Document created: 01 Agosto 1997
ASPJ  Em Português 3° Trimestre 1997

REUNIÃO MELANCÓLICA:

Um Relatório Vindo do Futuro a Respeito do Colapso das Relações Civis-Militares nos Estados Unidos

CORONEL CHARLES J. DUNLAP, JR., USAF

INICIALMENTE, GOSTARIA de agradecer às autoridades que me permitiram dirigir-me a essa 20a reunião das turmas de 1997 da Air University. Como vocês possivelmente sabem, o Military Control Act do ano passado torna as reuniões de oficiais, mesmo os da reserva, ilegais, se forem feitas sem permissão especial. Desde o contragolpe de 2015, os civis querem nos manter sob cerrada vigilância.

Falando francamente, eu não os censuro. Após perdemos a Guerra de Alta Tecnologia de 2007 e a Segunda Guerra do Golfo, apenas três anos depois,1 os idealizadores do golpe, de um modo muito arguto, lançaram as fundações de seu movimento de tomada de poder censurando os civis “incompetentes” como culpados dessas derrotas sangrentas. Quando o General Brutus ocupou a Casa Branca, depois da misteriosa morte do presidente em 2012, primeiro o povo ficou satisfeito com a mudança. Entretanto, bastou que se passasse um par de anos de regime militar para que todos compreendessem o quanto haviam estado errados. See Graphic.

Muitos de vocês talvez conheçam “The Origins of the American Military Coup of 2012”, um ensaio do Prisioneiro.2 A carta do Prisioneiro para um colega de turma na Air War College lembrava as relações civis-militares nos Estados Unidos como eram em 1992.3 Descrevia, também, a evolução que transformou as forças armadas numa organização altamente politizada que, ironicamente, não era capaz de combater.

Hoje, gostaria de focalizar as relações civis-militares nos Estados Unidos como ficaram mais tarde — no horizonte temporal de 1996-1997. Com a vantagem da visão de 20/20 — não, vamos fazer isso como 2012 —, gostaria de lhes falar sobre as lições aprendidas do golpe. Todas essas lições são baseadas nas circunstâncias que existiram há 20 anos, quando vocês estavam sentados nesse mesmo auditório prontos para começar seus estudos. Em que espécie de questões a respeito do papel dos militares na sociedade americana deveriam ter pensado nessa ocasião?

O Ambiente Civil-Militar no
Final da Década de 1990

Antes de mais nada, o fato de que ninguém estivesse planejando um golpe em 1996 não justificava a complacência estimulada por tantos analistas naquela época.4 Eles concluíam, de um modo simplístico, que a aceitação do encolhimento do orçamento de defesa pelos militares e da imposição de políticas sociais às forças armadas “provava” que o controle civil estava a salvo.5

Em vez disso, eles deveriam ter examinado as implicações singulares de forças armadas muito grandes em tempo de paz, durante o final da década de 1990. Historicamente, os Estados Unidos organizaram forças grandes para combater em guerras específicas e desmobilizaram rapidamente essas forças ao final do conflito.6 Depois da Segunda Guerra Mundial, as exigências da Guerra Fria exigiam a manutenção de uma ponderável estrutura de defesa em tempo de paz,7 que, provavelmente, deu origem às forças armadas altamente politizadas.8 Contudo, a politização dos militares não representou a ameaça perniciosa que passou a representar no século XXI porque a ameaça pendente de uma União Soviética com armamento nuclear absorveu tanto da energia dos militares durante a Guerra Fria.9

Quando a União Soviética se esboroou, desapareceu a principal razão de ser das forças armadas americanas por mais de 40 anos.10 Embora o mundo permanecesse, nitidamente, um lugar violento e perigoso, a ausência de uma superpotência adversária perturbou a harmonia de uma estrutura de defesa que ainda possuía recursos e vigor intelectual gigantescos.

As forças armadas também mudaram de um modo sem precedentes: elas, agora, se compunham de pessoas que queriam continuar militares, em vez de convocados que queriam sair na primeira oportunidade. Não apenas eram forças armadas compostas totalmente por voluntários, sem a diluição do recrutamento, de efeito liberalizante, mas, também, eram os descendentes das forças traumatizadas que perderam a Guerra do Vietnã. É verdade que as forças armadas dos Estados Unidos reconstruíram-se brilhantemente e triunfaram de maneira magnífica na Primeira Guerra do Golfo.11 Mas não há dúvida de que o ciclo de fracasso e redenção afetou profundamente o modo pelo qual o pessoal fardado via o exterior.

O Vietnã e a Politização
das Forças Armadas

É difícil exagerar a influência que a Guerra do Vietnã teve nas relações civis-militares durante a última década do século XX. A duplicidade de Robert McNamara, revelada em suas memórias de 1995,12 reacendeu as crenças profundamente arraigadas de que muito da culpa da derrota dos Estados Unidos no Vietnã devesse ser atribuída a civis incapazes e embusteiros. Portanto, oficiais, em todos os níveis, acreditaram que era necessário tornarem-se muito mais afirmativos no processo político do que jamais havia acontecido, a fim de evitar “outro Vietnã”.13 De acordo com isso, nossas escolas de comando e estado-maior deram ênfase crescente à política nacional, à economia e relações internacionais.14 De particular interesse, foi a ênfase que elas deram à teoria clausewitziana.15

Embora o historiador John Keegan discorde,16 a afirmativa de Clausewitz de que a guerra é a continuação da política por outros meios ainda ressoava no pensamento militar dos Estados Unidos.17 Tomada fora de contexto, a afirmativa de Clausewitz se tornava uma outra razão para que os oficiais se intrometam no processo político.18 Afinal, se a guerra está tão intimamente conexa com a política, os oficiais não deveriam envolver-se nesta? Não foi essa a lição do Vietnã? O adágio de Georges Clemenceau foi invertido: para os generais, a guerra e as decisões políticas que a envolvem eram demasiadamente sérias para ser deixadas aos políticos.19

Em conseqüência, os militares colocaram centenas de oficiais de nível intermediário nos escritórios do Congresso para estudar técnicas políticas.20 Como deveríamos esperar, eles se tornaram inevitavelmente enredados em atividades partidárias, e disso se tem registro desde 1996.21 Em outro movimento em direção à politização, o Congresso transformou o processo de promoção em um jogo de futebol político. Em 1996, por exemplo, o Senado atrasou a confirmação das promoções de milhares de oficiais para arrancar a cooperação do Departamento de Defesa com um plano de reorganização da comunidade de inteligência.22 Como seria previsível, essa espécie de atitude encorajou oficiais da ativa a se tornarem partidários em batalhas políticas.

A politização ocorreu de outros modos também. Por exemplo, foi amplamente relatado que os protestos de militantes dos direitos dos homossexuais puseram a pique a indicação do Gen Joseph Hoar para presidente da Junta de Chefes de Estado-Maior (CJCS).23 Que pecado foi alegado contra ele? Como comandante do Marine Corps Depot em Parris Island, levou a efeito a política da exclusão de homossexuais instituída não por oficiais mas pela liderança civil. Essa ação enviou uma mensagem que a nação, mais tarde, lamentaria: os oficiais devem contornar ou ignorar as diretrizes dos seus superiores civis se imaginarem que um curso diferente de ação poderia ser politicamente útil no futuro. Como observou o Cel Harry Summers, a respeito dos protestos no tempo do Vietnã, tomar como alvo os militares — os executores e não os autores da política — politiza as forças armadas e, desse modo, enfraquece o controle civil.24

Os militantes dos direitos dos homossexuais facilitaram ingenuamente o golpe ao solapar o Reserve Officer Training Corps (ROTC). Por muitas décadas, o ROTC havia sido uma fonte importante de pensamento progressista nas forças armadas. Infelizmente, os mentores de protestos foram bem-sucedidos em expulsá-lo de muitas universidades de primeira linha — freqüentemente aquelas mesmo de que se precisava para preservar o equilíbrio de pontos de vista tão necessário aos militares profissionais numa sociedade livre. Por volta do meio da década de 1990, muitos oficiais exprimiam, em particular, sua satisfação em que houvesse muito menos oficiais oriundos das universidades mais liberais para desafiar sua filosofia crescentemente à direita.25

Além disso, surgiu um novo conjunto de qualificações para promoção. A habilidade para a luta política e não para a luta tradicional na guerra, tornou-se o sinal distintivo dos oficiais promissores. Não há dúvidas de que no longínquo ano de 1993, o Alte William Crowe, ex-CJCS, declarou que poucos oficiais alcançavam os postos de maior antiguidade “sem um domínio firme de relações internacionais, política do Congresso e negócios públicos”.26 Finalmente, nossos chefes tornaram-se políticos habilidosos, mas, como vimos na Segunda Guerra do Golfo, combatentes sofríveis.

Missões Não-Tradicionais e
Relações Civis-Militares

Outra fonte principal de politização foi o crescimento explosivo das missões não-tradicionais na década de 1990. Essas missões tinham um espectro que ia do combate às drogas, auxílio durante catástrofes e programas para juventude, no país, a missões de construção nacional, humanitárias e de manutenção da paz, no exterior.

