Operações Aéreas
em Conflitos de Baixa Intensidade

O Caso da Chechênia

TIMOTHY L. THOMAS

CONFLITOS RECENTES na Chechênia e na Bósnia indicam que, no futuro imediato, conflitos de baixa intensidade (CBI) predominarão em vez de cenários de operações de grande intensidade do tipo da Operação Tempestade no Deserto. A triste realidade é que essas escaramuças, de acordo com o General R/R Charles Boyd, da Força Aérea dos EUA, “não podem produzir uma solução duradoura mediante força militar — de terra ou ar — mas apenas uma solução que dure até a força retirar-se” e que “depender exclusivamente do poder aéreo — a opção de ataque — nesse tipo de terreno, com tais tipos de alvos, jamais sustentou qualquer promessa real de resolução de conflito”.1

Os comentários de Boyd parecem aplicar-se ao conflito de dezembro de 1994 a agosto de 1996 entre a Rússia e as forças rebeldes da Chechênia. Aqui, um dos combatentes era uma antiga superpotência e o outro uma flácida coleção de rebeldes munidos apenas de armas terrestres. Sem ter de fazer frente a qualquer outra ameaça aérea que não a antiquada artilharia antiaérea ZSU-23/4, a Força Aérea russa, embora eficaz, não foi capaz de causar um impacto significativo no curso e no resultado da luta. Como observou Ben Lambeth, analista da RAND,

A guerra da Rússia contra a Chechênia foi símbolo dos desafios relacionados com a segurança que a Força Aérea deverá mais provavelmente enfrentar na próxima década. A guerra foi regional, mas distante do centro da Rússia. Mostrou um inimigo tecnologicamente pouco sofisticado, mas ao extremo obstinado do ponto de vista étnico. Não apresentava qualquer ameaça ar-ar e oferecia um ambiente que lhe permitia atacar apenas aeronaves que voassem a baixa altura.… Finalmente, não consistiu em uma Força Aérea oponente ou em um conjunto de alvos e, consoantemente, não impôs grandes exigências à Força Aérea em termos de desempenho de alta tecnologia. No todo, a despeito do uso ocasional eficaz de armas dirigidas de precisão contra alvos-chave, a quantidade prevaleceu contra a qualidade nas operações da Força Aérea na Chechênia.2

A breve avaliação aqui desenvolvida exa-mina dois aspectos das operações aéreas na Chechênia.3 Primeiramente, concentra-se em quais táticas e operações funcionaram (dentro do contexto das Forças Armadas russas so-frendo severos reveses financeiros e relacionados com equipamento que muito limitam o treinamento para operações dessa natureza). Em segundo lugar, examina quais aeronaves apresentaram melhor desempenho no conflito — de asas rotativas ou de asa fixa.

A Ameaça Aérea

A Chechênia, república localizada no extremo sudoeste da Rússia, entre o Mar Cáspio e o Mar Negro (região do Cáucaso naquele país), na realidade começou a afastar-se da Rússia em 21 de agosto de 1991 (dois dias depois do Golpe de Agosto na antiga União Soviética) e declarou sua independência da Rússia em 6 de setembro de 1991. Dzhokhar Dudayev, antigo general da Força Aérea soviética, fora convidado a assumir o posto de presidente pelo Congresso Amalgamado do Povo Checheno da Estônia (onde alguns chechenos viviam em exílio). Mais tarde, ele foi eleito por voto popular, tornando-se defensor da libertação da Chechênia frente à Rússia. Muitos russos no regime então corrente conside-raram as eleições ilegais e, portanto, caracterizaram como ilegítima a presidência de Dudayev.4 O Quinto Congresso Russo de Deputados do Povo não apenas decretou as eleições ilegais, mas também declarou que o regime de Dudayev era inconstitucional.5 Na segunda metade de 1993, desenvolveu-se uma oposição a Dudayev na Chechênia, que se transformou numa guerra de guerrilha em pequena escala. Na primavera de 1994, a oposição a Dudayev recorreu ao apoio da Rússia, para ajuda no estabelecimento da ordem constitucional. A Rússia assentiu. Em novembro de 1994, a força de oposição a Dudayev, apoiada pelos serviços de segurança russos, conduziu um ataque para depor Dudayev.6 A operação fracassou de modo desolador e a Rússia decidiu intervir militarmente.

No início do conflito entre a Chechênia e a Rússia, o presidente checheno Dudayev dispunha de quase 265 aeronaves. Quase a metade da força tinha sido deixada pelo Exército russo quando evacuou a República Chechena em 1992. As aeronaves abandonadas incluíam 80 aeronaves de treinamento de combate Delfin L-29, 39 aeronaves de treinamento Albatross L-39, três caças MiG-17, dois MiG-15UTI, bem como seis An-2 e dois helicópteros Mi-8.7 Apenas cerca de 40 porcento da força, contudo, encontrava-se disponível para o combate. De acordo com fontes russas, aeronaves de reconhecimento Su-24mr observaram a preparação ativa das aeronaves de Dudayev para o combate iminente, em novembro de 1994.8 Isso fez com que a Rússia se antecipasse aos preparativos da Chechênia por meio de ataques preventivos a aeródromos na manhã de dezembro de 1994 com aeronaves Su-25 (alguns afirmam que também houve a participação de Su-27).

