e estrangeiros legalmente residentes no país. A maioria das conclusões do painel é razoável e bem articulada, mas uma recomendação surpreendente faz parar: a mesa discute contra a reunião ou a vigilância sobre o território dos EUA sem autorização judicial específica, como em um caso criminal. Embora essa exigência seja certamente adequada no caso da vigilância individual, os procedimentos contra terrorismo que usa instrumentos sofisticados não deveriam ser objeto de exclusão legal se coincidirem em apontar uma origem em solo dos EUA. Parece contraproducente tornar o território dos EUA o melhor santuário de comunicações do inimigo.

Talvez a recomendação estruturalmente mais significativa implique o estabelecimento de um corpo supervisor do executivo, cujo o único propósito seja a revisão da substância e da aplicação das medidas extraordinárias adotadas em épocas de crises e de guerra. Essa junta monitoraria, documentaria e avaliaria a conduta e a eficácia de medidas extraordinárias que têm a capacidade de corroer as liberdades civis estabelecidas. Em lugar de aprovar as ações individuais, a junta assessorará os oficiais legislativos e executivos a respeito da legalidade e eficácia de ações excepcionais empreendidas em circunstâncias especiais. O painel ajudaria ambos os Poderes do governo a determinar se e até que ponto as medidas extraordinárias devem continuar.

Fortemente legalista e um tanto acadêmico, este trabalho, não obstante, fala com autoridade a respeito do conflito controverso das liberdades civis com a segurança nacional em épocas extraordinárias. Questiona freqüentemente as políticas adotadas tanto pelo poder executivo quanto pelo legislativo na esteira do 11 de setembro, defendendo uma revisão pública e sistemática. Embora louvavelmente apolítico e de tom moderado, o trabalho desafia a opacidade da administração atual, desde que “o princípio central do governo dos Estados Unidos é o de que a última responsabilidade está e precisa permanecer nas mãos de uma cidadania informada” (pág. 6). Um esforço importante com implicações civis e internacionais a longo prazo, Protecting Liberty in an Age of Terror é valioso recurso para os elaboradores de política e comandantes encarregados de continuarem o atual conflito não-convencional sem comprometerem as liberdades civis.

Maj Stephen Pieper, USAF
Naval Postgraduate School

Sky Walking: An Astronaut’s Memoir, de Tom Jones. HarperCollins Publishers (http://www.harpercollins.com/hc), 10 East 53rd Street, New York, New York 10022, 2006, 369 páginas, $26.95 (encadernado).

A maioria dos leitores de Air and Space Power Journal provavelmente já quis ser astronauta em algum momento de suas vidas. Alguns podem ainda esforçar-se para essa meta, e um grupo seleto de outros podem ser de fato astronautas. Leitores que se enquadram em qualquer dessas categorias ou simplesmente têm interesse no vôo espacial tripulado vão adorar Sky Walking. Escrito pelo ex-astronauta Tom Jones, veterano de quatro vôos do ônibus espacial e possuidor de um PhD em ciências planetárias, este livro excepcional captura os aspectos tanto tecnológicos quanto humanos de uma profissão a que tantos aspiram, embora tão poucos alcancem.

A memória relata uma jornada cronológica da vida de astronauta, desde a decisão de se inscrever na Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA), passando pelos cinco dias de entrevistas e testes, seleção e treinamento inicial, até ser designado para a primeira missão. Também apresenta descrições detalhadas de todos os vôos. Jones evita usar um tratamento redundante e canhestro, para contar cada uma de suas quatro missões. Em vez disso, descreve com precisão a seqüência de lançamento, de oito minutos e 40 segundos, em um vôo; a agenda minuciosamente programada da vida cotidiana em órbita, em outro; o mergulho de reentrada, de 45 minutos, em meio a um calor de 3.000 graus, ao qual ele não dava importância até que a Columbia se incendiou, em 2003; e a série de manobras, coreográficas, envolvidas em acoplar-se com êxito a Estação Espacial Internacional (ISS), em sua última missão.

O autor descreve habilmente os aspectos tecnológicos de cada missão do ônibus espacial, em termos leigos (uma façanha em si para a maior parte dos PhDs), ao mesmo tempo, que fornece, bastante informação sobre os elementos humanos da vida de astronauta. Suas primeiras duas missões no ônibus – Sistema de Transporte Espacial (STS) 59 e 68, lançadas em abril e setembro de 1994, respectivamente – utilizaram sua base acadêmica singular no Laboratório de Radar Espacial, que mapeou a superfície de Terra enquanto permanecia no grande compartimento de carga do ônibus. Durante essas missões, ele se revelou – algo que os astronautas fazem continuamente por causa da intensa competição e pequena margem de erro no trabalho deles. Esta mentalidade é resumida na oração do astronauta: “Deus, por favor não me deixes dar mancada” (pág. 172).