O Prisioneiro criticou esse desvio para missões não-tradicionais na sua carta. O que mudou, de 1992 a 1996, porém, foi a institucionalização dessas missões. Lançando mão de siglas atraentes como MOOTW (Operações Militares de Não-Guerra),27 surgiu, nas fileiras militares, um eleitorado poderoso. Não se deixem enganar a respeito disso: foi uma mudança básica de orientação. O Gen John Shalikashvili, ex-CJCS, admitiu que “embora, historicamente, nos tenhamos concentrado em combate na guerra, nossa profissão militar está, crescentemente, mudando para concentrar-se em um complexo de operações militares de não-guerra” (grifei).28

Perdeu-se de vista o fato de que oficiais que se dedicam a atividades diferentes da guerra tornam-se, afinal, algo diferente de guerreiros. Uma percentagem crescente do corpo de oficiais submetido ao encolhimento “tornou-se maior” concentrando-se não nas artes militares, mas em empreendimentos decididamente não-militares. Tudo isso se revelaria desastroso. Aprendemos à própria custa que atribuir ao pessoal militar missões como combate às drogas no país os enreda, inevitavelmente, em elaboração de políticas, uma tarefa de natureza política que seria melhor deixar às autoridades civis. Poderíamos ter percebido que isso estava acontecendo em 1996? Lembrem-se que, naquela época, um general de 4 estrelas do Exército — junto com uma equipe de oficiais da ativa — passou para a reserva para ajudar a elaborar a política de combate às drogas no país.

Do mesmo modo que a desilusão com relação à incapacidade do sistema de imposição da lei de deter o fluxo das drogas levou ao envolvimento de militares nos esforços para contrapor-se a esse fluxo, assim uma série de ataques terroristas resultou num papel similar no combate ao terrorismo apenas alguns anos mais tarde. A frustração do público e o temor levou ao Supression of Terrorism Act, de 1998.29 Essa lei deu às forças armadas poderes significativos na segurança interna,30 alguma coisa para a qual o obscuro Special Operations Command se havia preparado durante anos.31

Como bem sabemos, agora, a tendência para as missões não-tradicionais acabou por solapar o controle civil sobre as forças armadas. No seu livro clássico The Soldier and the State, Samuel Huntington argumenta a favor do controle civil “objetivo”.32 Sustento que essa condição se realiza melhor quando as forças armadas se dedicam a profissionalizarem-se mediante verdadeiras atividades militares. Os apologistas do desvio para missões não-tradicionais falam com entusiasmo — inocentemente, em minha opinião — a respeito do “treinamento” que essas missões deveriam fornecer, como se servir de motoristas a atletas olímpicos por um par de meses fosse equivalente a visitar o National Training Center ou a Nellis Air Force Base.33 Ainda mais significativo é que o envolvimento nessas atividades criou, de maneira perversa, uma geração de militares muito mais sintonizados com e interessados por quase qualquer coisa que não fosse o sujo, mas necessário, negócio da guerra.34 Pagamos um preço terrível por isto nos conflitos do século XXI.

Pode-se fazer remontar a origem dessa estranha falta de inclinação pelo combate na guerra à forma peculiar de síndrome pós-Vietnã dos militares. Na firme determinação de evitar outro aperto, a estrutura de defesa abraçou um conjunto de pré-requisitos para o uso das forças armadas. Os chefes militares interpretaram esses padrões inconsistentes conhecidos como “regras de [Caspar] Weinberger” 35 para — como diz um comentarista — “subverter o controle civil”, exercitando, efetivamente, um “veto” a virtualmente qualquer operação que quisessem evitar.36 A despeito de estudos que dizem o contrário,37 as forças armadas dos Estados Unidos tornaram-se prisioneiras da idéia de que o apoio público para o uso da força armada se desfaz inevitavelmente (à maneira do Vietnã e, mais tarde, da Somália), mesmo quando o número de baixas é relativamente pequeno.38

Não obstante, o Gen Colin Powell, ex-CJCS, originou uma importante controvérsia em relação à politização dos militares quando foi bem-sucedido ao usar as regras de Weinberger para opor-se à intervenção no começo da Guerra dos Bálcãs. Embora criticado de um modo geral por ultrapassar o papel apropriado de um oficial em serviço,39 Powell estabeleceu um precedente para uma audaciosa atitude afirmativa no processo político. É claro que os oficiais, conscientes do horror e da destrutividade da guerra, devem tratar de operações de combate cautelosamente, ainda que uma prescrição fundamental da profissão militar exija, como disse o Gen Shalikashvili, em 1996, “dedicação extraordinária e sacrifício sob as condições mais adversas” (grifei).40

Entretanto, o general estava apelando para um ethos que sofria ataques de diversos lados. Especialmente insidioso, era o ataque de uma nova ideologia conhecida como Gerenciamento por Qualidade Total (TQM).41 Ninguém, naquela época, objetava, verdadeiramente, a que se ensinasse melhor habilidades gerenciais. Mas o TQM e, mais exatamente, a degeneração de seus aspectos benéficos, tornou-se muito mais do que isso. Com fanática excitação, seus devotos tentaram reduzir a medidas a natureza, em última análise, não-quantificável, da preparação para o combate e para a guerra. De algum modo, o desempenho das funções militares foi igualado a um “produto”.

O efeito do TQM para a autoconcepção dos militares foi pernicioso dessa maneira. As tradicionais relações superior-subordinado e entre camaradas de armas foram substituídas pelas associações cliente-fornecedor, que estavam em moda. Essa mudança solapou, afinal, a disciplina, à medida que o pessoal militar começou a acreditar que “tinha a capacidade” de ignorar ordens que não lhes serviam.42 Além disso, a obsessão pelo TQM com as auto-avaliações das unidades estimulou os comandantes a concentrarem-se excessivamente na “satisfação” do subordinado-consumidor e nas questões da chamada qualidade de vida. É interessante notar que um especialista culpou o excesso de ênfase nas questões de qualidade de vida pelo fracasso de tomar medidas de segurança apropriadas, mas impopulares, antes da bomba colocada nas Khobar Towers, em 1996.43 Um grande número de oficiais reconhecia, na década de 1990, que o TQM era uma loucura, mas poucos estavam dispostos a enfrentar seus poderosos seguidores.

O TQM foi apenas um outro reflexo da perniciosa comercialização da profissão das armas. Uma vocação altruísta tornara-se rapidamente um emprego marcado pelo oportunismo egoísta. Como escreveu William Pfaff, em janeiro de 1996, “Hoje em dia você não entra para o Exército ou para a Marinha dos Estados Unidos para ser um guerreiro. Você o faz para aprender um negócio, ou ganhar dinheiro para cursar a universidade, ou para ter uma boa aposentadoria depois de 20 ou 30 anos. A guerra — mesmo um desdobramento como o da Bósnia — perturba isso. Os soldados não gostam.”44

Quando os novos “executivos” militares analisavam propostas para desdobramentos arriscados, manifestavam, rapidamente, sua desaprovação. É claro que o combate seria excessivamente custoso em termos de “fregueses” e “produtos”. Não tinha sentido, simplesmente; qualquer MBA [Mestre em Administração de Empresas] o perceberia.

Edward Luttwak argumentava, em 1996, que, em virtude da relutância dos militares em arriscarem baixas, a nação precisava redirecionar os gastos de defesa para um sistema de armas não-tripuladas.45 Argumentos semelhantes levaram diretamente ao cancelamento do caça F-22 da Força Aérea, em 1998. Já que a premissa do “homem no circuito” se rompera, a base racional de uma força aérea separada desapareceu. Assim, Força Aérea tornou-se a primeira força militar a ser descaracterizada e combinada na Unified Armed Forces, em 2007.

Mesmo no século XXI, porém, as circunstâncias às vezes exigiam colocar pessoas em perigo.46 Afinal a aversão do Pentágono ao combate levou à forma definitiva de contratação externa: as operações perigosas e impopulares foram contratadas com a recente Violence Applications International Corporation (VAIC).47 Durante anos, a VAIC e sua coudelaria de reservistas fez o trabalho sujo dos militares, permitindo, desse modo, que as forças armadas tivessem oportunidade de aprofundar seu envolvimento em atividades mais populares, no país, e nos empreendimentos da moda, no exterior. Quando, porém, explodiu a Segunda Guerra do Golfo, em 2010 e o Décimo Corpo Blindado iraniano começou a esmagar tudo em seu caminho, o VAIC faltou a seu contrato à medida que seus empregados iam embora. Ao que parece, a lealdade às companhias tem seus limites.