As aeronaves chechenas presumivelmente apresentavam uma ameaça tanto para as ope-rações iminentes de unidades terrestres quanto para a população civil da Federação Russa por duas razões: (1) sua capacidade potencial de conduzir ataques estilo Kamikaze contra usinas nucleares ou de energia russas (enchendo aeronaves de treinamento com explosivos e as lançando contra as estruturas; a presença de um assento de ejeção nessas aeronaves permitiria aos pilotos chechenos transformá-las em mísseis de cruzeiro de facto); e (2) sua capacidade de lançar bombas sobre as forças russas que avançavam, desbaratando seu movimento. Para fazer face a esta ameaça, a Rússia tentou destruir os meios aéreos da Chechênia nas próprias pistas e, quando a guerra alastrou-se além de Grosny, usar a Força Aérea e a aviação do Exército em missões de apoio aéreo aproximado (ApAeAprx) e de interdição, incluindo o bombardeio de pequenas cidades. A Força Aérea também bombardeou Grosny em apoio à forças de combate lá presentes, transformando visualmente a cidade em uma segunda Stalingrado.

Os russos reuniram suas forças inicialmente em aeródromos situados no Distrito Militar do Norte do Cáucaso, com a maior parte das aeronaves fornecidas pelo Quarto Exército Aéreo. Empregaram aeronaves provenientes das aviações tática (de alto desempenho), do Exército e das forças internas. Cada uma tinha seu próprio corredor aéreo, falando em sentido figurado, e realizava suas próprias missões.9 As aeronaves incluíam 140 aviões de combate (Su-25, Su-22M e Su-24), 55 helicópteros (Mi-24, Mi-8 e Mi-6) e aeronaves de transporte militar (An-12, An-22, An-124 e Il-76). O Ministério de Assuntos Internos (MVD) contribuiu com 12 helicópteros Mi-8MT.

As armas antiaéreas chechenas incluíam lançadores antiaéreos móveis ZU-23-2 montados em chassis KamAZ e metralhadoras DShK montadas em jipes Cherokee e veículos de trilha Toyota. Também se relatava disporem de canhões antiaéreos ZSU-23/4 e Strela-3, Igla-1, bem como sistemas de mísseis superfície-ar (SAM) Stinger. Os chechenos também utilizaram lançadores portáteis de granadas anticarro contra helicópteros e aeronaves em vôo a baixa altura.

Para impedir Dudayev de construir uma ponte aérea com um país como a Turquia, a Força Aérea russa utilizou aeronaves A-50 dotadas de sistema aerotransportado de controle e alerta antecipado (AWACS), de dois a seis MiG-31 e aeronaves Su-27 para conduzir patrulhas de combate e servir de cobertura aérea. Por tudo o que aparenta, não foram desafiados e obtiveram êxito.

A Operação Aérea

O desempenho das aeronaves de asas rotativas e de asa fixa na Chechênia situou-se abaixo das expectativas contra aquela força levemente armada. Os problemas comprometedores do desempenho das Forças Armadas incluíram terreno bravio, severas condições climáticas, falta de tempo de treinamento, equipamento velho e estoques de suprimentos insuficientes — todos os quais limitaram enormemente a eficácia das operações aéreas. Os pilotos russos tentaram compensar tais limitações com iniciativa e ajustes após os estágios iniciais da luta. Novos métodos foram encontrados para a busca de alvos bem como para determinar a combinação correta de armas. Ajustes também foram feitos na tática e nas técnicas de vôo CBI contra alvos móveis que se ocultavam em meio à população civil. Isso foi de pouca valia para limitar baixas civis, contudo, já que as ofensivas terrestres ocorreram sem o processamento prévio dos alvos a serem atacados a partir do ar.10 Como resultado, a razão de mortes entre civis e “rebeldes” foi quase de oito por um, segundo Alexander Lebed, antigo chefe do Conselho de Segurança.