Engenheiros, cientistas e outros profissionais técnicos são freqüentemente criticados por sua falta de humanidade, mas Jones é claramente uma exceção. Alguns dos aspectos mais notáveis de sua memória são suas descrições do “escritório” e da vida doméstica dos astronautas. Embora treinar para missões torne os dias longos, quando estão esperando uma tarefa de tripulação, os astronautas se envolvem em vários projetos: assistir às tripulações em treinamento, acompanhar familiares de astronautas em missão, aparecer em público e assim por diante. Evidentemente, os astronautas experimentam alguns momentos enfadonhos e se confrontam com muitas exigências sobre suas famílias.

Para Jones, um aspecto muito humano do vôo espacial é sua fé profunda. Ele relata ter assistido à missa com a tripulação em órbita e recebido a comunhão. Também descreve como o padre de sua paróquia assistiu aos lançamentos e realizou um ofício de oração na praia, em Cabo Canaveral para a tripulação, suas famílias e amigos. Suas descrições do espaço refletem suas fortes crenças: “Jamais me senti tão insignificante, parte de um cenário tão obviamente estabelecido por Deus” (pág. 316).

Sua terceira missão envolveu despachar e recuperar um satélite de espectrometria ultravioleta e uma abortada atividade extraveicular (EVA) ou um passeio no espaço, quando a porta de pressão do ônibus emperrou, esta última descrita como a maior decepção de sua carreira de astronauta. Sua quarta missão (e o final do livro) incluiu acoplar-se à ISS e a sua EVA, há muito esperada e para a qual treinada intensamente, que ele chama de “passeio pelo céu”. Essas missões, STS 80 e 98, foram lançadas em novembro de 1996 e fevereiro de 2001, respectivamente. A emoção de caminhar pelo céu, na STS 98, compensou a oportunidade perdida na STS 80.

A capacidade de Jones para relatar a absoluta maravilha e excitação do vôo espacial é capturada em sua descrição do passeio pelo céu ao redor da ISS durante sua terceira e última EVA:

Girando em torno de minha alça no corrimão dianteiro do Destiny, bebi do panorama que se desdobrava a meu redor. Direto à minha frente, a vinte pés de distância, a calda da Atlantis dividia o horizonte da Terra. Diretamente acima, os painéis solares reluzentes da Estação Espacial abriam-se como asas douradas pelo vazio negro do espaço. Para qualquer lado do compartimento de carga útil, agora vazio, o azul real do oceano e suas nuvens brancas rodopiantes passavam ondulando. Atrás de mim, o corpo da Estação caminhava lentamente, como um imenso e firme cruzador estelar, talhando os céus para um horizonte de mil milhas de distância (pág. 316).

Esta memória revela muitos pontos fascinantes adicionais: a inépcia ocasional da administração da NASA, o planejamento e a administração deficientes da ISS, a incrível dificuldade de se trabalhar com os russos, a chance de 1-em-76 de um fracasso catastrófico que os astronautas enfrentam toda vez que voam e o fato de que as administrações republicanas deram mais apoio à NASA do que as democráticas.

Embora o livro forneça muitas outras histórias sumamente interessantes e descrições soberbas dos desafios e emoções de um astronauta de ônibus, sofre de algumas falhas secundárias. O final parece um pouco abrupto e não dá aos leitores suficiente descortino do futuro do vôo espacial tripulado depois que o programa de ônibus termina. Também, as descrições de experiências científicas ocasionalmente beiravam ao tédio. Contudo, as excepcionais habilidades de escrita, de organização lógica e completude de Jones tornam dessas falhas muito secundária e facilmente esquecidas.

Sky Walking é uma memória excelente cuja leitura alguém, mesmo remotamente interessado em vôo espacial tripulado, achará difícil interromper. Eu o recomendo, especialmente para a próxima geração de astronautas que voarão no veículo de exploração tripulado, o sucessor do ônibus espacial, que levará homens e mulheres para a Lua, Marte e além.

Col Phil Bossert, USAF
Universidade de Houston


As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade do Ar ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.


[ Home Page Emita sua opinião via Email a: aspjportuguese@maxwell.af.mil]