O Surgimento do Militarismo
Pós-Moderno

Ao mesmo tempo em que isso acontecia, a politização das forças armadas no período posterior à Guerra Fria estava em ascensão, enquanto a percepção e a resistência do público à influência militar declinavam radicalmente. Tradicionalmente, o povo americano tinha sido cauteloso com os militares profissionais. Por exemplo, os Fundadores da Nação tinham bastante consciência de que eles poderiam ser uma fonte de tirania.48 Abstendo-se de ter exércitos permanentes, construíram uma constituição que contemplava a defesa nacional como valendo-se, principalmente, de milícias de cidadãos-soldados.49

Um antimilitarismo benevolente tornou-se uma virtude americana tradicional.50 Quando os conflitos convocavam milhões à farda e o recrutamento nos tempos de paz deu a outros milhões uma primeira experiência com a vida nas forças armadas, o povo americano tinha poucas ilusões a respeito dos militares. Com o final do serviço militar obrigatório, contudo, as lembranças dos aspectos menos atrativos do serviço militar foram-se apagando nostalgicamente.

As jovens elites civis que assumiram o poder na década de 1990 eram completamente desprovidas de conhecimento relativo a qualquer compreensão genuína dos imperativos poderosos intrínsecos às forças armadas. Além disso, essas elites não eram antimilitares, a despeito do que acreditassem muitos, no meio fardado, à época.51 É claro que poucos deles consideravam os militares seus iguais, social ou intelectualmente. Viam, de preferência, as forças armadas com uma espécie de cordialidade pretensiosa, reservada, geralmente, a servidores fiéis. O que eles certamente apreciavam era a extraordinária competência dos militares, e gostavam da idéia de que as forças armadas poderiam cumprir o que quer que lhes fosse dado como encargo.

Na verdade, tanto as elites quanto o público abraçavam um “militarismos pós-moderno”.52 Lá pelo ano de 1994, um autor descreveu esse fenômeno da seguinte maneira:

O militarismo pós-moderno não se caracteriza por um domínio militar aberto ou, mesmo, por uma aceitação, pela sociedade, de valores marciais. Caracteriza-se, antes, por uma crescente boa vontade de uma sociedade que, cada vez mais é ingênua em relação a assuntos militares, para encarregar o pessoal fardado de responsabilidades que uma democracia deveria deixar para os civis. É um produto da profunda frustração dos Estados Unidos e do desencanto com a incapacidade dos governos eleitos de trabalharem eficazmente ou, até, de trabalharem honestamente. A razão pela qual a taxa de aprovação aos militares excede de longe a de qualquer outra instituição na sociedade americana — inclusive, significativamente, aquelas que devem exercer o controle civil sobre as forças armadas — é muito simples: os militares conseguem fazer as coisas boas.

Políticos aguerridos estão, cada vez mais freqüentemente, voltando-se para os militares em busca de soluções de emergência. Não se pode parar com as drogas? Convoque-se a Marinha. A FEMA [Federal Emergency Management Agency] está sobrecarregada? Desdobre-se a [82a Divisão] Aeroterrestre. O crime escapa ao controle? Ponha-se o pessoal da Guarda [Nacional] nas ruas. Os jovens são problemáticos? Tome-se os Fuzileiros como modelos e use-se treinamento básico. Há a necessidade de cuidados de saúde? Usem-se médicos militares como auxílio. Os diplomatas estão novamente aos tropeços? Eis outra missão misericordiosa da Força Aérea a caminho. O militar, que pode ser um autoritário sem desculpas, pode “fazer o trem andar na hora certa”, mas a que preço?53 (grifei)

Essa pergunta jamais foi respondida. Nunca aconteceu a discussão nacional de que precisávamos na década de 1990. Isto foi uma coisa particularmente infeliz, porque as instituições civis que deveriam controlar as forças armadas se estavam enfraquecendo. O partidarismo do Congresso o fez vulnerável à manipulação por agentes militares dotados de astúcia política, que se tornaram especialistas em jogar as facções do Congresso uma contra as outras. O poder executivo não se desempenhou muito melhor. No começo da administração Clinton, por exemplo, houve numerosos relatos de um desprezo aberto de pessoal militar para com o seu comandante-em-chefe.54 Embora muitos observadores acreditassem que a hostilidade inicial terminou por desaparecer, o clamor que se seguiu a uma tentativa dos advogados do presidente Clinton de adiar um processo caracterizando-o como membro das forças armadas indica que ele continuava vulnerável.55 Além disso, os analistas afirmavam, ainda em 1996, que Clinton, até então, não havia sido capaz de “comandar” o Pentá-gono.56

Em vez disso, os militares se haviam tornado, como afirma um comentador, “o mais poderoso ator individual na política de Washington”.57 A razão disso, em parte, é o fato de que tanto o poder executivo quanto o poder legislativo trabalhavam sob a sombra do Vietnã. Escrevendo em maio de 1996, A. J. Bacevich, da Johns Hopkins University, observava que:

Trinta anos mais tarde, então eleitos para ocupar posições de preeminência, aqueles que escaparam ao serviço militar agora se intimidam e bajulam para demonstrar o quão profunda é sua consideração pelo pessoal fardado.... Os próprios militares ficam felicíssimos em cooperar. A vantagem moral em termos de influência, que se estampa nos “soldados”..., dá ao Pentágono uma influência política gigantesca. Os chefes militares de maior hierarquia não hesitam em explorar essa influência para seus próprios fins.58

Entre os chefes militares, o CJCS é o mais graduado. Por volta da metade de década de 1990, ficou claro, como argumenta a Defense News, que, no que se refere ao presidente da Junta de Chefes de Estado-Maior, sua “crescente influência ameaçava as lideranças civis”.59 Depois que o Goldwater-Nichols Defense Reorganization Act60 aumentou espetacularmente o poder do CJCS, todos os ocupantes dessa função foram acusados de politização. O Alte Crowe descrevia-se como um “animal político” e o Gen Powell era descrito da mesma maneira.61 Além disso, o General Shalikashvili foi acusado de partidarismo quando desafiou os pontos de vista do então candidato republicano à presidência Pat Buchanan e, mais tarde, tornou pública sua oposição ao Defend America Act, pedra angular da campanha presidencial do republicano Robert Dole.62

Foi só em 2005 que o ofício altamente politizado do CJCS converteu-se no todo poderoso Plenipotenciário Militar, mas, na década de 1990, já estávamos deslizando em direção a essa mudança. Embora a lei o proibisse de agir como comandante, o CJCS se envolveu em funções de comando ao ordenar a adesão à doutrina combinada.63 Do mesmo modo, o Estado-Maior Conjunto comportava-se como se fosse o quartel-general de maior hierarquia das forças armadas, embora a lei dos Estados Unidos lhe negasse poder executivo e o proibisse de funcionar como um verdadeiro estado-maior.64 A consolidação dessa gigantesca autoridade se revelaria catastrófica em 2012.

Isso tudo constituiu o primeiro esboço de uma tendência nas forças armadas, de se considerarem acima da lei.65 Consta que a frustração com as “restrições da democracia americana” levou oficiais a violarem a lei durante o caso Irã-Contra.66 Mais tarde, circularam relatos perturbadores a respeito de fuzileiros ignorando as leis que interferiam com o que eles concebiam como sendo sua missão de manutenção da paz no país, durante os tumultos de Los Angeles, em 1992.67 A investigação da queda de um CT-43, em abril de 1996, revelou uma falta de disciplina semelhante. Essa investigação descobriu que comandantes da Força Aérea, de alta hierarquia, estavam ignorando ordens.68

Entretanto, os oficiais tinham pouco a temer do sistema de justiça militar. Por volta de 1996 ele estava destruído.69 É certo que parte da falha vem de advogados jactanciosos que incessantemente o atamancaram até que ele se tornasse um dos mais burocráticos sistemas de justiça criminal do mundo, orientado a favor do réu. Deixaram-nos com um sistema incapaz de manusear as espécies de casos complexos e de grande notoriedade que podem afetar as relações civis-militares. Considere-se, por exemplo, que a despeito de literalmente centenas de testemunhas, o escândalo de Tail-hook, de 1991, não resultou em uma condenação sequer. Do mesmo modo, os tribunais militares não encontraram culpado para a derrubada, em abril de 1994, de dois helicópteros do Exército dos Estados Unidos ao norte do Iraque que custaram 26 vidas e foram atingidos por “fogo amigo”.