Um analista russo observou que a Força Aérea russa aparentemente aprendeu muito pouco das operações aéreas da Tempestade no Deserto. A concentração na força aérea de Dudayev desviou a atenção da destruição das instalações administrativas e de comando e controle (C2) militar, nós de comunicação e elementos-chave da infra-estrutura da Chechênia. A maior parte das pessoas acreditavam tratar-se isto de uma falha de planejamento e informações por parte do quartel-general do Distrito Militar.11

Outra observação foi a de que tal ambiente CBI oferecia as mesmas oportunidades para o emprego de meios de guerra de informação que oferecem os conflitos de grande escala. Por exemplo, uma recomendação no início do conflito exigia o aumento apreciável do papel das unidades de guerra eletrônica (GE) e a criação de um total vácuo de informação em torno da Chechênia. Outra instava pelo uso de interferidores portáteis perto das bases dos guerrilheiros e a supressão de canais de comunicação por satélite. Os comandantes eram instados a treinar, equipar e lançar por ar grupos de incursão e reconhecimento na retaguarda dos chechenos para desagregar linhas de comunicação; além disso, deviam utilizar aeronaves ao máximo possível para conduzir ataques contra guerri-lheiros que utilizavam armas autoguiadas (do tipo atirar e esquecer) ou armas guiadas de precisão.12 Os chechenos, no entanto, conduziram as mais poderosas operações de informação através de meios de comunicação de massa, mobilizando a opinião local e ao mesmo tempo abatendo o moral da população russa. Como observou o chefe do Serviço Federal de Segurança da Rússia, “Sim, as autoridades russas perderam a guerra de informação.… O quão esplendidamente está operando o ministro de informação checheno, Movladi Udugov; o quão hábil e apto ele se mostra ao alimentar a imprensa com todos os tipos de mentiras, distorções e falsas representações dos fatos!”13

De fato, o uso alegado de técnicas de guerra de informação finalmente permitiu à Força Aérea russa eliminar o presidente Dudayev. Em abril, enquanto falava em um telefone celular, ele, segundo se relata, foi localizado por uma aeronave A-50 russa (o AWACS russo), que é capaz de buscar duzentos alvos ao mesmo tempo. O A-50 repassou a informação a uma aeronave Su-25 de ataque ao solo que sob suas asas dispunha de bombas a laser e guiadas por vídeo. Uma foto tirada a partir da ogiva no momento em que esta se aproximava de Dudayev foi impressa no jornal Argumenti I Fakti, uma publicação que se acreditava manter laços estreitos com o sistema de inteligência russo.14

Aeronaves de Asas Rotativas

A Rússia reuniu perto de 55 helicópteros no início do conflito. Em torno do final de março de 1995, o número subiu para 105, incluindo 52 Mi-24. Uma esquadrilha de Mi-9 de C2 foi também relatada como presente.15 Cinco helicópteros (dois Mi-8 e três Mi-24) foram perdidos em conseqüência do fogo inimigo nos primeiros três meses do conflito.16

O Coronel General da Aviação Vitaliy Pavlov, comandante da aviação de tropa terrestre (um elemento independente da Força Aérea), desempenhara missões no Afeganistão e fora agraciado com a medalha de Herói da União Soviética por sua bravura. Também desempenhou missões na Chechênia. Pavlov notou que o grupamento da aviação de helicópteros era primordialmente utilizado para transportar tropas e evacuar doentes e feridos, no início do conflito. Também dava apoio aos movimentos das colunas e agiam como elos de comunicação, mas apenas raramente serviam como helicópteros de ataque — e nunca bombardearam alvos em Grosny. Inicialmente, apenas os pilotos mais experientes participaram.17

O terreno da Chechênia, montanhoso ao sul e nas bordas, alterna-se com planícies ao longo do centro do país. Assim, os pilotos podiam aplicar tanto manobras de aproximação do alvo a coberto pelo terreno, como no Afeganistão (para as montanhas), quanto manobras padrão de estande de tiro (para as planícies). A tática dos pilotos incluía voar em direção aos alvos a altitudes extremamente baixas e a velocidades muito altas, limitando, dessa forma, a detecção visual e o tempo de resposta dos chechenos; aproximar-se dos alvos a partir de várias direções; fazer manobras bruscas antes da aproximação do alvo; abandonar a baixa altura; oferecer cobertura mútua de fogo; e empregar equipamento GE (bem como flares e outros dispositivos).18 Para os pilotos russos, não houve ataques por meios simulados, tais como aqueles conduzidos pelas forças de coalizão na Bósnia (usando o software de imagem PowerScene).

Os helicópteros integraram ataques em coordenação com a aviação tática. Algumas vezes, helicópteros Mi-24 e aeronaves Su-25 conduziram operações contra fortificações dos guerrilheiros. Helicópteros do exército também operaram isoladamente em modo conhecido como “vôos independentes contra alvos inopinados” e contra alvos marcados ou a pedido das tropas terrestres.19 O mais intenso uso de operações de helicópteros ocorreu em maio de 1995, quando os antiquados Mi-24 empreenderam a maioria das missões de apoio de fogo. No final do mês, cinco a seis surtidas de combate eram realizadas por dia. Em acréscimo ao apoio a unidades que avançavam nas regiões central e sul da Chechênia, os helicópteros auxiliaram na busca de destacamentos de sabotagem/terrorismo de Dudayev que haviam penetrado nas áreas de retaguarda das tropas russas.

