Documento criado em 01 Fevereiro 08
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Português 1° Trimestre 2008
Coronel Ludovico Chianese, Força Aérea Italiana
A vitória sorri para aqueles que prevêem as mudanças no caráter da guerra, não para aqueles que esperam para adaptar-se depois que as mudanças ocorrem.
Giulio Douhet
Durante a Operação Iraqi Freedom, a Força Aérea Italiana empregou sua nova frota de Predators em apoio às operações de combate. O Predator, um veículo aéreo não-tripulado (UAV) de altitude média, de fabricação americana, usado em operações de vigilância e reconhecimento, tem um raio de ação de até 400 milhas náuticas e pode voar a altitudes de até 25.000 pés. Sua velocidade de cruzeiro é de 70 nós e ele pode permanecer sobrevoando os seus alvos por horas.1 Embora as operações com o Predator italiano tenham sido consideradas bem-sucedidas, ainda há questões a serem resolvidas para maximizar sua eficiência e a eficácia. Estão ocorrendo agora mudanças no caráter da guerra aérea e torna-se necessário que a Força Aérea Italiana a elas se adapte. Durante as operações do Predator dessa Força Singular no Iraque, a maior parte dos problemas teve origem na estrutura de comando e controle (C2), refletindo a falta de uma doutrina estratégica, uma aplicação incompleta de princípios doutrinários básicos e um nível inadequado de comando operacional.
Neste artigo, o autor compara seu conhecimento da operação dos Predators italianos—derivado da experiência que teve como Comandante do Componente Aéreo italiano, de dezembro de 2005 a abril de 2006, em Tallil, Iraque, com a doutrina, bem como com as operações de Predator dos Estados Unidos, atuais e passadas. Após breve resumo do significado da doutrina e de C2, o artigo apresenta a Operação Antica Babilonia (Operação Antiga Babilônia), da Itália, e descreve a estrutura de C2 do Predator italiano, indicando os principais problemas encontrados durante as operações e apresentando, ao final, recomendações para estimular, desenvolver e integrar, em futuras missões nacionais e expedicionárias, uma visão estratégica e uma política para os UAV italianos.
A palavra doutrina tem conotações diversas. Para muitos, recorda uma discussão elevada e misteriosa entre teóricos e acadêmicos, que pouco oferece aos militares que tentam operar no nível unidade. Em seu manual de doutrina básica, a Força Aérea dos Estados Unidos mostra isto muito bem, advertindo-nos contra a adoção de expedientes práticos freqüentemente usados nas operações.2 Em vez disso, necessitamos incorporar, de modo consciente e formal, o corpo de conhecimentos acumulado à doutrina, que consiste em princípios fundamentais pelos quais as forças armadas configuram suas ações em apoio de objetivos nacionais e em apoio das intenções do comandante.3 Teoricamente, todas as operações importantes se baseiam em um plano de campanha que reflete princípios doutrinários e máximas derivadas do “corpo acumulado de conhecimentos” mencionado acima.
Entretanto, em algumas situações, a Força Aérea Italiana não seguiu essas recomendações quase óbvias, realizando operações militares sem ter em mente uma estratégia doutrinária precisa nem uma diretriz estratégica — ou, simplesmente, sem aplicar completamente os princípios básicos e as máximas da doutrina. No intuito de explicar por que isso ocorre, o historiador Frank Futrell sugere que os militares da Força Aérea, que não têm fama de serem escritores prolíficos, tenham “desenvolvido uma tradição mais oral do que escrita”.4 Além disso, alguns líderes acreditam que “aderir a dogmas tenha destruído mais exércitos e custado mais batalhas do que qualquer outra coisa na guerra”.5 Na verdade, a doutrina inadequada restringe e limita demasiadamente a criatividade e, se “não for desenvolvida adequadamente e, em especial, se se permite que o sectarismo nela se infiltre, ela indicará soluções menos que ótimas”.6 No caso das operações do Predator italiano no Iraque, não existia doutrina estratégica para os UAV em geral ou para os Predators em particular. Embora as duas primeiras razões talvez tenham desempenhado algum papel, a principal razão para não ter esta orientação foi a falta de experiência anterior com este meio específico e tempo insuficiente para desenvolver uma doutrina sólida a atualizada.
Mesmo que os UAV já não sejam considerados uma inovação técnica nos Estados Unidos, onde a pesquisa e o desenvolvimento relativos a essas aeronaves estão significativamente avançados, eles representam um importante salto adiante para a Força Aérea Italiana. Entretanto, uma força aérea precisa mais do que de tecnologia avançada para fornecer uma capacidade eficaz. Após adiquirir a tecnologia Predator “pronta”, a Força Aérea Italiana logo os colocou em serviço no Iraque, antes de desenvolver uma estratégia ou doutrina de emprego. Como seria fácil prever, sua força de Predators sofreu as conseqüências, aprendeu numerosas lições valiosas e deve tirar proveito desta experiência.