O pior de tudo foi a maneira como foi tratado o caso de um major-general da força aérea que, em 1993, denunciou publicamente o Presidente Clinton como “um maconheiro mulherengo que fugiu à convocação militar e gosta de gays”.70 Essa escandalosa violação do Artigo 88 do Uniform Code of Military Justice, que proíbe o uso de palavras de desprezo em relação ao comandante-em-chefe, resultou, meramente, numa punição não-judicial,71 uma ação administrativa reservada pela lei para “delitos de menor importância”.72 Em face do precedente, pouca surpresa deve restar de que tenha surgido um tumor maligno que eu chamo “neopretorianismo”.73

A Emergência do
Neopretorianismo

Um dos maiores paradoxos das relações civis-militares na década de 1990 foi que cresceu nas fileiras um desdém pela sociedade americana, a despeito da popularidade dos militares e de sua “influência” política. Essa alienação criou um fosso entre as forças armadas e a sociedade à qual elas servem. É claro que os militares sempre foram uma “sociedade separada” com costumes e organização singulares.74 Isso era exigido por sua missão de combater na guerra. Esse fosso emergiu porque os militares se viam como uma casta mais alta, fundamentalmente em contraste com a sociedade civil.75

Já em 1991, o jornalista David Wood relatou que o pessoal militar tendia a “ver o mundo civil caótico com suspeita e, às vezes, hostilidade”.76 Um artigo de 1996, do Los Angeles Times, observava uma tendência similar, citando a descrição de um membro de uma força que se referia aos civis como “ladrões, burocratas, sem autoconfiança, sem integridade... sub-raça”.77 Um estudo em Harvard, em maio de 1996, bem como um outro de um estudante do Naval War College, no mesmo mês, advertiam que as relações civis-militares estavam ameaçadas pela visão crescentemente distorcida dos militares em relação aos civis, e por sua avaliação narcisística deles próprios.78

Dessa crescente antipatia por parte dos militares emergiu o neopretorianismo, que surge quando as forças armadas se percebem não apenas como protetoras do que é correto na sociedade civil, mas, também, como os autonomeados, não-eleitos responsáveis por fazer e implementar esse bem. São cúmplices disso os oficiais enfatuados que têm a idéia de que sejam ombudsmen nacionais com atribuições ilimitadas, em vez de chefes militares com responsabilidades finitas. Em paralelo com a ignorância institucionalizada do público a respeito de assuntos militares, o neopretorianismo tem, como marca, a idéia errônea dos militares de sua própria superioridade cultural e a aparente incapacidade que eles têm de perceber os méritos da sociedade civil.

Como tantos problemas que enfrentamos no século XXI, uma das manifestações do neopretorianismo evoluiu de uma boa e patriótica idéia surgida em boa fé. Em 1996, o Comandante do Corpo de Fuzileiros, estarrecido com o que ele via como sendo uma desintegração de valores, “fez da moralidade um tema de máxima importância no seu primeiro ano no posto mais alto”.79 Assim fazendo, ele abraçou a tese, então popular, da direita política, que buscava a “restauração” de uma América “moral”, idealística80 — uma América que, na opinião de um especialista, “nunca existiu e nunca existirá”.81

Refirindo-se aos recrutas do Corpo de Fuzileiros, o comandante insistia que “os jovens têm que sofrer uma transformação em relação ao que eles são na sociedade” (grifei).82 É claro que isto era uma ofensa cruel aos pais que criaram esses homens e mulheres, especialmente numa época em que as outras forças estavam alardeando que admitiam os recrutas de maior qualidade que jamais haviam aparecido.83 Entretanto, é imperativo que as forças armadas inculquem em novos soldados as habilidades militares, bem como uma aceitação do autoritarismo, da belicosidade e do antiindividualismo que são necessários para a sobrevivência em combate. A agenda do comandante, porém, não era limitada a isso. Ele procurava instilar nos recrutas os valores ele decidiu que eram “importantes para a Nação”(grifei).84 Sua meta não era apenas um fuzileiro melhor. Ao contrário, o general declarou que ele queria que seu “legado para o Corpo de Fuzileiros fosse literalmente um americano transformado”.85 Ele acrescentou que “seria capaz de chegar a limites inacreditáveis para fazer isso”.86

O que fez ele de errado? Infelizmente os generais que o sucederam corromperam a idéia do comandante para adaptá-la a seus próprios propósitos. Aprendemos que não importa o quão próprio seja estabelecer valores para os membros das forças armadas, um militar profissional não está encarregado de fazer isso para a sociedade em geral. Descobrimos que quando os generais em serviço ativo se arrogam a prerrogativa de dizer ao país que valores devem ser abraçados e usam os vastos recursos de que dispõem para impô-los à nação, então há algo de profundamente distorcido nas relações civis-militares do país.

Na verdade, aprendemos nos julgamentos dos golpistas, no ano passado, que a maior parte dos conspiradores queriam refazer a nação à imagem das forças armadas. Aqui, a história pode nos ensinar algo. No seu livro Modern Tyrants (1994), Daniel Chirot argumenta que “a razão por que Hitler era atraente para uma população alemã desorientada, acuada não apenas pelo caos financeiro e político, mas, também, por abertas manifestações de novos gostos culturais e novos hábitos sexuais, foi que ele traria de volta a ordem tradicional, uma cultura simples e compreensível e uma moralidade pública clara”.87 Chirot também observou que “os militares, em especial, têm tendência à ilusão” de pensar que os problemas de suas nações podem ser resolvidos por imposição de valores marciais.88 A lição que se tira disso é que os generais não devem ser comandantes nas guerras culturais da nação. Os militares não devem tentar refazer a sociedade a sua própria imagem.

A idéia que os militares fazem de si próprios também favoreceu o neopretorianismo. Inexplicavelmente, o pessoal fardado parecia ter esquecido seu próprio mundo. É verdade que entre os militares eram baixas as taxas de crime, mas por que não seria assim? Ao contrário do que ocorre com a sociedade civil, eles podem dar-se ao luxo tanto de selecionar seus membros quanto de expulsar os praticantes até de delitos de menor importância. Além disso, podem examinar incansavelmente as vidas particulares de seus membros e submetê-los a exames de urina, DNA e, algumas vezes, à pseudociência dos polígrafos.

A vida nas bases militares isoladas dos Estados Unidos era idílica, graças, ironicamente, à sociedade que eles criticavam tanto. Muitas instalações pareciam o paraíso marxista definitivo: casas confortáveis sem necessidade de pagar aluguéis, abastecimento grátis de água e energia elétrica, lojas e creches subsidiadas, instalações para recreação amplas e grátis e, até, pregadores dados pelo governo. O sistema de saúde, com todos os seus defeitos, ainda era superior aos sistemas disponíveis para a maior parte dos civis, em igualdade de preços. Aspectos importantes do sistema de distribuição eram um sonho previdenciário. Precisa de uma casa maior? Basta ter outro filho. Quer mais dinheiro? Ache um companheiro. Tudo isso encontrava apoio em uma enorme panóplia de serviços sociais pagos pelo governo que ajudavam a manter sob controle problemas como alcoolismo e violência contra crianças.89

Os militares olhavam a sociedade civil e só viam caos, crime e decadência moral. É verdade que estes são subprodutos infelizes da liberdade pessoal e do individualismo exaltado. Contudo, a liberdade e o individualismo produziram o desenvolvimento econômico que alimentou o ressurgimento da máquina militar da nação.90 O gênio do capitalismo americano é o seu reconhecimento de que a busca do interesse individual em uma atmosfera de competição livre pode levar, afinal, ao bem comum. Um espírito empresarial exagerado pode ser desastroso no campo de batalha, onde a maior virtude é a unidade de propósitos, mas é uma fonte de inovação e de progresso enormemente importante em meio às complexidades darwinianas da maior parte das outras atividades humanas.

Antes que torcêssemos demasiadamente o nariz à sociedade civil, deveríamos ter entendido a natureza basicamente autoritária e antidemocrática da vida militar.91 Os oficiais sentem-se à vontade com uma organização hierárquica na qual a patente militar define de maneira não ambígua seu lugar privilegiado, e a cadeia de comando dá uma definição clara, uma autoridade e uma finalidade à tomada de decisão. Eles ficam perplexos com o igualitarismo da sociedade civil e não se sentem bem com a incerteza e o caos deliberado do processo democrático. Eles contemplam o pluralismo intelectual como sendo divisor e debilitante, em vez de criativo e estimulante, e o processo de construção do consenso político como sendo, ou uma prática de chicanas, ou um pernicioso arrego, em vez de uma técnica inclusiva para melhorar o produto. “A democracia não é” — como o General Powell observou com exatidão — “uma forma fácil de governo para os profissionais militares”.92

Os neopretorianos jamais entenderam que sua sociedade era uma aldeia Potemkin que dependia da amplidão da sociedade civil — a sociedade que eles cumulavam de desprezo e à qual imaginavam ensinar valores. O socialismo despótico, embora gentil, das forças armadas pode ser adequado a necessidades peculiares ao militar profissional, mas não é provável que seja um modelo para uma sociedade livre. Em vez de seguir o caminho do neopretorianismo, deveríamos ter construído uma nova moldura para as relações civis-militares, a que eu chamo “Novo Modelo Americano”.

O Novo Modelo Americano das Relações Civis-Militares

O Novo Modelo Americano valoriza o fato de que o controle civil efetivo sobre as forças armadas — como concluiu o Dr. Richard Kohn93 — enfatiza o processo e esse processo pode e deve evoluir com o tempo. Dito isto, o modelo reconhece, entretanto, a utilidade de regras claramente delineadas. De acordo com isso, tenta complementar sua arquitetura teórica com uma orientação prática e específica sempre que possível.

O Novo Modelo Americano valoriza o conceito de Huntington de controle militar objetivo94 e insiste em que a energia e os recursos dos militares devam ser concentrados em funções de guerra externa. O modelo, também, concorda com a pesquisa do Dr. Michael Desch, que sugere que as relações civis-militares prosperem sob essas circunstâncias.95 Agências governamentais civis ou empresas comerciais devem realizar as missões não-tradicionais que realmente precisem ser realizadas.