A coordenação com as unidades terrestres era freqüentemente difícil e agravada pela ausência de informação de reconhecimento tempestiva e precisa — a chave do êxito da missão de helicóptero. As próprias unidades de reconhecimento, que, na maioria das vezes, eram introduzidas e retiradas por helicópteros,20 observaram que eram colocadas em situações muito apressadamente e sem a coordenação com subunidades de infantaria ou com meios de aviação. As missões de reco-nhecimento na Chechênia incluíam a detecção de posições de tiro inimigas, a análise secreta dos sistemas defensivos das aldeias onde os rebeldes chechenos se concentravam e a des-truição de grupos isolados de combatentes. As missões aludidas eram de difícil execução em virtude da falta de aparelhos de rádio portáteis, dispositivos de visão noturna, silenciadores para armas e binóculos — dispositivos-chave para o pessoal de reconhecimento.

Finalmente, inúmeros mal-entendidos ocorreram entre comandantes de forças terrestres e o pessoal dos helicópteros, simplesmente porque os comandantes tentavam manter suas próprias missões secretas, apenas emitindo ins-truções específicas para as unidades que atuavam em conjunto. Como resultado, era freqüente uma unidade não saber o que a outra estava fazendo durante uma operação.21

No início do conflito, os pilotos russos tinham apenas um entendimento limitado da tática dos chechenos, que incluía controlar armas móveis de artilharia antiaérea via rádio e alterar com freqüência a posição desses sistemas. Os chechenos tentaram também integrar e sincronizar o emprego dessas armas, procurando engajar alvos com todo o conjunto de armas em seu arsenal: armas portáteis, metralhadoras pesadas, canhões e bocais lança-granadas. Os chechenos fizeram amplo uso de emboscadas, tentando imobilizar helicópteros assim que adentrassem uma zona de tiro eficaz, mediante a concentração de fogo a partir de diversos pontos. O pessoal de Dudayev fez também bom uso de informações e comunicações recebidas de agentes secretos. Como observou um piloto, “Tínha-mos a sensação de que eles sabiam bastante. Quantas e quantas vezes não ocorreu que a aparição de helicópteros em determinada área não era surpresa para o inimigo?”22 Baseado em sua própria experiência com a Força Aérea russa, Dudayev claramente mantinha suas forças muito bem inteiradas das táticas e capacidades aéreas da Rússia.

Os pilotos russos, por outro lado, não dispunham de quaisquer dados confiáveis sobre a disposição das armas chechenas, o que forçava as tripulações a operar a partir dos maiores alcances possíveis quando do emprego de seu armamento. Algumas tripulações de helicópteros empregaram uma tática nova, a de lançar seus foguetes não-guiados S-24 por meio de uma manobra de arfagem, assim aumentando o alcance da arma em seis a sete quilômetros. Isso permitia que os pilotos atirassem sem entrar na zona de destruição das armas de artilharia antiaérea das forças de Dudayev.23 Embora essa tática reduzisse a precisão, foi provavelmente um fator chave no aumento do número de baixas civis.

Um dos principais alvos chechenos para fins de obtenção de informações foram os controladores aéreos avançados (CAA), sempre objetos de caçadas especiais, de acordo com especialistas russos. Os chechenos tinham a capacidade de “apontar com precisão o local em que o CAA entrava no ar. Só mais tarde foi que a infantaria motorizada apreendeu o equipamento que o pessoal de Dudayev utilizava para determinar a direção dos sinais emitidos pelos rádios dos CAA. Pavlov, o comandante da aviação, observou que os CAA eram insuficientemente treinados para o desempenho de suas funções no escalão unidade, o que contribuiu para esses resultados desastrosos.25

Um analista, escrevendo no jornal russo Krylya Rodiny, assinalou que as tripulações dos helicópteros tinham mais dificuldades do que qualquer outra, voando muito baixo em condições meteorológicas péssimas e com freqüência retornando à base de origem com buracos de bala nos pára-brisas das cabinas. As estatísticas indicam que 1 em cada 10 helicópteros que participaram do conflito foi perdido e 1 em cada 40 foi danificado. No início de agosto de 1995, os russos haviam conduzido mais de 16.547 vôos sobre a Chechênia. Perto de 36 porcento das surtidas foram missões de tiro; 44 porcento foram de transporte-assalto aéreo (com mais de 90 porcento dos feridos evacuados pela aviação do Exército); 8 porcento foram vôos de reco-nhecimento e os 12 porcento restantes foram missões especiais tais como busca e salvamento, propaganda ou retransmissão de rádio.26 Tal informação indica como a natureza das missões dos helicópteros mudou à medida que a guerra continuava e os russos se adaptavam à situação.