No domínio da doutrina, o C2 sempre foi considerado um assunto importante para as organizações e líderes militares; sendo parte integrante e vital do combate na guerra, exige cuidadoso planejamento e execução para ser eficaz. No início da história da aviação italiana, o famoso teórico do poder aéreo Giulio Douhet escreveu que “a guerra no ar é a verdadeira guerra de movimento, na qual são necessárias uma rápida intuição, uma decisão mais rápida e uma execução ainda mais rápida. É a espécie da guerra em que o resultado dependerá amplamente do comandante”.7 Com efeito, no Iraque, os italianos aprenderam o que os americanos haviam vivido na Sérvia, apenas sete anos antes, como se observou no Air War over Servia Report (Relatório da Guerra Aérea sobre a Sérvia):
Na guerra aérea sobre a Sérvia, o comando e controle funcionou bem no nível tático. Por exemplo, o rápido remanejamento de aeronaves para atacar alvos detectados pelo veículo aéreo não-tripulado Predator foi inovadora e muito bem-sucedida. Contudo, nos níveis operacional e estratégico, os líderes da Força Aérea observaram reiteradamente dois problemas principais. O primeiro foi que as estruturas de comando e controle e os procedimentos de coordenação eram redundantes e confusos. O princípio da unidade de comando precisa, no futuro, ser reforçado no treinamento, na doutrina e nas operações.8
A Força Aérea Italiana passou por problemas surpreendentemente similares no Iraque. Ela poderia ter tirado melhor proveito das lições com Predators aprendidas pelos americanos, para compensar sua falta de experiência com este meio, especialmente em termos de arquitetura de C2, já que as forças dos Estados Unidos têm UAV em geral e Predators em particular em operação desde 1995.9
Em um nível ainda mais elevado, todo líder militar deveria ser capaz de aplicar os princípios e máximas de C2 de maneira universal, já que são considerados conhecimento comum. Por exemplo, a unidade de comando “garante a concentração de esforços para alcançar cada objetivo sob as ordens de um comandante responsável”.10 A simplicidade requer “evitar-se complexidade desnecessária ao organizar, preparar, planejar e levar a efeito operações militares”11 Precisa-se também estabelecer prioridades no poder aéreo e espacial, garantindo, assim, que a exigência de forças aéreas e espaciais não vá sobrecarregar os comandantes de meios aéreos em conflitos futuros.12 Entretanto, esses princípios abstratos exigem a capacidade operacional de colocá-los em prática. O Gen Ronald R. Fogleman, ex-Chefe de Estado-Maior da Força Aérea dos Estados Unidos, disse certa vez que “um comandante sem os meios adequados de C2 comanda apenas uma escrivaninha”.13 Só se torna possível um C2 eficaz dedicando-se recursos significativos para equipar, treinar e exercitar operadores de C2; desse modo, a doutrina da Força Aérea dos Estados Unidos determina que os comandantes “assegurem-se de que seu pessoal seja plenamente proficiente no uso de sistemas específicos de C2, ao desempenharem suas funções em tempos de guerra”.14
O envolvimento da Itália nas forças multinacionais no Iraque iniciou-se em 15 de abril de 2003, quando Franco Frattini, ministro das relações exteriores, discursou no Parlamento, falando da intenção do governo de apoiar a coalizão militar no Iraque. Cerca de um mês depois, o ministro da defesa Antonio Martino determinou às forças armadas que planejassem o desdobramento de um contingente italiano para impor a Resolução 1483 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A operação militar resultante, que recebeu o nome de Antica Babilonia, teve início em 15 de julho de 2003, consistindo em uma força-tarefa combinada italiana configurada em torno de uma brigada de infantaria do Exército.15
Nessa ocasião, a Iraqi Freedom havia acabado de “terminar o combate em larga escala” e iniciado operações de segurança, transição para a estabilidade e reconstrução.16 A Força-Tarefa Combinada Multinacional 7, em Bagdá, incluía duas divisões multinacionais, lideradas pelos americanos, no norte e no noroeste do Iraque, uma divisão multinacional, liderada pelos poloneses, na parte centro-sul, e uma divisão multinacional, liderada pelos ingleses, no sudeste. Em 15 de maio de 2004, as forças da coalizão organizaram-se em dois comandos: a Força Multinacional no Iraque, como comando operacional, e o Corpo-de-Exército Multinacional no Iraque, como comando tático, com a participação italiana descrita por uma diretriz operacional da Itália.17 Para a Antica Babilonia, três oficiais-generais italianos assumiram funções importantes no quartel-general de Bagdá.18 Designou-se um setor dentro da divisão multinacional inglesa como área de responsabilidade (AOR) da Força-Tarefa Combinada italiana, comandada por um quarto general italiano.19
Infelizmente, o fim do combate em larga escala não significou que a paz tivesse voltado ao Iraque. O contingente italiano de 3.000 soldados, sediados em An-Nasirya, capital da província de Dhi Qar, confrontou-se com violentos conflitos entre as forças da coalizão, lideradas pelos americanos, e os insurgentes.20 Em sua maior parte, a Operação Antica Babilonia concentrou-se em operações de estabilização, reformas de segurança do setor, treinamento e medidas de reconstrução do país.21 As forças e os meios desdobrados sofreram ajustes para adequar-se à ameaça em evolução. As forças terrestres foram ampliadas pela inclusão de um grupo-tarefa aéreo combinado formado por dois esquadrões de helicópteros e, a partir de janeiro de 2005, pela inclusão de um esquadrão de UAV equipado com Predators RQ-1, para missões de vigilância e reconhecimento.22
Aplica-se, certamente, à Operação Antica Babilonia a seguinte observação encontrada em uma publicação combinada nos Estados Unidos a respeito de operações multinacionais: nenhuma estrutura de comando, por si só, atende às necessidades dos comandos multinacionais, mas há uma constante absoluta que permanece: as considerações políticas influenciarão fortemente a forma definitiva da estrutura de comando”.23 A Itália, contudo, nem sempre teve em mente o princípio da simplicidade quando estabeleceu o sistema C2 do Predator. Na verdade, escolheu um modelo que permitia o emprego de suas forças pela coalizão, mas, também, garantia o controle nacional, especialmente dos meios principais (fig. 1).