A peça central do Novo Modelo Americano é o princípio de que o controle civil efetivo de forças armadas grandes e profissionais, numa democracia, exige transparência em todos os seus pontos — especialmente durante o tempo de paz. A necessária supervisão só pode ocorrer quando o pensamento e a ação dos militares se torna claro para a sociedade à qual eles servem.96 O modelo crê na sabedoria do povo e, portanto, rejeita completamente a idéia de que “questões militares e de segurança nacional são demasiadamente complexas [para o público em geral] e só podem ser entendidas por algumas pessoas selecionadas”.97

Infelizmente, a opacidade — não a transparência — era o paradigma na década de 1990. Ainda como um outro legado da Guerra do Vietnã, as forças armadas dos Estados Unidos, politizadas, do final do século XX e do começo do século XXI, tornaram-se cada vez mais profundamente envolvidas em “administração da percepção”. Convencidas de que repórteres hostis causavam danos ao esforço de guerra no Sudeste da Ásia,98 encorajadas pela reação favorável do público a seu domínio da imprensa durante a Primeira Guerra do Golfo99 e determinadas a capitalizar a imagem pública negativa dos meios de comunicação,100 as forças armadas chegaram a olhar os meios de comunicação e de informação, de uma maneira geral, como algo a ser manipulado para os propósitos dos militares.

Os militares devotaram uma energia gigantesca a aprender a manipular os meios de comunicação. Para que se veja até que ponto as forças armadas estavam dispostas a ir, considere-se a seguinte declaração de um instrutor em 1993: “Aprender a tratar com repórteres é tão importante quanto aprender a matar o inimigo”(grifei).101 “Contar histórias” era, também, crítico. Um instrutor do Exército, por exemplo, insistia em que os soldados não contassem qualquer história, mas uma “história positiva do Exército”(grifei).102 O Novo Modelo Americano, porém, rejeita a “prescrição de contar histórias”. Ele sustenta que “numa democracia, as forças armadas devem ser controladas pela opinião pública, não o oposto”.103

O Exército, em especial, buscou insistentemente controlar a maneira pela qual as histórias são contadas. Impôs a chamada regra de Ricks, em 1996, para opor-se a comentários francos, mas politicamente incorretos, feitos por seus soldados na Bósnia.104 Em última análise, desencorajar a franqueza se revelou contraproducente. Um participante em uma pesquisa feita no Exército, em 1996, relatou, sombriamente, que “dizer a verdade põe fim à carreira mais rapidamente do que cometer erros estúpidos ou ser apanhado fazendo algo errado”.105 Ironicamente, o sucesso do Exército em suprimir os meios de comunicação durante a Primeira Guerra do Golfo plantou a semente de seu próprio declínio.106 Não estando o público instruído a respeito das capacidades do Exército, o Exército foi reduzido a apenas quatro divisões ativas e foi a força que se seguiu à Força Aérea no desmantelamento, no começo de 2007.

Em qualquer caso, a transparência que o modelo exige não pode existir quando as classificações de documentos por razões de segurança são usadas excessivamente.107 O segredo — como observou o New York Times, no 25º aniversário de sua publicação dos Documentos do Pentágono — pode ser usado para ocultar “o inchaço, o erro e a corrupção nas forças armadas”.108 No meio da década de 1990, o problema da classificação excessiva de documentos surgiu em relação ao início do envolvimento dos militares na guerra de informação, especialmente na variedade ofensiva. Os chefes militares, astutamente, evitaram discutir o tópico, citando elevadas classificações de segurança. Sem dúvida, o excesso de classificação do assunto foi tão grotesco que, mesmo dentro das forças armadas e na estrutura civil de defesa, poucas pessoas sabiam qualquer coisa específica desse assunto.

No começo, todos sabíamos a razão para a maior parte desse excesso de classificação: “tigelas de arroz”.109 A guerra de informação era uma das poucas áreas nas quais os orçamentos militares estavam crescendo110 e, controlando o acesso a esses programas, as organizações poderiam controlar as verbas associadas a eles. Além disso, impedindo o acesso de “operadores” tradicionais a essa informação, os membros de menor hierarquia das carreiras nos campos da inteligência e das comunicações poderiam partir para ilusões tipo Walter Mitty e chamarem-se “guerreiros”, embora guerreiros de informação.

Ninguém se opunha à necessidade de classificar alguns aspectos técnicos da guerra de informação. Contudo, visto seu objetivo claramente declarado — “convencer, confundir ou iludir os tomadores de decisão inimigos” (grifei)111 — deveria ter ficado claro que as forças armadas estavam adquirindo uma capacidade com tremendo potencial para influenciar o processo político no país. Quando nossas escolas militares começaram a discutir o uso de tecnologia avançada de informação para “moldar” imagens falsas dos líderes políticos inimigos para induzir a erro seus públicos,112 por exemplo, deveríamos ter compreendido o potencial perigoso dessa tecnologia e de tecnologias similares. O Novo Modelo Americano afirma que o público precisa saber e aprovar o “quem” e o “que” da guerra de informação deixando apenas o “como” secreto.

O Novo Modelo Americano também sustenta que uma imprensa vibrante, inteligente e inquiridora é uma salvaguarda vital do controle civil. Sem dúvida, com o poder das estruturas formais do governo diminuído, os meios de comunicações se tornaram o mais efetivo meio de controle civil, ao final da década de 1990. Desse modo, os líderes nacionais não ajudam quando põem parte da culpa do suicídio do Alte Jeremy Boorda nos “incansáveis holofotes da mídia”.113 Na verdade, os chefes militares têm de estar sujeitos a esses holofotes incansáveis, já que é virtualmente a única restrição que eles realmente temem.114

Tratar dos perigos da opacidade não é o fim da arquitetura do Novo Modelo Americano para o envolvimento de militares no discurso político. Pode se encontrar o modelo desse construto no livro de Yehuda Ben-Meir, Civil-Military Relations in Israel (1995).115 Em seu livro Ben-Meir concebeu cinco papéis possíveis para oficiais das forças armadas em assuntos políticos:

(1) Assessora: Pôr à disposição dos civis sua especialidade profissional.
(2) Representativa: Advogar os interesses das forças armadas em conselhos governamentais.
(3) Executiva: implementar decisões de governo.
(4) Advocacia: Explicar e defender publica- mente políticas de governo.
(5) Substantiva: Tentar modificar a política governamental militar ou de segurança nacional envolvendo-se abertamente em atividade política.116

Ben-Meir acreditava que os primeiros três desses papéis fossem compatíveis com os princípios do controle civil, enquanto o quinto é um desafio direto a ele. Considerava o papel de advocacia uma “área cinza”, contudo, já que pode levar a tentativas de convencer o público da sensatez de políticas militares que podem estar em conflito com as do governo. O segredo, escreveu ele, não é solapar o papel de representação dos militares, mas vinculá-lo o bastante para que não seja levado a uma advocacia exagerada.117

O Novo Modelo Americano concorda com muito da proposta de Ben-Meir. Concorda, além disso, que os militares não têm qualquer papel a desempenhar no processo eleitoral, além de votar.118 Sem dúvida, recomendo que os oficiais-generais sejam proibidos de ocupar qualquer cargo público por pelo menos 5 anos após sua passagem para a reserva. Essa exigência reduziria a tentação de envolverem-se em atividades partidárias para bajular politicamente. O modelo também reconhece, contudo, que mesmo discussões “assessoras” sobre questões de segurança nacional podem ser consideradas partidárias.

Sem dúvida, os militares que falam sobre qualquer questão provavelmente não poderão evitar acusações de partidarismo. Entretanto, o Novo Modelo Americano valoriza suficientemente a transparência para tolerar tais alegações e insiste em uma franqueza apolítica como melhor remédio para isso. O modelo crê que o militar tenha informação, especialidade e um descortino singular, e isso deve ser posto à disposição do público. Tom Donnelly afirma que “os generais devem sentir-se livres para explicar o que é razoável que se consiga por meios militares”.119 Isso exige franqueza. É claro que, como diz outro autor, “a franqueza tem de ser usada em uníssono com o senso comum, com um juízo adequado, com autodisciplina, lealdade e outros traços”.120

A franqueza é sempre apropriada em reuniões restritas do governo. O modelo explicitamente rejeita a espécie de “correção política”, por exemplo, que, como se conta, teria levado o Almirante Boorda a desistir da nomeação do Alte Stanley Arthur como comandante-em-chefe do US Pacific Command simplesmente porque Arthur concordou que uma piloto (mulher) havia perdido a qualificação para voar.121 A correção política pode solapar grandemente as relações civis-militares, porque ela substitui um julgamento sensato e apolítico por uma alcovitagem oportunista — e freqüentemente interesseira — da moda popular.