Após quase um ano de luta, os pilotos russos realizaram algumas avaliações do seu equipamento, julgando os helicópteros Mi-24, o Mi-8 e Mi-6 tecnicamente obsoletos. Essas aeronaves tinham capacidade de desdobramento limitadas, em termos da hora do dia e das condições meteorológicas. Helicópteros mais novos, como o Ka-50 e o Mi-28, não foram empregados. O Mi-8MTV2, o Mi8MTV3 e o Mi-26 apresentaram bom desempenho. No centro do esforço russo de modernização dos helicópteros, no decorrer dos próximos anos, estarão os Ka-50 (designado Hokum pela OTAN e Black Shark pelos russos), cujas características de seus sinais são extremamente difíceis de se detectar. Destina-se a fornecer dados precisos sobre alvos, pode deslocar-se sem detecção para a área de ataque e penetrar a zona de visibilidade do inimigo apenas durante o tempo de vôo dos mísseis dirigidos anticarro (ATGM) de bordo, que têm um alcance de 8km devido a um sistema de guiagem automático por feixe de laser. O Ka-50 pode receber designações dos objetivos por canais de comunicação em circuito fechado, bem como trocá-las com helicópteros nas proximidades ou com instalações em terra. Ano passado, a arma de aviação russa dispôs de recursos suficientes para comprar apenas dois deles — nenhum foi empregado na Chechênia. Se a Rússia for permanecer modernizada e lutar esses tipos de guerras, precisa adquirir 60 Ka-50 anualmente, segundo um analista.27

A Chechênia forneceu muitas outras lições aos pilotos de asas rotativas. Estas incluíam limitar o dano a residências e instalações civis; superar a baixa proficiência de muitos pilotos no vôo de combate (em virtude da carência de horas de vôo, hoje um décimo em relação às da maior parte das nações ocidentais); ajustar-se à incapacidade de conduzir livremente o reconhecimento (visto que qualquer aldeia poderia, em dado momento, desencadear fogo cerrado); superar a relutância do quartel-general imediatamente superior em fornecer meios não-tripulados, como o veículo de controle remoto Shmel; e, o mais importante, fazer correções em sua tática. Um coronel russo, na reserva, atribuiu a culpa do desempenho dos pilotos à tática de ataques de retaliação contra um inimigo que usava o princípio de ataque-retirada-ataque. Isso tirou a iniciativa dos pilotos russos e conduziu a ações retardadas e à diminuição da capacidade de combate. Por outro lado, acrescentou o coronel, o emprego de armas de precisão para destruir alvos de pequeno porte se enquadra logicamente nesta tática.28

Em fevereiro de 1996, o General Pavlov observou, em uma conferência, que a Rússia havia se atrasado 15 anos com relação às nações que dominavam a fabricação de helicópteros e que “nos próximos anos a aviação do Exército pode deixar de existir como uma arma das Forças Armadas russas”.29 No verão de 1997, expressou-se de modo mais otimista sobre o início da produção dos Ka-50, dos Alligator Ka-52 (base-ado no Ka-50 e capaz de conduzir o reco-nhecimento de alvos e distribuir informação entre helicópteros em um grupo de batalha), o Mi-28N, versão para vôo noturno, e um Mi-24 modernizado; o General Pavlov também falou da continuação da pesquisa sobre aeronaves de reconhe-cimento não-tripuladas que atuarão em combinação com outros helicópteros.30

Talvez a realidade seja que a aviação do exército tem um papel limitado como elemento de combate em CBI, já que aeronaves de ataque ao solo como o Su-25 oferecem maior proteção (tanto para a cabina como para evitar liberar informação que possa revelar sua posição) e versatilidade. Por exemplo, com plataformas de armas móveis, um combatente pode sentar-se, ouvir o som das pás de um helicóptero e, a seguir, preparar sua arma para ser empregada. Quando o helicóptero passa diretamente acima, é vulnerável a um RPG ou a ataques de armas portáteis, bem como a projetis de 20mm. Um Su-25 não oferece esse prazer aos inimigos. Eles ouvem apenas o som do motor a jato quando sobrevoa a uma altura de 200 pés, não tendo o inimigo tempo suficiente para reagir; além disso, os 17mm de titânio em torno do cockpit desviam até mesmo projetis de 20mm. Aeronaves não-tripuladas de reconhecimento podem representar um modo de prolongar o serviço da aviação do Exército à ausência de meios de silenciar o ruído de rotores.

Aeronaves de Asa Fixa

Sem qualquer dúvida, o burro de carga do esforço da aviação russa na Chechênia foi o Su-25 (designado Frogfoot pela OTAN e Rook pelos russos). Um analista resumiu sucintamente o valor dessa aeronave:

A experiência de operações de combate aéreo no conflito da Chechênia demonstrou o papel crescente do apoio aéreo aproximado a tropas terrestres. A participação de helicópteros de ataque naquele conflito foi limitada, e caças e bombardeiros táticos não puderam operar de modo eficaz a baixa altura e, assim, não foram empregados em virtude de sua alta velocidade e da carência de tempo para buscar alvos, apontar e empregar suas armas.… Eis a razão por que o Su-25 — uma aeronave pequena, subsônica, confiável e manobrável, de projeto simples e dotada de boa visibilidade do cockpit — foi empregado na maioria das vezes para apoiar tropas terrestres e em operações de ataque ao solo.… Além disso, o Su-25 dispunha de poderoso armamento, aviônica altamente confiável de navegação e de seleção de alvos, bem como proteção blindada, podendo operar tanto de pistas de pouso e decolagem de superfície artificial, quanto de campos de pouso de terra.31