Planejando a partir de sua experiência na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Itália usou a doutrina utilizada nessa Aliança para definir suas relações de comando. Por exemplo, o Capo di Stato Maggiore della Difesa (Chefe de Estado-Maior da Defesa italiano) sempre exerceu o comando operacional (OPCOM), o nível supremo de comando na hierarquia militar, comparado ao comando combatente nas Forças Armadas dos Estados Unidos. Suas funções são semelhantes às que têm, nos Estados Unidos, o Presidente da Junta de Chefes de Estado-Maior, embora o oficial italiano tenha autoridade de comando sobre os comandantes das Forças Singulares. O Chefe de Estado-Maior da Defesa, em Roma, conservou o OPCOM das forças italianas desdobradas para o Iraque. Aplicavam-se as seguintes relações de comando:
• controle tático (TACON): “direção e controle minuciosos e geralmente locais dos movimentos ou manobras necessários a cumprir missões ou tarefas designadas”.24
• controle operacional (OPCON): “autoridade delegada a um comandante para dirigir forças designadas, de modo que ele possa realizar missões específicas ou tarefas geralmente limitadas por funções, tempo ou localização; desdobrar as unidades participantes e manter ou delegar o controle tático delas. Isto não inclui autoridade para determinar o emprego separado de componentes das unidades participantes. Tampouco inclui, por si só, controle administrativo ou logístico”.25
• OPCOM: “autoridade conferida ao comandante para atribuir missões ou tarefas a comandantes subordinados, desdobrar unidades, remanejar forças e manter ou delegar o controle operacional e/ou tático conforme julgue necessário. . . . isto não inclui a responsabilidade pela administração”.26
• controle administrativo (ADCON): “direção ou exercício de autoridade sobre organizações subordinadas ou outras no que se refere a administração e apoio, incluindo-se a organização das forças da Força Singular, controle de recursos e equipamento, gerenciamento de pessoal, logística da unidade, treinamento, prontidão, mobilização, desmobilização e disciplina individuais e da unidade e outros assuntos que não estejam incluídos nas missões operacionais das organizações subordinadas ou outras”.27
O OPCON do grosso das forças italianas foi transferido, porém, ao comandante britânico da Divisão Multinacional do Sudeste, em Basra. Os Predators representavam uma exceção significativa a esta relação de comando, pelo fato de o Comandante del Comando Operativo di Vertice Interforze (COI), ou Chefe da Força-Tarefa Combinada Permanente, conservar o OPCON desses UAV como recurso exclusivamente nacional, disponibilizados à coalizão por um critério de meios excedentes disponíveis. O COI e seu estado-maior planejam, preparam e dirigem operações e exercícios militares combinados para o Chefe do Estado-Maior da Defesa. O COI não se desloca de sua localização em Roma, mas pode desdobrar uma força-tarefa combinada para o teatro de operações, com o OPCON dos meios designados.28
Na Antica Babilonia, o Chefe da Força-Tarefa Combinada Permanente conservou, ao contrário do que ocorreu com os helicópteros, o OPCON do Predator para todas as missões dentro da AOR, exercitado por intermédio do Comandante do Contingente Italiano, que também comandava a Força-Tarefa Combinada Italiana junto à coalizão e representava a unidade de comando do Contingente Italiano, por meio de um arranjo de dupla função. Embora a mesma pessoa exercesse essas funções (Comandante do Contingente italiano e Comandante da Força-Tarefa Combinada Italiana), usam-se separadamente esses termos, no resto do artigo, para indicar a cadeia de comando (apenas italiana para Comandante do Contingente Italiano e da coalizão para Força-Tarefa Combinada Italiana) que esteja em discussão.
Por outro lado, missões solicitadas por outras agências nacionais italianas e pela coalizão, que não fossem em apoio direto ao Contingente Italiano, exigiam aprovação específica, caso a caso, do Chefe da Força-Tarefa Combinada Permanente, que exercia o OPCON direto sobre as operações de Predator. O Comandante do Componente Aéreo, chefe de um elemento de comando aéreo avançado que funcionava tanto como autoridade de atribuição de missões para o esquadrão de Predator quanto como agência coordenadora com o Centro de Operações Aéreas Multinacional (CAOC) da Iraqi Freedom, em Al Udeid, Catar, exercia o TACON dos UAV.29 Embora os helicópteros e os UAV fizessem parte do mesmo Grupo-Tarefa Aéreo Combinado da Força-Tarefa Combinada Italiana, os primeiros estavam sob o TACON do comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado mas, o último, sob o TACON do Comandante do Componente Aéreo.30 O Comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado também exercia ADCON sobre os operadores de UAV.
Em suma, o Chefe do Estado-Maior da Defesa Italiano determinava missões e tarefas (pela autoridade que lhe conferia o OPCOM) a um comandante subordinado diferente—o Comandante COI, ou chefe da Força-Tarefa Combinada Permanente—para desdobrar uma força-tarefa combinada para o Iraque. O Chefe da Força-Tarefa Combinada Permanente delegava, então, OPCON ao Comandante da Força-Tarefa Combinada, exceto para os Predators. A figura 1 mostra as relações de dupla função da Força-Tarefa Combinada Italiana, à esquerda no diagrama (que representa a cadeia de comando da coalizão), e do Comandante do Contingente Italiano, à direita no diagrama (que representa a cadeia de comando italiana). A doutrina da Força Aérea dos Estados Unidos recomenda cuidado com a atribuição de uma pluralidade de funções aos comandantes, uma vez que isto pode afastá-los da concentração no nível correto da guerra, no momento certo. Por outro lado, deixar de atribuir a um comandante uma pluralidade de funções pode desfazer a unidade de esforço, o que, como se verá adiante, aconteceu no caso das atividades do Predator italiano em nível tático.
Unidade de Comando e Unidade de Esforço
A unidade de comando é um princípio da guerra.31 Como se disse antes, esses conceitos nem sempre são levados em consideração como no caso dos Predators italianos no Iraque. A figura 1 mostra que o esquadrão de Predator tinha duas linhas de autoridade separadas: uma relação com o Comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado (ADCON) e outra com o Comandante do Componente Aéreo (TACON). A despeito de ter um comandante único no nível operacional—o Comandante do Contingente Italiano/Comandante da Força-Tarefa Combinada Italiana—na prática, esta dupla relação significava que existiam dois comandantes táticos diferentes para o mesmo esquadrão de UAV. Esta questão aparentemente sem importância acabou sendo uma das principais fontes dos problemas associados ao C2.
Presumivelmente, a razão de ser original dessa estrutura implicava ter um único comandante para todos os meios aéreos (o Comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado). Quando, porém, os Predators foram “encaixados” no que era, em 2005, um esquadrão combinado de helicópteros, o Quartel-General, em Roma, exigiu uma linha de comando exclusivamente nacional e acrescentou o Comandante do Componente Aéreo.32 Enquanto este exercia o TACON sobre os Predators, o Comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado tinha a responsabilidade de sua administração e apoio. Freqüentemente, este arranjo produziu atrito.
Em 2005, relatórios oficiais trimestrais do Comandante do Componente Aéreo Italiano a seu comando superior na Itália exibia evidência ininterrupta de confusão, rivalidade e autoridade redundante entre os oficiais designados Comandantes do Componente Aéreo e Comandantes do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado.33 O pessoal designado para o esquadrão de UAV muitas vezes comunicava seus problemas ou ao Comandante do Componente Aéreo ou ao Comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado, sem realmente compreender as atribuições de cada um deles. A diretriz operacional italiana não era suficientemente minuciosa para distinguir entre a autoridade do Comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado e do Comandante do Componente Aéreo. Segundo essa diretriz, o Comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado era responsável por prestar todo apoio cotidiano ao pessoal e por preencher relatórios de eficiência de todos os aviadores italianos desdobrados para Tallil, Iraque, exceto o do Comandante do Componente Aéreo. Comandava um estado-maior completo que permitia um apoio robusto para garantir o cumprimento de suas decisões.