A franqueza também exige um agudo sentido de responsabilidade por parte dos oficiais. Como observou Bacevich, é muito freqüente que os oficiais usem sua popularidade política para “distribuir aos outros a responsabilidade pelo fracasso”.122 Segundo Bacevich, isso aconteceu quando o ex-secretário de defesa Les Aspin — impopular entre os chefes militares mais antigos — foi demitido em seguida ao ataque conduzido aos Rangers na Somália, em 1993, que ceifou as vidas de 18 soldados dos Estados Unidos.123 Os militares deixaram que o público pensasse que a recusa de Aspin de desdobrar uma quantidade adicional de carros de combate havia causado a catástrofe, quando, realmente, havia sido muito mais uma falha de doutrina de planejamento por uma comunidade de operações especiais dotada de um excesso arrogante de confiança.124

Quase vimos a repetição desse cenário depois do bombardeio das Khobar Towers. Surgiram exigências da demissão do Secretário de Defesa William Perry que, ao deixar de obter a aprovação saudita para mudar o lugar da cerca externa, haveria causado a tragédia.125 Como o ataque aos Rangers, porém, a tragédia tinha muito mais razão de ser atribuída a uma falha do julgamento militar concernente à natureza da ameaça do que a qualquer atitude inepta de líderes civis.126

Para garantir a promoção de responsabilidades, o Novo Modelo Americano requer o revigoramento do sistema militar de justiça. Ações administrativas,127 com sua propensão para a politização e o mau cheiro dos acordos por baixo dos panos, não são substitutos para um processo judicial público. No contexto das relações civis-militares, o sistema precisa ser renovado para reservar as punições mais severas não para as pessoas que tentem fazer o melhor e fracassem,128 mas sim para aqueles que procuram evitar a responsabilidade por suas ações.

O modelo reconhece que a questão mais difícil é determinar quando a franqueza deve ser expressa publicamente. Diversos fatores fundamentais estão envolvidos nisso:

1. A franqueza jamais deve ser usada para desafiar ou subverter ordens diretas. A obediência a ordens legais tem de ser instantânea. Entre parênteses: ordens ilegais têm de ser impiedosamente denunciadas.

2. A franqueza jamais deve ser uma escusa para um comportamento desrespeitoso.

3. A franqueza jamais deve ser usada para fazer com que a força de uma idéia seja substituída pelo poder da patente e da posição de um oficial.

4. Há uma diferença fundamental e crítica entre manifestar francamente seu ponto de vista e usar recursos do governo para tentar implementar. A ordem para implementar uma decisão tem de ser autorizada de maneira apropriada, de acordo com a política que está aprovada. Desse modo, a franqueza pública é freqüentemente melhor expressa antes de que a decisão seja tomada.

Dito isso, o modelo se parte de uma forte pre- sunção de que as relações civis-militares são melhor servidas pela transparência e que isso significa, freqüentemente, franqueza pública. Contra esse pano de fundo, o modelo insiste na consideração de duas relações de proporcionalidade inversa para ponderar se é ou não apropriada a franqueza pública em uma dada situação.

A primeira é, amplamente, de senso comum. Sua expressão genérica é a de que existe uma relação de proporcionalidade inversa entre a presunção de que falar em público seja apropriado, de um lado, e a patente e posição daquele que fala, de outro lado. Desse modo, poucas restrições deveriam ser postas às atividades protegidas pela Primeira Emenda, por parte do pessoal mais moderno. Ao contrário, um comandante de 4 estrelas é obrigado a ser mais circunspecto. Essas relações se reportam à proposição fundamental do Novo Modelo Americano: os oficiais não podem empregar o poder de sua patente ou posição para trazer uma força imerecida para seus pontos de vista.

A segunda sustenta que há uma relação de proporcionalidade inversa, em geral, entre a presunção de que a franqueza pública é apropriada e a proximidade de operações em andamento bem como o efeito que possa ter sobre essas operações, particularmente aquelas que envolvam combate. Isto significaria, por exemplo, que a crítica pública de um plano de batalha imediatamente antes de sua execução seria in-apropriada.

É claro que essas duas relações podem se superpor. Um comandante de campo de alta hierarquia, por exemplo, não deve discutir as ordens de seu comandante-em-chefe durante o combate — a própria razão pela qual o Ge- neral MacArthur bateu de frente com o Presidente Truman.129

Como um outro exemplo, considere-se o caso de um coronel do Exército que foi punido durante os primeiros momentos do desdobramento para a Bósnia, em 1995 — uma situação que não era de combate — por permitir que um repórter o citasse quanto a seu ponto de vista de que os croatas eram racistas e que os objetivos políticos do desdobramento não poderiam ser alcançados dentro do horizonte temporal de um ano estabelecido pela administração Clinton.130 Aplicando o Novo Modelo Americano a esse incidente, a observação pública do coronel a respeito dos croatas era imprópria, visto o momento e o lugar em que foi feita. Seu ponto de vista a respeito do horizonte temporal de um ano, porém, era apropriado, porque representava a espécie de julgamento franco que o público americano precisa ter dos seus chefes militares.

De acordo com isso, o Novo Modelo Americano não sustenta que os militares devem ser, em público, torcedores ostensivos da política do presidente ou do partido do presidente. Essa idéia é completamente distinta da questão de seguir ordens legais. Em relação a essas ordens, a obediência, como já se observou, tem que ser instantânea e completa. Se isto for claramente entendido, temos que agradecer que a Constituição estabeleça que esse controle civil seja uma responsabilidade compartilhada do poder executivo e do poder legislativo.131 A lealdade que as forças armadas devem a seu comandante-em-chefe não vai ao ponto de que seja usado o prestígio dos militares — para não mencionar sua capacidade física de poder — para apoiar qualquer partido político.

O Novo Modelo Americano engloba outros aspectos importantes. Reconhece a necessidade de tratar a crescente ingenuidade do público a respeito dos assuntos militares. Contudo, não argumenta a favor da volta do recrutamento. Isso não teria sentido militarmente. O professor John Keegan observou, por exemplo, que o desempenho dos recrutas no Iraque, durante a Primeira Guerra do Golfo, demonstrou que o recrutamento apenas “atravanca” o moderno campo de batalha.132 Desse modo, um aumento na tomada de consciência do público a respeito dos assuntos militares seria superado pelos custos envolvidos.

O que poderia ser útil, porém, é um programa abrangente em nível de escola secundária ou de faculdade a respeito das forças armadas, em geral, e das relações civis-militares, mais especificamente.133 Também precisamos ensinar relações civis-militares como parte da nossa educação militar profissional, o que poderia ser suplementado pela publicação de livros e artigos, por oficiais, para o público em geral.134

O modelo também não contempla a dependência crescente em relação à Guarda [Nacional] e à Reserva* como a solução dos problemas das relações civis-militares. Embora a Guarda [Nacional] e a Reserva possam, algumas vezes, apoiar um controle civil maior (fazendo que, por exemplo, a maior parte dos aspectos da guerra de informação seja distribuída a soldados em tempo parcial), permanece o fato de que a guerra moderna — particularmente a guerra de superfície — é demasiadamente difícil para quem quer que não seja um soldado em tempo integral.135 As necessidades militares, em conseqüência, determinarão que a maior parte do poder de combate permaneça na força em serviço ativo. Além disso, uma integração maior da escancarada politização da Guarda [Nacional] — e, em menor extensão, da Reserva — nas forças armadas regulares não serviria à causa das relações civis-militares.136

O modelo, contudo, apóia que se limitem as chamadas iniciativas de qualidade de vida, que estimulam o pessoal militar a ficar refestelados em suas bases. Transformar esses benefícios em um aumento de pagamento encorajará uma utilização maior de instalações civis com o benefício concomitante de reduzir a crescente alienação dos militares da socie- dade à qual eles devem servir.

Conclusão

Como espero que vocês tenham entendido, o papel dos militares na sociedade americana estava em uma encruzilhada em 1996. Se pudéssemos voltar a esse tempo poderíamos ter gasto nosso ano escolar discutindo como deveríamos tratar dessas questões. A despeito do que aconteceu em 2012, a profissão das armas é ainda uma das vocações mais nobres. Mas nós, nós perdemos nossa honra. Se, pelo menos, tivéssemos outra oportunidade. Se, pelo menos, pudéssemos voltar no tempo. Se, pelo menos.

Notas

1. Quanto ao anterior, veja-se Charles J. Dunlap, Jr., “How We Lost the High-Tech War of 2007,” The Weekly Standard, 29 January 1996, 22.

2. Charles J. Dunlap, Jr., “The Origins of the American Military Coup of 2012,” Parameters, WINTER 1992–1993, 2.

3. De acordo com o Contra-Almirante Henry E. Eccles, “as relações civis-militares podem ser vistas como a interação de um grupo de sistemas e subsistemas correlacionados — social, econômico, político, militar e de informação.... As relações entre esses sistemas são dinâmicas: cada sistema se empenha em manter seu equilíbrio e controlar seu destino à medida que se adapta às ações e às mudanças do sistema associado.” Henry E. Eccles, Military Power in a Free Society (Newport, R.I.: Naval War College Press, 1979), 125.