As missões para as aeronaves na Chechênia incluíram o ApAeAprx de tropas que atuavam contra alvos de pequeno porte nas monta-nhas ou nas planícies. O Su-25 pode atacar em desfiladeiros devido a sua configuração aerodinâmica especial em combinação com uma alta razão empuxo-peso. Além disso, a aeronave pode permanecer sobre o campo de batalha por extensos períodos de tempo, realizando vários passes sobre alvos em uma única surtida. Este fator também levou o projetista a desenvolver um cockpit de blindagem especial de titânio para defender o piloto de projetis de 20mm e 23mm. Essa aeronave mostrou sua capacidade de resistência no Afeganistão, onde aviões de ataque sofreram uma perda em 80-90 danificados versus 15-20 perdas para outros tipos de aeronaves.32 No entanto, alguns russos colocaram o Su-25 na mesma categoria do A-10 da USAF, e, em vez dele, consideraram o Su-39 como o futuro para o CBI. Assinalam eles que a experiência angariada em CBI e em operações de paz indica que aeronaves de ataque devam ser empregadas:

O Su-39 pode desempenhar essas e outras missões mediante o emprego de sistemas avançados de pontaria diurna/noturna e de navegação, contramedidas eletrônicas avançadas, armas de precisão, assim como manobrabilidade e confiabilidade avançadas.

Os russos utilizaram outras aeronaves durante o conflito, como acima mencionamos. Estas incluíram aeronaves da aviação de longo alcance, da aviação tática e da aviação de transporte: o Su-22M, o Su-24 e o Su-27 (raramente se viu o MiG-29, por causa da inexistência de ameaça aérea), bem como o An-12, o An-22, o An-124 e o Il-76. Os MiG-31 Foxhound e Su-27 Flanker desempe-nharam funções de patrulha aérea de combate, enquanto se relata que os Tu-22M3 Backfire lançaram flares noturnos e panfletos de propaganda.34 O Su-24 parece ter sido o caça-bombardeiro utilizado com maior freqüência. Até dezembro de 1995, os pilotos russos haviam realizado mais de nove mil surtidas, com mais de cinco mil e trezentas dedicadas à condução de ataques de bombardeio/ataque ao solo e 672 ao reco-nhecimento aéreo (perto de 8 porcento). As armas principais incluíam os foguetes S-5, S-8 e S-24B, bem como as bombas de alto explosivo FAB-250 e FAB-5000. Quando as condições metereológicas permitiram, os russos empregaram mísseis guiados Kh-25ML, bombas inteligentes KAB-500L e KAB-500KR e bombas KAB-1500L.35

Semelhantemente a Pavlov, comandante da aviação, o Cel Gen Petr Deinekin, comandante-em-chefe da Força Aérea, serviu de principal porta-voz da Força Aérea. Ele observou que a tendência geral do desenvolvimento moderno de equipamentos e armamentos é reduzir-se a um ou dois tipos de aeronave em cada componente aéreo, bem como apoiar-se em grande medida em armamento de precisão. Deinekin avaliou o desempenho da força aérea em agosto de 1995, comentando “Posso atestar uma coisa: os pilotos russos, a despeito de dificuldades objetivas, souberam desempenhar plenamente suas missões, demonstrando, além de sua própria alta habilidade, a alta eficácia e confiabilidade dos armamentos e do equipamento de aviação russos”.36

Nem todas as avaliações, contudo, foram tão elogiosas. O que criou dificuldades para a maioria dos pilotos foi a situação financeira da Força Aérea e o impacto direto dessa situação sobre a prontidão para o combate. Segundo alguns relatos, a falta de recursos financeiros reduziu em quase 40 porcento o poder de combate. A proficiência tática cons-tituiu outra área de preocupação. Um piloto observou que o treinamento aerotático tinha sido demasiadamente cauteloso por muito tempo, indicando que o treinamento seguia o credo “não assumam riscos, não façam nada que complique a situação e evitem inovações”. Essa crença obstaculizou o apoio a tropas terrestres e limitará a capacidade dos pilotos de sobreviverem a duelos [dogfights]. Para livrar-se desse tipo de pensamento, a Força Aérea precisa de estandes de tiro novos e aperfeiçoados, bem como exercícios durante os quais tripulações “inimigas” sejam importadas e sua tática utilizada.37 Finalmente, muitos pilotos observaram a necessidade de um esforço de modernização destinado a desenvolver aeronaves para o século XXI e colocá-las em serviço nos próximos anos.

