Resenhas Críticas


Sea Harrier over the Falklands: A Maverick at War by Comdr Nigel D. Ward, Royal Navy. Naval Institute Press, 118 Maryland Avenue, Annapolis, Maryland 21402-5035, 1992, 299 pages, US$25.95.

Nigel D. (“Sharkey”) Ward comandou o 801º Esquadrão Aeronaval a bordo do HMS Invincible durante a Guerra das Malvinas. Foi, além disso, o assessor mais graduado de Sea Harrier (SHAR) junto ao estado-maior de comando para fins de tática, orientação e desenvolvimento da guerra aérea, à medida que esta se desenrolava. Realizando mais de 60 missões e derrubando três aeronaves em combate aéreo, foi condecorado com a Cruz de Destacados Serviços por bravura. É uma novela da melhor qulidade, que registra em detalhes nítidos a jornada no Atlântico Sul e como um Reino Unido (UK), em inferioridade numérica, enfrentou os adversários argentinos. Informalmente entremeado com combates ar-ar e com a vida de um esquadrão em pé de guerra, é também o relato da rivalidade interforças, da interferência burocrática e das atitudes de alguns comandantes que bem poderiam ter perdido a guerra através de sua falta de compreensão do emprego apropriado do poder aéreo.

Fica-se desde logo com a impressão de que Sharkey é mesmo uma pessoa independente, como diz o subtítulo. Ele escreve no prólogo que “Estou prestes a relatar os fatos tal como os vi. Minha história não desvenda segredos de Estado, mas mostra efetivamente a verdade de uma maneira que, até hoje, nunca foi publicada.” Essa atitude prevalece ao longo de todo o livro e torna-se óbvio que o Capitão-de-Fragata Ward tem pouco afeto por seus companheiros de farda que usam o ”azul claro" da Royal Air Force (RAF), bem como por aqueles que considera aquém da competência. “Lamentavelmente”, escreve ele, “ser de posto superior nem sempre significa necessariamente ser superior em experiência profissional, lógica ou bom senso”.

Este livro é o relato pessoal de Sharkey Ward sobre suas experiências imediatamente antes e no transcurso da Guerra das Malvinas entremeado com reminiscências de suas atividades em defesa da inclusão do SHAR na organização da Marinha Real. Ele usa a narrativa em primeira pessoa, partilhando com o leitor, de modo eficaz, como é ser piloto de caça num mundo moderno e partir para a guerra pela primeira e talvez última vez na vida. Há muito pouca análise abrangente dos eventos históricos e as exceções aparecem quando os fatos impactam o autor do livro ou o seu esquadrão.

O livro se divide em três seções importantes. A primeira é o fundo histórico que reconstitui a inclusão do SHAR na Marinha Real, inclusive as observações do autor sobre a relutância da instituição em aceitar a nova aeronave. A segunda conta o deslocamento da força-tarefa para o Atlântico Sul e a guerra. A última seção, titulada “A Confrontação”, é o cerne real do livro. Começando com o primeiro contacto da força-tarefa com as forças argentinas, sob a forma de uma aeronave de reconhecimento, logo se transforma em ação nos céus das Malvinas.

De particular interesse na primeira seção é a descrição que o autor faz da entrada do SHAR na Royal Navy. Aqui, fala com a autoridade de quem esteve pessoalmente envolvido. Foi chefe da Unidade de Treinamento Intensivo de Vôo de Sea Harrier, de 1979 a 1981, oficial de estado-maior do Sea Harrier no Ministério da Defesa, responsável pelo desenvolvimento final do SHAR e sua inclusão na Royal Navy e comandante do 899º Esquadrão do Comando de Sea Harrier incumbido da avaliação, desenvolvimento de tática e treinamento das equipagens. Também descreve a decisão da Royal Navy de abrir mão dos navios-aeródromos por culpa direta da RAF e chega a ponto de acusar a “força armada caçula” de exagerar suas capacitações com o poder aéreo baseado em terra, simplesmente para conseguir uma fatia maior dos recursos minguantes da defesa. Embora possa ter sido inverídica, essa acusação merece reflexão na medida em que as forças armadas dos EUA se defrontam hoje com a maior redução dos gastos com a defesa desde o término da 2ª Guerra Mundial.

Na 2ª parte, a história do deslocamento para o sul é entremeada com as memórias do autor sobre as provações e atribulações do SHAR. Ele compartilha pensamentos sobre tática, doutrina, a falta de capacidade da Royal Navy (aeronaves de alarme antecipado), a ameaça colocada pela força aérea argentina, a falta de inteligência, as reuniões de planejamento do comando, os vôos noturnos, o programa de testes dos armamentos que se achavam em andamento a bordo do Invincible até mesmo quando partiam para a guerra, e as dificuldades iniciais com o estado-maior do comando embarcado no HMS Hermes — um prenúncio dos problemas que estavam por vir.