4. Veja-se, por exemplo, Douglas Johnson e Steven Metz, “Civil-Military Relations in the United States: The State of the Debate,” Washington Quarterly, WINTER 1995, 197; Mackubin Thomas Owens, “Civilian Control: A National Crisis?” Joint Force Quarterly, Autumn/WINTER 1994–1995, 80; e Capt Edward B. Westermann, “Contemporary Civil-Military Relations: Is the Republic in Danger?” Airpower Journal, Summer 1995, 74. Veja-se, também, Senate Committee on Armed Forces, Defense Organization: The Need for Change, 99th Cong., 1st sess., 1985, Committee Print, 45 (advertência contra a complacência “a respeito do aparente equilíbrio nas relações civis-militares”).

5. Não há uma definição universalmente aceita do controle civil das forças armadas, mas admite-se, em geral, incluir a idéia de que os fins da política governamental são estabelecidos por civis sendo os meios (quando muito) determinados pelos militares. O propósito do controle civil é garantir que os interesses militares estejam subordinados aos determinados pela autoridade civil. Veja-se Charles J. Dunlap, Jr., “Welcome to the Junta: The Erosion of Civilian Control of the U.S. Military,” Wake Forest Law Review 29 (1994): 341, 343–44.

6. Veja-se, para o aspecto geral, James F. Dunnigan and Raymond M. Macedonia, Getting It Right: American Military Reforms after Vietnam to the Persian Gulf and Beyond (New York: W. Morrow and Co., 1993), 24–26.

7. Veja-se a introdução de Herbert Emmerich a Civil-Military Relationships in American Life, ed. Jerome G. Kerwin (Chicago: University of Chicago Press, 1948), viii–ix.

8. A. J. Bacevich, “Civilian Control: A Useful Fiction?” Joint Force Quarterly, Autumn/WINTER 1994–1995, 76, 78. Cf. John M. Swomley, Jr., The Military Establishment (Boston: Beacon Press, 1964).

9. Veja-se Michael C. Desch, Soldiers, States, and Structure: Civilian Control of the Military in a Changing Security Environment (forthcoming, 1997), 67, 69 (argumentando que o controle civil é aprimorado quando as forças armadas enfrentam um ambiente desafiador internacional de segurança).

10. Cf. Rowland Evans and Robert Novak, “To Keep the Peace,” Reader’s Digest, January 1996, 92–93. (“A ausência de uma superpotência inimiga, após a queda do comunismo soviético, reduziu as justificativas das despesas militares na mente do público.”)

11. Quanto ao anterior, veja-se Dunnigan e Macedonia. Veja-se, também, Al Santoli, Leading the Way: How Vietnam Veterans Rebuilt the U.S. Military: An Oral History (New York: Ballantine Books, 1993).

12. Robert S. McNamara com Brian VanDeMark, In Retrospect: The Tragedy and Lessons of Vietnam (New York: Times Books, 1995).

13. Veja-se Bruce Palmer, The 25 Year War: America’s Military Role in Vietnam (Maxwell AFB, Ala.: Air University, April 1988), 45–46, 201–2.

14. Owens, 83.

15. Muito disto é o resultado da brilhante análise do conflito do Vietnã pelo Cel Harry Simmer. Veja-se Harry G. Summers, On Strategy: A Critical Analysis of the Vietnam War (Novato, Calif.: Presidio Press, 1982).

16. John Keegan, A History of Warfare (New York: Knopf, 1993).

17. “Fica claro, conseqüentemente, que a guerra não é um simples ato de política, mas um verdadeiro instrumento político, uma continuação da atividade política por outros meios.” Carl von Clausewitz, On War, ed. and trans. Michael Howard and Peter Paret (Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1976), 87.

18. Aplicada com propriedade, a teoria clausewitziana “sublinha a necessidade e a justificativa do controle civil das forças armadas”. Veja-se Yehuda Ben-Meir, Civil-Military Relations in Israel (New York: Columbia University Press, 1995), 187.

19. “A guerra é demasiadamente séria para ser confiada aos generais.” Georges Clemenceau, com citada in The Macmillan Dictionary of Political Quotations, ed. Lewis D. Eigen e Jonathan P. Siegel (New York: Macmillan, 1993), 689.

20. Veja-se Rick Maze, “Do Military Officers and Politics Mix?” Navy Times, 8 July 1996, 10. According to Maze, “Centenas de oficiais [estão] participando de um programa de bolsas pro-forma”.

21. Newt Gingrich, Presidente da Câmara dos Deputados, determinou que quatro oficiais servindo num programa de bolsas do Congresso produzissem um relatório no estilo militar para “mostrar porque os republicanos quase perderam um voto em junho a respeito de seu plano equilibrado de orçamento”. A deputada Patricia Schroeder (democrata do Colorado) reclamou que “o uso de oficiais para atividade partidária política, é, em minha opinião, totalmente in-apropriado”. Ibid. Veja-se , também, “Were Military Aides Used Politically?” New York Times, 23 June 1996, 17.

22. “Miffed Specter Holds Promotions Hostage,” Washington Times, 12 May 1996, 5.

23. Veja-se, para o aspecto geral, David Martin, “Landing the Eagle,” Vanity Fair, November 1993, 150.

24. Veja-se Summers, 170.

25. Thomas E. Ricks, On American Soil: The Widening Gap between the U.S. Military and U.S. Society, Working Paper no. 3, Project on US Post-Cold-War Civil-Military Relations (Boston: John M. Olin Institute for Strategic Studies, Harvard University, May 1996), 11–13. Cf. Daniel Voll, “A Few Good Nazis,” Esquire, April 1996, 102 (discutindo o extremismo nas fileiras militares).

26. Adm William J. Crowe, Jr., e David Chanoff, The Line of Fire: From Washington to the Gulf: The Politics and Battles of the New Military (New York: Simon & Schuster, 1993), 23.

27. Veja-se Joint Publication 3-07, Joint Doctrine for Military Operations Other than War, 16 June 1995.

28. Apud John T. Correll, “The Murky Edges of Mootwah,” Air Force Magazine, July 1996, 2.

29. Veja-se, por exemplo, Carla Anne Robbins e John Fialka, “Despite Tough Words, Antiterrorism Effort in U.S. Is Still Flawed,” Wall Street Journal, 22 July 1996, 1.

30. Cf. Paul H. Appleby, “Civilian Control of a Department of National Defense,” in Civil-Military Relationships in American Life, 63. (“Quando o país chega a uma crise interna severa, não é incomum, para alguns cidadãos conscienciosos, que cheguem a pensar — e até planejar — uma tomada do poder pelos militares do país para preservar a ordem, evitar a revolução e servir a outros propósitos semelhantes.”)

31. Veja-se, por exemplo, Joyce Price, “Black Copters over Pittsburgh? It’s Just an Exercise,” Washington Times, 6 June 1996, 1 (descrevendo o “treinamento em guerra urbana” das Forças Especiais do Exército dos EUA, realizado em um certo número de cidades americanas, inclusive Pittsburgh, Detroit, Los Angeles, Dallas, e Miami).

32. Samuel P. Huntington, The Soldier and the State: The Theory and Politics of Civil-Military Relations (Cambridge, Mass.: Belknap Press of Harvard University Press, 1957), 80–97. Veja-se, também, nota 94.

33. Sen Sam Nunn (D-Ga.) questionou que usar militares como motoristas dos atletas desencorajasse terroristas. Veja-se Rick Maze, “Senator Criticizes the Use of Troops,” Air Force Times, 24 June 1996, 17. Cf. Robert F. Dorr, “Troops Have No Business Working at the Olympics,” Air Force Times, 24 June 1996, 54.

34. Cf. Samuel P. Huntington, “New Contingencies, Old Roles, Joint Force Quarterly, Autumn 1993, 38. “Uma força militar é fundamentalmente anti-humanitária: seu propósito é matar pessoas do modo mais eficiente possível.” (p. 43).

35. O Secretário de Defesa Caspar Weinberger anunciou as seguintes regras num almoço, em 1984:

1. Só se comprometer se nossos interesses vitais ou interesses vitais de nossos aliados estiverem em causa.

2. Se nos comprometermos, vamos fazê-lo com todos os recursos necessários para vencer.

3. Só entrar na contenda com objetivos políticos e militares claros.

4. Estar prontos para alterar o compromisso se os objetivos mudarem, já que as guerras raramente permanecem sempre da mesma maneira.

5. Só assumir compromissos que possam ser apoiados pelo povo americano e pelo Congresso.

6. Só comprometer forças dos Estados Unidos como último recurso.

Colin Powell com Joseph E. Perisco, My American Journey (New York: Random House, 1995), 303. Cf. Richard K. Betts, Soldiers, Statesmen, and Cold War Crises (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1977), 221–36; e Martin Sieff, “Policy on U.S. Force Is Clarified,” Washington Times, 7 March 1996, 1, 3.

