Document created: 01 Agosto 1997
ASPJ  Em Português 3° Trimestre 1997

Programa de Leitura Profissional

do CSAF [ChEM, FAe/EUA]

GENERAL RONALD R. FOGLEMAN
CHEFE DO ESTADO-MAIOR, USAF

NO ÚLTIMO VERÃO, a meu pedido, o Air Force History Support Office (AFHSO) começou a desenvolver um programa de leitura profissional para oficiais, subalternos e civis da Força Aérea. O objetivo era ampliar o conhecimento do poder aéreo e espacial e examinar como ele deveria ser empregado em operações independentes, combinadas e de coalizão. Por quê? Porque é vitalmente importante que o nosso pessoal entenda, na totalidade, aquilo para que servimos como a força completa da nação no ar e no espaço, se temos que fornecer aos Estados Unidos as capacidades que serão necessárias para enfrentar os desafios de segurança do século XXI.

Na era pós-guerra-fria de crises regionais que crescem rapidamente e que pedem uma resposta pronta e cobradora de responsabilidades, as características singulares do poder aéreo e espacial —velocidade, alcance, flexibilidade, precisão e perspectiva global — dão à nossa força aérea e espacial acesso sem paralelo a 100% da população da terra, a todos os centros governamentais e a qualquer ponto na face da terra em que haja uma perturbação. Nossa capacidade já demonstrada de capitalizar esse “engajamento global” para alcançar os objetivos dos Estados Unidos resultou em que os líderes nacionais e os comandantes de teatro de operação se voltem para a Força Aérea como o primeiro armamento de escolha quando se desenvolve uma crise ou uma contingência.

O programa de leitura profissional do Chefe do Estado-Maior da USAF complementa iniciativas que apareceram em conseqüência do nosso esforço de planejamento de longo prazo para favorecer o crescimento de uma cultura unificadora do ar e do espaço em nossa força. Juntos, eles vão ajudar a produzir membros inteligentes da Força que possam empregar mais efetivamente forças aéreas e espaciais em operações independentes, combinadas ou de coalizão. Quando esse pessoal operacional da Força Aérea servir em operações combinadas, serão capazes de assessorar seus superiores no Estado-Maior Conjunto, nos comandos combinados, no Departamento de Defesa e em outras OM a respeito de como empregar melhor o poder aéreo e espacial para alcançar os objetivos de segurança dos Estados Unidos. Finalmente, nossas iniciativas ajudarão a preparar os atuais e futuros chefes da Força Aérea para tratar efetivamente os desafios que certamente vão enfrentar num mundo pós Guerra Fria de orçamentos de defesa austeros, diversas ameaças regionais e ininterruptos andamentos de intensas operações para nossas unidades.

Com tudo isso em mente, pedi ao AFHSO que me ajudasse a desenvolver um programa de leitura profissional apropriado para o nosso pessoal. Decidimos dividir o programa em três partes —oficiais, subalternos e civis — para torná-lo mais administrável. E concordamos em concentrarmo-nos inicialmente na parte dos oficiais, já que seria, provavelmente, a mais difícil de fazer executar.

Depois de diversos meses de preparação e trabalho de estado-maior, implementamos a parte dos oficiais do nosso programa de leitura profissional. O AFHSO está trabalhando, atualmente, com o chief master sargeant of the Air Force [o mais graduado suboficial da Força Aérea dos EUA] para desenvolver um programa comparável para o pessoal subalterno. Uma vez que a parte do pessoal subalterno esteja em andamento trabalharemos na parte relativa aos civis.

A parte relativa aos profissionais do programa de leitura profissional do ChEM se fundamenta numa lista de leituras profissionais de amplo alcance baseado em sugestões da Air University, da Air Force Academy, do AFHSO, de historiadores individuais e de outras agências interessadas. A lista inclui trabalhos a respeito de história da estratégia e da guerra, doutrina aérea e espacial, operações aeronáuticas e experiências pessoais de líderes precursores da aviação. No final, esta é a minha lista pessoal.

Pedi que fosse dividida em três níveis, o que a correlaciona com os estados progressivos do aperfeiçoamento profissional de um oficial. Assim, ela inclui uma lista básica para capitães, uma lista intermediária para majores e tenentes-coronéis e uma lista adiantada para coronéis e oficiais-generais. Cada lista também inclui o Airpower Journal como a publicação profissional mais importante da Força Aérea.

Se forem combinadas, essas sublistas constituem uma lista básica que todos os oficiais da Força Aérea deveriam ler como parte de seu programa de aperfeiçoamento pessoal. Os livros que escolhermos foram relacionados por serem interessantes, informativos e provocadores de reflexão. Contudo, a seleção de livros individuais não reflete nenhum endosso da Força Aérea a autores específicos, a seus pontos de vista ou a suas ações. Na verdade, algumas das seleções podem oferecer a base para estudos de caso planejados para ensinar os desafios do comando e os diferentes modos pelos quais as pessoas podem se desempenhar.