Um dos mais novos caças-bombardeiros na frota da Rússia é o Su-34, cujas caracterís-ticas indicam que será capaz de lutar em ambientes CBI. Projetado para o combate a altitudes baixas e muito baixas, essa aeronave pode atacar alvos no solo a qualquer hora do dia, independentemente das condições metereológicas, e pode usar seu equipamento especial e seu equipamento de navegação para rastrear a situação aérea, bem como para identificar alvos isolados no solo. Um revestimento de 17mm de titânio na cabina, juntamente com uma camada de titânio cobrindo os motores e os tanques de combustível, protege o Su-34 contra o fogo antiaéreo. O avião possui, também, algumas características stealth; um controle secundário que permite ao navegador pousar o avião se o piloto for morto ou ferido; um alcance-padrão de 4.000 km; e uma área de repouso e um banheiro atrás do cockpit.38

Conclusões

“A Força Aérea teve uma oportunidade de ouro na Chechênia de constatar que o poder aéreo não pode invariavelmente fazer a mágica que a ele se atribui em situações em que o conjunto de alvos é fugaz, predominam problemas na localização e identificação do alvo e existe o perigo sempre presente de danos não-intencionais a não-combatentes.”39 A guerra na Chechênia focalizou a atenção russa em duas áreas: (1) a eficácia e o potencial futuro do poder aéreo em um ambiente CBI e (2) as muitas áreas nas quais a aviação russa necessitava aperfeiçoamento — desde adestramento, até equipamento e tática.

A Força Aérea russa e a aviação terrestre são agora duas das mais experientes forças no mundo para esse tipo de conflito, como o foram a Força Aérea e a aviação do Exército dos EUA após o Vietnã. Os pilotos russos aprenderam muitas técnicas e táticas que merecem estudo minucioso. Algumas das lições sublinhadas pela luta incluem as seguintes:

Em resumo, a luta na Chechênia criou outro capítulo histórico nos anais da guerra, capítulo que por décadas merecerá estudo. Representa um dos primeiros exemplos de um conflito prolongado envolvendo uma das antigas superpotências e é merecedora de atenção e consideração rigorosas.

Notas

1. Charles G. Boyd, “Making Peace with the Guilty,” Foreign Affairs, September-October 1995, 37–38.

2. Benjamin S. Lambeth, “Russia’s Air War in Chechnya”, RAND draft, December 1995, 35. A abordagem de Lambeth oferece um excelente sumário das operações aéreas até o momento em que redigiu seu manuscrito.

3. Esta concepção é declaradamente russa. É lastimável que não haja simplesmente informação em suficiência, no presente, para escrever-se sobre a concepção chechena do problema.

4. “Chechnya”, Moscow News, no. 50 (16–22 December 1994): 1–2.

5. Valeriy Vyzhutovich, “Chechnya Will Spurn Kremlin’s Representatives”, Izvestiya, 20 December 1994, 2, in Foreign Broadcast Information Service (FBIS)-SOV-94-244, 19.

6. “Chechnya,” 2.

7. Para o L-39 e o L-29, os dados de desempenho são os seguintes:

Ambas as aeronaves portam duas bombas aéreas de 100 kg cada ou dois clusters 0B-16 de 32 NURS (mísseis não-guiados) em cada. Vladimir Georgiyevich Mukhin, “Military Lessons of the Chechen Campaign: Part One”, Nezavisimoye Voyennoye Obozreniye, no. 18 (22) (26 September 1996): 2, in FBIS-UMA- 96-216-S. Para maiores informações sobre os outros equipamentos russos (aeronaves e armas de artilharia antiaérea), veja-se John W. R. Taylor, “Gallery of Russian Aerospace Weapons”, Air Force, March 1996, 66–80.

8. Vyacheslav Kondratyev, “The Awesome Sky over Chechnya”, Krylya Rodiny, no. 1 (January 1996): 1–5, in FBIS-UMA-96-055-S, 20 March 1996; on-line, Internet, 21 November 1996, disponível para “baixar” a partir de http://fbis.fedworld.gov/cgi-bin/retrieve. Os informes de Krylya Rodiny são alguns dos melhores escritos sobre as operações aéreas durante o conflito. Após o início da intervenção, as autoridades russas expuseram um plano pretendido pelos chechenos, conhecido como “Lasso”, que incluía a destruição de diversos alvos espalhados por toda a Rússia pela Força Aérea chechena. Para maiores informações sobre o apoio dos helicópteros russos à oposição contra Dudayev, de setembro a novembro de 1994, veja-se Vladimir Georgiyevich Mukhin, “Military Lessons of the Chechen Campaign: Part Two”, Nezavisimoye Voyennoye Obozreniye, no. 19 (23) (10 October 1996): 2, in FBIS-UMA- 96-216-S.

9. Sergey Babichev e Vitaliy Strugovets, “Air Carriers”, Krasnaya Zvezda, 25 October 1995, 2, in FBIS-UMA-95-226-S, 24 November 1995, 36–37.

10. Kondratyev, no. 2, 1–4.

11. Igor Korotchenko, “The Operation in Chechnya: Success or Defeat of the Russian Army?” Nezavisimoye Voyennoye Obozreniye, no. 1 (February 1995): 1–2, in Joint Publications Research Service (JPRS)-UMA-95-008, 28 February 1995, 1–4.