Por outro lado, embora o Comandante do Componente Aéreo só tivesse um oficial e um subtenente apoiando-o diretamente, ele exercia plena autoridade sobre as missões dos Predators e o comando tático do pessoal que delas participavam, do planejamento à execução. A autoridade do Comandante do Componente Aéreo, de natureza tipicamente funcional, era mal interpretada, freqüentemente, por alguns operadores e, às vezes, pelos próprios dois comandantes, especialmente nas atividades superpostas que envolviam tarefas, tanto de apoio quanto operacionais, como gerenciamento das células de exploração de informações, distribuição de produtos de imagens para inteligência e gerenciamento de pessoal técnico. Isto tornava lento o processo de tomada de decisão, e, em geral, o pessoal parecia confuso e, às vezes, até relutante em expor os problemas. Por exemplo, em maio de 2006, quando um UAV italiano caiu devido a mau funcionamento, não havia plano específico minucioso para a sua recuperação em situações de emergência.34 Embora os analistas houvessem previsto o problema nos meses anteriores e apesar de um esforço intenso para formular planos e procedimentos, a falta de decisão a respeito de quem tinha autoridade para aprová-los impediu que houvesse concordância quanto a um plano final.35
Em virtude da localização do Comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado e do Comandante do Componente Aéreo em cadeias de comando diferentes, a unidade de esforços exigia uma forte relação de trabalho e um sentido compartilhado de missão. Afinal, os dois comandantes comprometeram-se a um encontro diário em Tallil, para resolverem as questões relacionadas com C2 dos UAV, mas não se deve considerar isto como correção permanente do problema. A competição por recursos, a falta de compreensão das capacidades das aeronaves e prioridades de missão conflitantes podem destruir até o arranjo mais cordial.
Não se deve deixar ao acaso o C2 efetivo de meios aéreos preciosos. O Air Force Doctrine Document (AFDD) 1, Air Force Basic Doctrine, diz que “a unidade de comando garante a concentração de esforços para cada objetivo sob as ordens de um comandante. Este princípio enfatiza que todos os esforços devem ser dirigidos e coordenados para um objetivo comum”.36 O AFDD 1 também exige controle centralizado e execução descentralizada, para garantir a concentração de esforços.37 Durante a Segunda Guerra Mundial, os Aliados aprenderam com os próprios erros e adaptaram a doutrina de acordo com isto:
Na qualidade de Comandante Aliado Supremo da Europa, o General Eisenhower inovou na doutrina, insistindo em que houvesse um único comandante de meios aéreos que reportasse diretamente a ele. A campanha aliada no norte da África durante a Segunda Guerra Mundial iniciou-se com o poder aéreo dividido entre os diversos comandantes. . . . As limitações deste arranjo tornaram-se de pronto aparentes, especialmente durante a Batalha do Passo Kasserine. Na Conferência de Casablanca, em 1943, Roosevelt e Churchill aprovaram uma nova estrutura de comando que centralizava o controle sob as ordens de um homem do ar. Esta nova concepção rapidamente penetrou na doutrina do Exército: “o controle do poder aéreo disponível precisa ser centralizado, e o comando precisa ser exercido por intermédio do comandante da força aérea [do Exército] para que a flexibilidade intrínseca e capacidade de desferir golpe decisivo sejam plenamente exploradas.38
O exemplo acima tira lições de um dos maiores conflitos da história, enquanto o esforço aéreo italiano no Iraque teve o apoio de um número relativamente pequeno de helicópteros e Predators (10 e 4 respectivamente). Unidade de comando, unidade de esforços e simplicidade constituem princípios fundamentais da guerra, que necessitam ser aplicados em todo o espectro das operações militares e em todos os níveis da guerra.39 A operação dos Predators italianos não deveria ter sido exceção a esta doutrina elementar.
Conseqüências do Controle Operacional Mal Colocado
O OPCON dos Predators italianos durante a Antica Babilonia produziu diversos problemas, como emprego impróprio, considerando-se suas capacidades e características, processos mais lentos de tomada de decisão e confusa priorização dos alvos.40 Simplesmente juntar-se à força-tarefa combinada já existente exibiu claramente falta de inovação operacional. Por exemplo, o Quartel-General da Força-Tarefa Combinada solicitava apoio de UAV com muito pouca antecedência ou em cima da hora, em resposta a necessidades táticas imediatas de forças terrestres, como se os Predators fossem meios de defesa aérea “em alerta para serem acionados”. Esta prática resultava, provavelmente, da familiaridade da Força-Tarefa Combinada Italiana com o Pointer, pequeno UAV portátil de baixa altitude e pequeno raio de ação. Contudo, diferentemente do Pointer, o Predator precisa de pelo menos uma hora de verificações em terra; assim, ao chegar à área de operações, já não há mais tempo para atender a necessidades imediatas de inteligência da parte das forças terrestres. Este procedimento produziu, inicialmente, problemas significativos com o CAOC, em Al Udeid, porque, embora os helicópteros italianos não necessitassem de inclusão na ordem de operações do CAOC, o mesmo não ocorria com os Predators. Estes, que geralmente voam a altitudes mais altas que os helicópteros, exigem medidas de desconflito de tráfego aéreo. A não-observância de ordens de controle do espaço aéreo e dos procedimentos de tráfego aéreo aumentam grandemente o risco de colisões com outras aeronaves que voem no mesmo nível de altitude.
Como o CAOC não incluía qualquer oficial de ligação italiano, a missão do Predator não contava com alguém que detivesse uma responsabilidade específica sobre ele e, freqüentemente, era desprovida de informações e canais de coordenação para tomar decisões tempestivas. Em diversas ocasiões, o autor testemunhou a ineficácia de missões do Predator porque não pôde assegurar as medidas de desconflito de tráfego aéreo sobre áreas de tráfego intenso, como Bagdá, ou por mudança de último momento na ordem de operações. Às vezes, os vôos eram cancelados no último minuto, resultando em frustração e desperdício de esforços, tanto para as tripulações de Predator quanto para os órgãos responsáveis pela atribuição das missões, em Roma.