Muitos outros bons livros estão aí — alguns ainda sendo escritos — em áreas cobertas pela lista de leitura dos oficiais: liderança, história do poder aéreo e espacial, estratégia militar, doutrina da Força Aérea, operações combinadas e de coalizão e combate no século XX. Assim, de tempos em tempos, lançaremos listas suplementares de leitura em tópicos específicos para ajudar as pessoas que querem ler mais numa área particular de interesse.

Um aspecto singular do programa de leitura profissional do ChEM da FAe/EUA para os oficiais é que a Força Aérea está adquirindo todos os livros da lista básica para novos capitães. Esta iniciativa representa o reconhecimento institucional da importância de o oficial ser selecionado para a promoção a capitão. A partir de 1º de março, os capitães recentemente promovidos estão recebendo todos os livros da lista básica, grátis, num pacote que inclui cartas do Chefe do Estado-Maior da USAF e do Comandante da Air University (AU). Estas enfatizam os benefícios pessoais e profissionais de lançar-se no programa de leitura profissional. A carta do Comandante da AU também encoraja os nossos novos capitães a ler seleções da lista para ajudá-los a se preparar para a Squadron Officer School (SOS). Em seguida, enquanto freqüentam a SOS, terão oportunidade de discutir e utilizar seleções da lista.

Esse aspecto do programa de leitura profissional do ChEM da FAe/EUA apóia o atual padrão de desenvolvimento de carreira que encoraja nossos jovens oficiais a concentrarem-se em suas especialidades funcionais durante os primeiros anos do serviço ativo. Uma vez que eles chegam a capitão, porém, devem começar a ampliar sua compreensão da profissão. Encorajaremos nossos jovens oficiais a iniciarem um programa de leitura ao longo de toda carreira, dando-lhes a lista básica de livros que não apenas ajudarão a educá-los, mas, também, tomarão conta de sua imaginação e os interessarão em leituras profissionais. Por outro lado, prevemos que os oficiais intermediários e superiores comprem os livros das suas respectivas listas, como parte de um programa de leitura profissional e pessoal.

Todos os livros da lista de leitura profissional para oficiais existem no mercado e estão sendo tornados disponíveis, nesta primavera, para compra, nos estabelecimentos comerciais do AAFES [Army and Air Force Exchange Service], e para exame, nas bibliotecas das bases aéreas. Essas instalações também ajudarão a promover o programa de leitura profissional do ChEM da FAe/EUA em nossas bases. Um esforço profissional intensivo e recorrente chamará atenção dos nossos oficiais para o programa de leituras em releases do Air Force News Service, em artigos no Air Force Times, na revista Airman e na revista Air Force Magazine e em reportagens no Air Force TV News. O Airpower Journal, também, publicará ensaios bibliográficos a respeito das listas básica, intermediária e adiantada, nos futuros números, começando com a edição de verão.

A fim de garantir que colheremos plenos benefícios desse programa de leitura profissional, pedi a todos os comandantes e supervisores que façam com que a lista de leitura de dos oficiais se torne uma parte integral do seu programa de aperfeiçoamento profissional e de orientação. Isso ajudará a estabelecer a importância da leitura profissional, a fazer com que nosso pessoal se habitue com livros e a fornecer um material útil para discussões em grupo, bem como a encorajar a preparação individual para a educação profissional militar presencial.

Os comandantes e os supervisores têm a responsabilidade intrínseca de promover o aperfeiçoamento profissional dos subordinados. Estou convencido de que o programa de leitura profissional do ChEM da FAe/EUA servirá como instrumento útil no desempenho de nossa responsabilidade de importância vital. Por fim, é crucial para o futuro da Força Aérea que preparemos nossos oficiais para serem membros da carreira das armas, em particular para serem defensores e chefes do poder aéreo e espacial. Assim fazendo, ajudaremos a garantir que nossa Força continue a ser a força aérea e espacial mais respeitada do mundo no século XXI — um período que certamente ficará na história como a era do poder aéreo e espacial.


Colaborador

General Ronald R. Fogleman

O General Ronald R. Fogleman (Academia da USAF; Mestrado em Artes, Duke University) é Chefe do Estado-Maior da Força Aérea dos EUA. Possuindo mais de 6.300 horas de vôo, o Gen Fogleman comandou uma ala e uma divisão da Força Aérea, foi diretor de programas e avaliação da Força Aérea no Estado-Maior da USAF e foi comandante da Sétima Força Aérea, Forças Aéreas no Pacífico, acumulando com os cargos de subcomandante das Forças dos EUA na Coréia e de comandante das Forças Aéreas de TO norte-americana e coreana subordinadas ao Comando de Forças Interaliadas. Antes de assumir o cargo de Chefe do Estado-Maior da USAF, foi comandante-em-chefe do Comando de Transporte dos EUA e comandante do Comando de Mobilidade Aérea da Força Aérea. O Gen Fogleman cursou o Army War College.

As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade do Ar ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.


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