Quando se termina a terceira seção — se os problemas que Sharkey Ward relata não são exagerados —, fica-se surpreso que as forças britânicas tenham vencido a guerra. Os eventos fluem com facilidade, como acontece com boas histórias de guerra, e contam-se todos os erros, sem nada esconder. Ele não tenta impressionar com feitos ousados mas, de qualquer maneira, as façanhas dos 11 pilotos do 801º Esquadrão impressionam. A importância maior desta seção do livro é a demostração clara da necessidade de um homem do ar no controle do componente aéreo. Ward comandou o seu esquadrão com pouca interferência do estado-maior do Invincible, enquanto o estado-maior do comando do quartel-general, a bordo do Hermes, não permitiu aos oficiais de seu esquadrão embarcado planejar sequer suas surtidas, muito menos a tática. “Ficamos sabendo o que fazer pelo estado-maior”, relata o oficial de operações a Ward. O Capitão-de-Fragata Ward está convencido de que o estado-maior a bordo do Hermes é o responsável pela perda do HMS Coventry e do SS Atlantic Conveyor, devido à pouca compreensão e atribuição de missões ao SHAR e à sua indisposição em confiar em sua capacidade e na de seus pilotos. Censura a RAF pelo fracasso dos ataques conduzidos pelos bombardeiros Vulcan ao aeródromo de Port Stanley. Ward convincentemente sustenta que o combustível utilizado naqueles ataques foi desperdiçado, combustível que a RAF usou para lançar um total de 60 bombas na direção do aeródromo, quando os SHARs poderiam ter usado esse combustível para realizar 260 missões e lançar 1.300 bombas contra seus alvos. Fica-se com a impressão de que, sem os esforços do 801º Esquadrão, mais navios teriam sido perdidos e as Falklands seriam hoje conhecidas somente como Ilhas Malvinas.

Este é um livro excelente, um valioso acréscimo à literatura do poder aéreo, que mostra convincentemente por que os homens do ar devem controlar o componente aéreo e seus conselhos ser ouvidos. Se você, leitor, for interessado na Guerra das Malvinas, em poder aéreo, ou em combate aéreo, com toda certeza não pode perder este livro.

Major M. J. Petersen, USAF
Maxwell AFB, Alabama


Summons of the Trumpet: U.S.-Vietnam in Perspective, de Dave R. Palmer. Presidio Press, 505B San Marin Drive, Suite 300, Novato, California 94945-1340, 1978, 273 páginas, US$14.95.

Se você for ler apenas um livro sobre a Guerra do Vietnã, leia o volume Summons of the Trumpet, do Tenente-General Dave R. Palmer. O General Palmer acredita que devemos entender o primeiro Vietnã, se nos cabe impedir quaisquer Vietnãs no futuro. Ele contribui significativamente para o entendimento desta guerra, fornecendo uma informação ampla, em termos de situação prévia e de história a respeito do envolvimento dos EUA no Sudeste da Ásia. Palmer explica por que fomos ao Vietnã, oferece uma narrativa do que alcançamos durante nossa estadia por lá e detalhes sobre por que de lá partimos. Mais importante que isso, o autor ilustra como uma política nacional se torna estratégia militar. Ele também ilustra sua opinião de que a política nacional e a estratégia militar devem ser fatores das considerações táticas, ou terminarão arruinando-se pela incorporação de batalhas ou campanhas, que constituíram os tipos de luta mais comuns durante as diferentes fases da guerra.

Palmer é um historiador altamente qualificado, tendo lecionado história em West Point e servido no Vietnã como assessor tanto da Academia Militar Vietnamita quanto das unidades blindadas vietnamitas. A validade de sua pesquisa e de sua análise cresce com o passar do tempo — testemunho de sua capacidade como pesquisador. As conquistas desse autor são ainda mais impressionantes, considerando-se o fato de que ele escreveu seu livro tão pouco tempo após o final da guerra. Além disso, seu estilo é muito claro, eficiente e, o mais importante, legível e de interesse absorvente. Uma das poucas reclamações que tenho a fazer de seu trabalho refere-se à falta de documentação — não há notas ou lista de entrevistados. Mas este é, no máximo, um inconveniente menor.

Recomendo o livro Summons of the Trumpet para qualquer um que queira aprender mais sobre o Vietnã. É simplesmente o melhor livro sobre nosso envolvimento com aquele país.

Capitão Roger F. Cavazos, USA
Fort Benning, Georgia


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