Quando se tornou disponível a capacidade de transmissão de imagens por satélites e o Chefe da Força-Tarefa Combinada Permanente, em Roma, começou a receber as imagens produzidas pelos Predators, necessidades estratégicas logo atropelaram necessidades táticas, e a arquitetura de C2 pareceu ainda mais imprópria do que antes. Quando, por exemplo, outros comandos—como o comando britânico em Basra ou órgãos de inteligência em Roma—atribuíam missões estratégicas específicas, só existiam critérios vagos de prioridade para garantir a obtenção de medidas de desconflito com as missões determinadas em nível tático. Esta situação obrigou o Comandante do Componente Aéreo a solicitar, de Roma, instruções detalhadas e autorizações adicionais para cada caso, tarefa adicionalmente dificultada pela existência limitada de comunicações seguras.
Como os Predators “apareceram” originalmente como um meio tático orgânico submetidos às ordens do Comandante da Força-Tarefa Combinada desdobrada, não havia qualquer mecanismo especial nos níveis superiores de comando para lidar com gestões operacionais imediatas. Não havia em Roma, de onde se originavam muitas missões estratégicas do Predator, um centro de operações de funcionamento ininterrupto com visibilidade or autoridade para tomar decisões a respeito de missões de UAV. Tinha-se de processar as necessárias autorizações durante as horas de trabalho, coordenar-se extensivamente com diferentes gabinetes e—como ninguém estava oficialmente encarregado—obter autorizações dos escalões mais elevados. Isto resultou em confusão e frustração em todos os níveis de comando, em um processo de tomada de decisão mais lento e uma obscura priorização de missões. Além disso, alguns comandantes de força-tarefa combinada italianos consideravam os Predators um recurso limitado para a realização da missão do Contingente Italiano no Iraque, a despeito da vasta soma exigida para alugar a faixa de satélites necessária para a realização de missões estratégicas determinadas por Roma.41 Esses exemplos mostram por que temos de fazer uma revisão de nossa doutrina e do C2 ad hoc, especialmente da suposição de que os UAV devem permanecer sob as ordens de um comandante de componente terrestre desdobrado para o teatro de operações.
Em termos doutrinários, os americanos jamais atribuíram o OPCON do Predator a um comandante desdobrado para o teatro de operações. A escolha italiana podia revelar-se perigosa, por causa da forte tentação de controlar essas aeronaves no nível tático, o que impediria um emprego ótimo e chegaria a impedir a inovação operacional. Em especial, poder-se-ia concluir que os Predators são demasiadamente dispendiosos se forem usados simplesmente para observar o que acontece do outro lado da colina—papel para que os Pointers e outras espécies de UAV foram criados especificamente para desempenhar. A compreensão imperfeita das características e missões dos Predators poderia colocar em risco os papéis potenciais dos UAV nas Forças Armadas italianas, já que sua relação custo-eficácia poderia parecer insuficiente.
No futuro próximo, a tecnologia propiciará aos italianos melhores oportunidades de conectar as imagens do Predator a um quartel-general estratégico na Itália, ou a um CAOC em qualquer parte do mundo. Os UAV podem ter um papel de ataque e seus vôos exigirão integração em um esforço aéreo mais robusto e complexo—provavelmente em um CAOC. Mesmo que sejam entendidos e empregados como um recurso mais tático, as atuais relações e capacidades italianas de C2 não estão à altura da tarefa. Aprender a comandar e controlar um UAV à distância leva tempo e consome recursos; a improvisação não é uma opção válida.
Controle Operacional: Exame de Alternativas
Em última análise, os princípios doutrinários são desenvolvidos a partir de experiências no mundo real.42 No Iraque, o Chefe da Força-Tarefa Combinada Permanente decidiu delegar o OPCON de UAV ao Comandante do Contingente Italiano, que, em termo práticos, servia como Comandante do Componente Terrestre desdobrado para o AOR (o pessoal da Força Aérea representava apenas 3% de todo o efetivo da força italiana).43 Este modus operandi—atribuir o OPCON dos meios aéreos ao Comandante da Força-Tarefa desdobrada—foi usado em todas as operações combinadas expedicionárias italianas, e o Comandante da Força-Tarefa Combinada é, geralmente, um oficial de exército. Entretanto, desde 1995, os americanos jamais atribuíram o OPCON do Predator ao Comandante do Componente Terrestre desdobrado, e devemos nos lembrar de que as forças dos Estados Unidos acumularam mais de uma década de experiência operacional com UAV.
O primeiro desdobramento de Predators dos Estados Unidos para a Europa ocorreu durante a Operação Nomad Vigil, em abril de 1995, em apoio à Força-Tarefa Combinada Provide Promise, baseada em Gjader, Albânia. O Quartel-General da Força-Tarefa Combinada atribuía missões por meio do Centro de Inteligência de Operações Combinadas da Região Sul, em Nápoles, Itália. O CAOC da OTAN, em Vicenza, Itália, realizava a necessária coordenação aeroespacial.44 O segundo desdobramento para a Europa ocorreu em março de 1996, para a Operação Nomad Endeavor, em apoio à Operação Joint Endeavor, com os Predators baseados em Taszar, Hungria. As tarefas provinham de um elemento avançado do US European Command por meio da Célula de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, em Vicenza, Itália. O OPCON dos Predators continuou com o European Command e o CAOC da OTAN exercia o TACON.45
Encontra-se a mesma arquitetura em 1999, durante a Operação Allied Force, em Kosovo, onde os Estados Unidos, pela primeira vez, usaram Predators para um papel de designação de alvos.46 Antes da Allied Force, os Predators transmitiam imagens para fins de designação de alvos a seus operadores no solo, como parte da rede de coleta de informações. Durante a operação em Kosovo, os americanos criaram novos processos para explorar os dados produzidos pelo Predator com tecnologia avançada e procedimentos de análise. Isto permitia rever o vídeo do Predator em tempo real e, imediatamente, os analistas forneciam aos pilotos a localização de alvos móveis sérvios. No Afeganistão e no Iraque, as missões eram atribuídas do CAOC do US Central Command, em Al Udeid, enquanto as imagens eram analisadas de maneira centralizada nos Estados Unidos, de onde os operadores exerciam controle remoto sobre as missões do Predator e recebiam imagens por meio de comunicações por satélite.47 Assim, elementos avançados do comando aéreo só exerciam TACON—limitado ao lançamento, recolhimento e manutenção da aeronave; em nenhuma dessas missões os americanos delegaram OPCON a um comandante de componente terrestre desdobrado para a AOR, como fizeram os italianos no Iraque.