12. Ibid.

13. Valeriy Vyzhutovich, entrevista com Sergei Stepashin, in FBIS-SOV-95-043, 6 March 1995, 36.

14. E. Kando, “The Secret of Dudayev’s Assassination”, Argumenti I Fakti, no. 18 (May 1996): 7.

15. Adam Geibel, “The Cruelest War”, Armed Forces Journal, November 1996, 30.

16. Kondratyev, no. 1.

17. Vitaliy Pavlov, “Pertinent Interview: I Admire My Lads’ Courage”, Armeyskiy Sbornik, no. 4 (April 1995): 4–5, in FBIS-UMA- 95-139-S, 20 July 1995, 1–2.

18. Anatoliy Surtsukov e Sergey Prokopenko, “Lessons of Combat Operations: A Shooting Sky”, Krasnaya Zvezda, 18 July 1995, 2, in FBIS-UMA-95-153-S, 9 August 1995, 3–5.

19. Kondratyev, no. 1.

20. Oleg Blotskiy, “Chechnya: A War of Professionals”, Nezavisimoye Voyennoye Obozreniye Supplement, no. 16 (22 August 1996): 2.

21. Mais um problema potencial para a aviação do Exército era um corte planejado na força de apoio técnico via rádio. Os pilotos protestaram que uma redução nas subunidades de apoio técnico via rádio conduziria a uma queda abrupta no potencial de combate da aviação do Exército.

22. Kondratyev, no. 1, p. 4.

23. Ibid.

24. Ibid.

25. Pavlov, 1.

26. Kondratyev, no. 2.

27. Sergey Prokopenko, “Russia Has Built Strike Helicopters, Let Our Army Have Them”, Krasnaya Zvezda, 8 February 1996, 1, in FBIS-UMA-96-040-S, 28 February 1996, 63.

28. Aleksandr Borisov, “This Is Not Afghanistan, the Climate Here is Different. . . .” Armeyskiy Sbornik, no. 8 (20 July 1995): 38–39, in FBIS-UMA-95-244-S, 20 December 1995, 19–20.

29. Moscow 2x2 TV, 4 February 1996, in FBIS-UMA-96-031-S, 14 February 1996, 4–5.

30. Vitaliy Yegorovich Pavlov, entrevista, “Army Aviation on the Verge of Reorganization”, Krasnaya Zvezda, 16 July 1997, 1–2.

31. Viktor Bezborodov, “The Su-25: A Formidable Aircraft”, Armeyskiy Sbornik, no. 8 (20 July 1995): 34–35, in FBIS-UMA- 95-244-S, 17–18.

32. Ibid.

33. Vladimir Bobak, “Su-39 in Local Conflicts”, Military Parade, September-October 1996; on-line, Internet, 7 January 1997, disponível para “baixar” a partir de
http://www.milparade.ru/18/62-65.htm

34. Lambeth, 9, 25.

35. Kondratyev, no. 2.

36. Pavel Anokhin, entrevista com Petr Deinekin, “Flying in Your Dreams and in Reality”, Rossiyskiye Vesti, 17 August 1995, 3, in FBIS-UMA-95-163-S, 23 August 1995, 24–27.

37. Valeriy Veshnikov, “If Flying, Then How to Fly, If Shooting, Then How to Shoot....” Armeyskiy Sbornik, no. 7 (22 July 1995): 26–27, in FBIS-UMA-95-188-S, 28 September 1995, 13–14.

38. Igor Alekseyev, “The Su-34: Without Analogues”, Technika-molodezhi, no. 5, iii, in FBIS-UMA-95-153-S, 6–7.

39. Lambeth, 33.


Colaborador

O Timothy L. Thomas (Bachrelado, Academia Militar dos EUA; Mestrado, University of Southern California) é analista no Escritório de Estudos Militares Estrangeiros em Fort Leavenworth, Kansas. Em 1993, o Sr. Thomas passou para a reserva remunerada como tenente-coronel do Exército, onde servia como oficial especialista em área estrangeira, especializando-se em assuntos soviéticos/russos. Desempenhou, entre outras, as funções de diretor de estudos soviéticos no Instituto de Estudos Russos do Exército dos EUA, em Garmisch, Alemanha; inspetor de operações táticas soviéticas sob os auspícios da Conferência sobre a Segurança e Cooperação na Europa; S-2 de brigada e comandante de companhia na 82a Divisão Aeroterrestre. Já conduziu extensa pesquisa sobre manutenção da paz, guerra de informação e assuntos político-militares, tendo publicado uma série de trabalhos nessas áreas. O Sr. Thomas é editor-assistente da revista European Security, professor-adjunto do Instituto Eurasiano do Exército e membro da Academia Russa de Informação Internacional e da Academia de Ciências Naturais.

As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade do Ar ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.


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