Isto não significa depreciação dos planejadores militares italianos, já que, no início das operações, esta era a única opção disponível. Na verdade, até que os Predators alcançassem plena capacidade operacional, as imagens por eles produzidas só podiam ser transmitidas para dentro do teatro de operações; assim, o OPCON exercido por qualquer elemento fora do teatro de operações destruiria a utilidade das imagens em tempo quase real. Entretanto, é surpreendente que mesmo ao alcance da plena capacidade, em 17 de fevereiro de 2006, nada tivesse mudado na estrutura de C2, levantando a questão: “Por quê?”48
Uma explicação possível é que a Força Aérea Italiana, nas operações expedicionárias combinadas ou multinacionais anteriores, tenha desdobrado principalmente helicópteros.49 Considerados tipicamente um meio orgânico de unidades terrestres, segundo a doutrina do Exército Italiano, os helicópteros sempre permaneceram sob o OPCON do Comandante da Força-Tarefa desdobrada, já que serviam melhor em papéis táticos do que nos estratégicos. Ao longo dos anos, isto reforçou a mentalidade doutrinária de que, se fosse preciso desdobrar forças terrestres, qualquer meio aéreo (geralmente helicópteros) ficaria sob a autoridade de um comandante de componente terrestre, que, também, chefiaria a força-tarefa combinada. Assim, quando os Predators foram desdobrados para o Iraque, pela primeira vez, a falta de experiência operacional e a ausência de doutrina de emprego de Predators levou os planejadores a supor que eles podiam ser gerenciados justamente como helicópteros; assim, o Comandante da Força-Tarefa desdobrada exerceu o OPCON desses UAV. Outra razão plausível para essa escolha é que a Força-Tarefa Combinada Italiana já incluía um regimento de reconhecimento, vigilância e aquisição de alvos do Exército equipado com UAV Pointer.50 Os papéis semelhantes dos Predators e dos Pointers pode ter levado à suposição de que se poderia gerenciar o C2 deles da mesma maneira.
Com base nas considerações formuladas até aqui, o que representaria a mais adequada arquitetura de C2 para os Predators italianos em futuras operações expedicionárias? Primeiro, a Força Aérea Italiana deveria rever sua doutrina aérea a partir de uma perspectiva expedicionária e enunciar uma visão estratégica para operações de UAV em curto e médio prazo. Deveria incorporar as atuais e futuras capacidades e missões de UAV para apoiar a força combinada com reconhecimento, vigilância e, possivelmente, aquisição de alvos em tempo quase real, bem como a doutrina amplamente aceita a respeito de C2.51 Além disso, as unidades de UAV devem apoiar uma única cadeia de comando.52 A experiência italiana no Iraque confirmou o que a doutrina dos Estados Unidos reconhece desde 1993: quando “unidades de UAV recebem a tarefa de apoiar mais de um comando . . . simultaneamente, isto pode resultar em degradação da eficácia”.53
Em segundo lugar, a doutrina de UAV também deve enfatizar a designação de um único comandante de componente aéreo, em vez de dois comandantes, para conferir melhor unidade de comando e simplicidade. Unidades aéreas desdobradas, tipicamente um grupo-tarefa aéreo combinado, devem permanecer subordinadas a um único comandante desdobrado responsável pelo comando tático de todos os meios aéreos, e devem receber uma única ordem de operações do centro de operações aéreas e espaciais do COA italiano, do CAOC da OTAN, ou do CAOC da coalizão, dependendo da natureza do conflito.
Em terceiro lugar, a doutrina deve descrever os papéis do COA nacional e lançar os fundamentos da determinação das capacidades e recursos de que ele necessita.54 A Força Aérea dos Estados Unidos dedicou um enorme esforço para organizar seus COA como “sistemas de armas” para apoiarem operações combinadas e de coalizão.55 Por exemplo, celebrou um contrato de US$589 milhões com a Lockheed Martin Corporation, para servir de Integrador de Sistemas de Armas do COA, fazendo evoluir o centro de C2 para apoiar, em todo o mundo, operações combinadas e de coalizão centradas em rede.56 Embora a Força Aérea Italiana talvez não tenha a necessidade nem os recursos para ir tão longe, ela precisa determinar cuidadosamente o papel dos COA no C2 de seus UAV, os modos pelos quais pode desempenhar o papel de integrar melhor as operações dos UAV e os recursos que aplicará para solucionar esses problemas. A figura 2 apresenta uma configuração básica que serve de amostra para futuras arquiteturas de C2 em operações expedicionárias que supõem plena conectividade com UAV desdobrados: (1) um único homem do ar com acúmulo de funções para helicópteros (ou outros meios aéreos) e Predators (unidade de comando e simplicidade) e (2) OPCON de Predator atribuído ao Comandante do Componente Aéreo da Força Combinada, da Força Aérea Italiana, na Itália, exercitado por intermédio do COA.
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Atribuir o OPCON dos UAV exclusivamente ao Comandante do Componente Aéreo da Força Combinada garantirá o comando das forças aéreas por um homem do ar. A peculiaridade dos meios aéreos em geral e dos Predators em particular exige pessoal especificamente treinado e experiência consolidada em C2 do poder aéreo—melhor conseguida por um homem do ar. O AFDD 1 esclarece isto: “o axioma de que ‘os homens do ar trabalham para os homens do ar e o mais antigo trabalha para o comandante da força combinada. . .’ não apenas preserva o princípio da unidade de comando, mas, também, incorpora o princípio da simplicidade”.57 À medida que Predators e UAV futuros se aproximam cada vez mais da visão original de Douhet, tornando-se um meio decisivo em uma “verdadeira guerra de movimento”, eles exigirão, sem dúvida, “ rápida intuição” e “decisão mais rápida”. Segue-se, então, que precisamos dar poder ao comandante do componente aéreo da força combinada, tanto para comando quanto para controle.
A Antica Babilonia foi a primeira operação militar das Forças Armadas Italianas com UAV Predators. Precisamos estar preparados, porque a tendência geral da aviação militar é para sistemas não-tripulados. É imperioso que a Força Aérea Italiana, em especial, garanta que sua tecnologia de aviação não-tripulada seja acompanhada de doutrina tempestiva e firme—começando com as idéias elementares a respeito de C2.
Adequadamente aplicada, sem limitar ou restringir demasiadamente a criatividade, os princípios e máximas básicos, como unidade de comando, unidade de esforço, simplicidade, prioridade, homens do ar comandando homens do ar e adequados níveis de C2 fornecerão um bom ponto de partida para uma futura doutrina de UAV. No caso específico dos Predators, não devemos limitar as lições aprendidas à experiência nacional italiana. Em vez disso, devemos incluir outras perspectivas valiosas, como as dos americanos, já que eles vêm operando este mesmo sistema no mundo todo há mais de uma década. Nosso caminho para o futuro exigirá não apenas investimento em tecnologia, mas, também, investimento intelectual. Como orgulhosos sucessores de Douhet, não nos podemos permitir ignorar seus ensinamentos. Para a Força Aérea Italiana, o tempo de mudar é agora.
1. Wikipedia: The Free Encyclopedia, s.v., “MQ-1 Predator”. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/RQ-1_Predator. Acessado em 8 de fevereiro de 2007.
2. Air Force Doctrine Document (AFDD) 1, Air Force Basic Doctrine, 17 November 2003, 1.
3. Ibid., 3.
4. Citado em ibid., 2.
5. J. F. C. Fuller citado em ibid., 4.
6. Ibid.
7. Citado emAFDD 2-8, Command and Control, 16 February 2001, 1.
8. Citado em ibid., 13.
9. “RQ-1 Predator MAE UAV, MQ-9A Predator B”, GlobalSecurity.org, 20 October 2006. Disponível em: http://www.globalsecurity.org/intell/systems/predator.htm.
10. AFDD 1, Air Force Basic Doctrine, 20.
11. Ibid., 26.
12. Ibid., 32.
13. Citado em AFDD 2-8, Command and Control, 43.
14. Ibid.
15. Ministero della Difesa, “Comando Operativo di Vertice Interforze (COI), Cosa è”, 2003. Disponível em: http://www.difesa.it/SMD/COI/cosa-è.htm.
16. Em 1º de maio de 2003, no Navio-Aeródromo USS Abraham Lincoln, o Pres. George W. Bush declarou terminado o combate em larga escala. “President Bush Announces Major Combat Operations in Iraq Have Ended”, The White House, 1 May 2003. Disponível em: http://www.whitehouse.gov/news/releases/2003/05/20030501-15.html.
17. “Multi-National Force-Iraq”, SourceWatch, 2 September 2006. Disponível em: http://www.sourcewatch.org/index.php?title=Multi-National_Force-Iraq. A Diretriz Operacional Nacional (Direttiva Operativa Nazionale em italiano) é a diretriz militar que descreve a missão designada e as relações de C2 entre as unidades. Direttiva Operativa Nazionale COI-O-153-R (Roma: Comando Operativo di Vertice Interforze, April de 2005).
18. Os três generais exerceram as seguintes funções: Chefe de Operações da Coalizão (Força Multinacional no Iraque) Vice-Comandante /ITSNR (Corpo Multinacional no Iraque), e Vice-Comandante (Divisão Multinacional Sudeste). Direttiva Operativa Nazionale COI-OPR-153-R. (reservada) A informação extraída não é confidencial.
19. Um brigadier general italiano foi designado sempre como Vice-Comandante da Divisão Multinacional Sudeste. Direttiva Operativa Nazionale COI-OPR-153-R. (reservada) A informação extraída não é confidencial.
20. Wikipedia: L’enciclopedia libera, s.v., “Guerra in Iraq” (see “Il coinvolgimento italiano”). Disponível em: http://it.wikipedia.org/wiki/Guerra_in_Iraq#Il_coinvolgimento _italiano. Acessado em 5 de fevereiro de 2007.
21. Direttiva Operativa Nazionale COI-OPR-153-R. (reservada) A informação extraída não é confidencial.
22. Ibid.
23. Joint Publication (JP) 3-16, Multinational Operations, 7 March 2007, II-5.
24. NATO Standardization Agency, AAP-6 (2007), NATO Glossary of Terms and Definitions (English and French), 2-T-2. Disponível em: http://www.nato.int/docu/stanag/aap006/aap6.htm.
25. Ibid., 2-O-3.
26. Ibid.
27. AFDD 1, Air Force Basic Doctrine, 93. As Forças Armadas Italianas chamam o ADCON de comando gerarchico—típico de um comandante de unidade aérea expedicionária. Normalmente, esta autoridade inclui o comando tático de unidades operacionais; assim, o caso do Predator foi uma exceção.
28. Ministero della Difesa, “Comando Operativo.”
29. Para esta operação, a expressão Comandante do Componente Aéreo identifica (apenas) o Comandante do Componente Aéreo de UAV. Sua autoridade não se estendia aos meios de asas rotativas, que permaneciam sob as ordens de uma autoridade distinta (o Comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado). O autor foi Comandante do Componente Aéreo de UAV de dezembro de 2005 a maio de 2006. Direttiva Operativa Nazionale COI-O-153-R.
30. O Grupo-Tarefa Aéreo Combinado (Reparto Operativo Autonomo em italiano) baseava-se em um esquadrão de helicópteros de força aérea para busca e salvamento em combate e um esquadrão do Exército com duplo papel (ataque e mobilidade). Ibid.
31. AFDD 1, Air Force Basic Doctrine, 20.
32. O Grupo-Tarefa Aéreo Combinado baseava-se em dois esquadrões de força aérea (um equipado com helicópteros para busca e salvamento e outro com Predator para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento) e um esquadrão do Exército (equipado com helicópteros de ataque).
33. O Comandante do Componente Aéreo dirigia-se diária e trimestralmente ao Comando Operativo Forze Aeree (COFA) italiano, sediado em Poggio Renatico (Ferrara), Itália. Comandado pelo Comandante do Componente Aéreo da Força Combinada, o COFA tinha apenas autoridade de apoio logístico sobre os Predators. Não obstante, recebia trimestralmente relatórios do Comandante do Componente Aéreo e do Comandante do Grupo-Tarefa Aéreo Combinado, na qualidade de Comando da Força Aérea.
34. Notícias oficiais do acidente do Predator foram relatadas ao Comandante do Componente Aéreo da Força Combinada, na Itália, em maio de 2006, no COFA, durante uma exposição do relatório pós-missão do Comandante do Componente Aéreo. Esta informação também está presente no relatório trimestral da Operação Antica Babilonia, mas as minúcias continuam a ser sigilosas. Na web, pode-se encontrar informação geral em revistas internacionais especializadas. Veja-se “Italian Predator Crashes in Iraq”, Air-Attack.com, 18 May 2006. Disponível em: http://www.air-attack.com/news/news_article/1617/Italian-Predator-Crashes-in-Iraq.html.
35. Participação do autor em exposições pós-missão e primeiras versões experimentais de procedimentos para o recolhimento de Predators na Operação Antica Babilonia.
36. AFDD 1, Air Force Basic Doctrine, 20.
37. Ibid., 29.
38. AFDD 2-8, Command and Control, 5.
39. JP 3-0, Joint Operations, 17 September 2006, II-1.
40. “Operazione Antica Babilonia”, Air Component Commander Quarterly Report (Poggio Renatico: Comando Operativo Forze Aeree, May 2006).
41. Ibid.
42. AFDD 1, Air Force Basic Doctrine, 7.
43. Direttiva Operativa Nazionale COI-O-153-R (Roma: Comando Operativo di Vertice Interforze, April de 2005).
44. “RQ-1 Predator MAE UAV, MQ-9A Predator B.”
45. Ibid.
46. Statement of General John P. Jumper, Commander, United States Air Forces in Europe, 26 October 1999, 106th Cong., 1st sess., Disponível em: http://house.gov/hasc/testimony/106thcongress/99-10-26jumper.htm.
47. Segundo a experiência do autor no processo cotidiano de atribuição de missões a UAV, em Tallil, todas as missões de Predator tinham de ser coordenadas com o CAOC das forças aéreas do US Central Command, em Al Udeid, Catar, que transmitia a ordem de operações após assegurar, de forma adequada, as medidas de desconflito de tráfego aéreo.
48. “Operazione Antica Babilonia”.
49. Após a Segunda Guerra Mundial aeronaves táticas italianas voaram em operações de combate combinadas e multinacionais apenas em dois casos: Operação Tempestade no Deserto (17 de janeiro de 1991, primeira missão de combate desde a Segunda Guerra Mundial) e Operação Allied Force em 1999. “L’Aeronautica Militare Oggi: La Guerra del Golfo”, Aeronautica Militare, 9 September 2002. Disponível em: http://www.aeronautica.difesa.it/SitoAM/Default.asp?idsez=21&idarg=25&idente=1394; and Wikipedia: L’enciclopedia libera, s.v., “Operazione Allied Force” (veja-se “La partecipazione italiana”). Disponível em: http://it.wikipedia.org/wiki/Operazione_Allied_Force #La_partecipazione_italiana.
50. Direttiva Operativa Nazionale COI-O-153-R.
51. Diferentemente do Predator dos Estados Unidos, a versão atual do Predator da Força Aérea Italiana não tem a capacidade de designação de alvo.
52. JP 3-55.1, Doctrine for Reconnaissance, Surveillance, Target Acquisition and Support for Joint Operations, 14 April 1993. Mesmo sem estar mais em vigor, esta publicação sublinha alguns fundamentos basilares e máximas que continuam a ser importantes, como as do capítulo 2 “Employment.” Veja-se http:://www.fas.org/irp/doddir/dod/jp3-55_1/3-55_1c2.htm.
53. Ibid.
54. O COA italiano está atualmente incorporado a um grande comando—o COFA. (Veja-se nota 33), localizado junto com o CAOC da OTAN em Poggio Renatico, Itália. Isto significa que a integração entre as funções de C2 italianas e da OTAN também poderiam ser aprimoradas para futuras operações de UAV em coalizão se o comandante do componente aéreo da força combinada da OTAN e seu COA exercessem o OPCON.
55. O Air and Space Operations Center—Weapon System, AN/USQ-163 Falconer, por exemplo, é o elemento de maior hierarquia do sistema de controle aéreo do teatro de operações dos Estados Unidos. O custo deste programa em 2004 foi de US$26.982 milhões. Vejam-se diversas exposições não-classificadas a respeito do Air and Space Operation Center—Weapon System, fevereiro de 2005. Disponível em: http://www.dtic.mil/descriptivesum/Y2006/AirForce/0207410F.pdf; and Manlio Dinucci, “Finanziaria a mano armata: 21 miliardi alla difesa”, PeaceLink, 15 November 2006. Disponível em: http://italy.peacelink.org/disarmo/articles/art_19497.html.
56. John McHale, “ESC Awards $589 Million AOC Weapon-System Integrator Contract”, Military and Aerospace Electronics, October 2006. Disponível em: http://mae.penn net.com/articles/article_display.cfm?article_id=275862.
57. AFDD 1, Air Force Basic Doctrine, x.
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O Coronel Ludovico Chianese, da Força Aérea Italiana (Bacharelado, Accademia Aeronautica Italiana; Mestrado, Curso de Estado-Maior Combinado Italiano; Mestrado em Estudos Estratégicos (Air War College, Maxwell AFB, Alabama) serve na Seção A5 do Comando Operativo delle Forze Aeree (COFA), em Poggio Renatico, Ferrara. Iniciou o treinamento básico de vôo na Base Aérea Laughlin, Texas (T-37 e T-38) e no Fort Rucker, Alabama (UH-1H), e fez cursos de treinamento operacional, na Itália, em diversas aeronaves de asas rotativas, incluindo o Agusta-Bell 205, Sikorsky HH-3F de busca e salvamento/busca e salvamento em combate, Agusta-Bell AB-212 e Breda Nardi NH-500E, tornando-se piloto instrutor e checador de vôo de helicópteros. O Cel Chianese desempenhou uma multiplicidade de missões no exterior, incluindo a Somália (1993), Líbano (1994), Albânia (1999-2000) Malta (2000-2003) e Iraque (2006), em funções operacionais e de comando. | |||
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