36. Veja-se Charles Lane, “A Soldier’s Story: National Insecurity,” New Republic, 16 October 1995, 20.

37. Eric V. Larson, Casualties and Consensus: The Historical Role of Casualties in Domestic Support for U.S. Military Operations (Santa Monica, Calif.: RAND, 1996). Veja-se , também, Charles Moskos, “When Americans Accept Casualties” (inédito, novembro de 1995).

38. Veja-se, por exemplo, Chris Black, “US Options Seen Fewer as Military Avoids Risk,” Boston Globe, 23 July 1995, 12.

39. Veja-se, por exemplo, Edward Luttwak, “Washington’s Biggest Scandal,” Commentary, May 1994, 29; e Richard H. Kohn, “Out of Control: The Crisis in Civil-Military Relations,” The National Interest, Spring 1994, 3.

40. Gen John M. Shalikashvili, Joint Vision 2010 (Washington, D.C.: Joint Chiefs of Staff, 1996), 28.

41. Veja-se, por exemplo, Bruce Brocka e M. Suzanne Brocka, Quality Management: Implementing the Best Ideas of the Masters (Homewood, Ill.: Business One Irwin, 1992).

42. Cf. Headquarters USAF/CC letter, subject: Key Issue Update, 15 July 1996, 4. (“O infortúnio do CT-43 apontou nitidamente a importância de cumprir as diretrizes dos comandos superiores. Infelizmente, a mudança da força aérea de normas para instruções combinadas com iniciativas para a qualidade pode ter dado a algumas pessoas a impressão equivocada a respeito das AFIs” [grifei].)

43. Rick Maze, “The Blame Game,” Air Force Times, 22 July 1996, 6. (Citando o Ten- Gen (RR) Bernard Trainor, USMC: “Há uma tendência nas forças armadas, hoje em dia, de se atribuir ênfase demasiada à qualidade da vida e ao conforto. Isto coloca os soldados em risco.”) Veja-se , também, Don G. D. Boom, “The Price of Quality,” Air Force Times, 12 August 1996, 26 (carta).

44. William Pfaff, “Civilian Militarism, Military Civilians,” Baltimore Sun, 4 January 1996, 15.

45. Edward Luttwak, “Post-Heroic Armies,” Foreign Affairs, July/August 1996, 33.

46. Veja-se Bevin Alexander, The Future of Warfare (New York: W.W. Norton, 1995), 41.

47. Veja-se John Mintz, “‘Outsourcing’ Goes Right to the Front,” Washington Post, 21 December 1995, B13 (discutindo o crescimento da contratação externa nas forças armadas).

48. Os autores foram influenciados pelos excessos do exército modelo de Oliver Cromwell bem como pelas primeiras experiências com o exército regular britânico quando usado para suprimir a crescente insatisfação com o governo inglês anterior à Revolução. Veja-se generally, Charles J. Dunlap, Jr., “Revolt of the Masses: Armed Civilians and the Insurrectionary Theory of the Second Amendment,” Tennessee Law Review 62 (1995): 643, 646–53.

49. Veja-se, por exemplo, Allan R. Millett, “The Constitution and the Citizen-Soldier,” in The United States Military under the Constitution of the United States, 1789–1989, ed. Richard H. Kohn (New York: New York University Press, 1991), 97–115; e Dave R. Palmer, 1794: America, Its Army, and the Birth of the Nation (Novato, Calif.: Presidio Press, 1994), 263–77.

50. Harry G. Summers, Jr., “A Tale of 2 Presidents: Call It Poetic Justice,” Air Force Times, 8 November 1993, 62. (“Suspeitar dos militares não é pecado. Os americanos têm uma história longa e da qual se orgulham de antimilitarismo, e o controle civil sobre as forças armadas é um dos fundamentos da democracia americana.”)

51. Veja-se Richard G. Miles, “Those Who Fight, Those Who Decide,” Newsweek, 22 November 1993, 12.

52. Veja-se Dunlap, “Welcome to the Junta,” 387–90; idem, “A Fallow Challenge to Civilian Control?” Joint Force Quarterly, Spring 1995, 103–4; e Col (RR) Harry G. Summers, Jr., USA, The New World Strategy: A Military Policy for America’s Future (New York: Simon & Schuster, 1995), 198–202.

53. Charles J. Dunlap, Jr., “Postmodern Militarism,” The National Interest, Fall 1994, 104–5 (carta).

54. Veja-se, por exemplo, A. J. Bacevich, “Clinton’s Military Problem — And Ours,” National Review, 13 December 1993, 36.

55. Veja-se, por exemplo, “Bill Clinton, Military Man?” Washington Times, 23 May 1996, 16; e “Clinton’s Legal Claim and Reaction,” Air Force Magazine, July 1996, 11.

56. Veja-se, por exemplo, Mary McGrory, “Clinton’s Duty to Command the Pentagon,” Washington Post, 21 April 1996.

57. Pfaff, 15.

58. A. J. Bacevich, “What Are Soldiers For?” Chronicles, May 1996, 118.

59. Veja-se Robert Holzer e Stephen C. LeSeur, “JCS Chairman’s Rising Clout Threatens Civilian Leaders,” Defense News, 13–19 June 1994, 29.

60. Public Law no. 99-433, 100 Statute 992 (1986) (codified as amended in scattered sections of 10 US Code).

61. Veja-se, por exemplo, Kohn, “Out of Control,” 3.

62. Quanto ao anterior, veja-se Bryan Bender, “Shalikashvili Blasts Isolationist Rhetoric of Primaries,” Defense Daily, 21 March 1996, 434. Quanto ao último, veja-se Bill Gertz, “Shalikashvili Warns Republicans Not to Undermine Arms Reductions,” Washington Times, 23 May 1996, 13.

63. Veja-se 10 US Code 155(c); Cf. Ten-Gen (RR) John H. Cushman, USA, “Joint Doctrine: The Chairman’s Authority,” US Naval Institute Proceedings, April 1995, 48.

64. Veja-se 10 US Code 155(e). (“O Estado-Maior Conjunto não funcionará ou será organizado como um Estado-Maior das Forças Armadas e não terá autoridade executiva.”)

65. Veja-se , também, Kenneth W. Kemp e Charles Huslin, “Civil Supremacy over the Military: Its Nature and Limits,” Armed Forces and Society, Fall 1992, 7, 16–19 (discutindo “desobediência com motivação política”, no caso do bombardeio secreto no Vietnã pelo general da Força aérea John D. Lavelle).

66. Ten-Cel James Callard, “The Changing Nature of American Democracy: Consequences for the Military” (master’s thesis, Naval War College, 21 May 1996), 16.

67. Veja-se Ricks, 21–22.

68. “Are Commanders Ignoring Orders?” Air Force Times, 24 June 1996, 1.

69. Veja-se, por exemplo, Keith Hutcheson, “The Discipline Crisis,” Armed Forces Journal, March 1996, 40.

70. Veja-se David Hackworth, “Rancor in the Ranks: The Troops vs. the President,” Newsweek, 28 June 1993.

71. 10 US Code 888 (1988).

72. 10 US Code 815 (1988). Veja-se , também, Michael R. Gordon, “General Ousted for Derisive Remarks about President,” New York Times, 19 June 1993, 19.

73. Segundo Ben-Meir o conceito tradicional de pretorianismo “se refere à tendência dos militares de intervir nos assuntos do Estado. O termo foi tomado de empréstimo da guarda romana que fazia e desfazia imperadores” (p.192). Foi discutido por Amos Perlmutter, no livro The Military and Politics in Modern Times: On Professionals, Praetorians, and Revolutionary Soldiers (New Haven, Conn.: Yale University Press, 1977). Perlmutter sustenta que

O cliente do soldado profissional é, claramente, o Estado e, através dele, a nação. Os sintomas pretorianos podem ocorrer no soldado profissional, mas apenas quando os chefes da estrutura militar “descobrem” que há uma “contradição” entre o “estado” ao qual eles juraram lealdade e o “regime” que ocupou o poder.

Como citado em Ben-Meir, 13. Uma característica fundamental do neopretorianismo é que a contradição não se refere tanto a algum regime. Antes, ela ocorre entre a avaliação dos militares quanto os valores e organização societais apropriados e aquela que eles vêem no sociedade como um todo.

74. Veja-se Parker v. Levy, 417 US 733, 743 (1974). (Os militares são uma “sociedade especializada à parte, separada da sociedade civil”.) Arthur Hadley chamou essa separação de “Grande Divórcio” em The Straw Giant: Triumph and Failure, America’s Armed Forces: A Report from the Field (New York: Random House, 1986), 22.

75. Veja-se, para o aspecto geral, Ricks, 11–13.

76. David Wood, “Duty, Honor, Isolation: Military More and More a Force unto Itself,” Star Ledger (Newark, N.J.), 21 April 1991, 1.

77. Art Pine, “U.S. Military Highly Rated, but Strains Begin to Show,” Los Angeles Times, 19 March 1996, 1, Washington edition.

78. Veja-se, por exemplo, Ricks, 11–13; e Callard, 46.

79. Veja-se “Marines Plan Values Training,” Omaha World Herald, 6 July 1996, 6 (citando um relato da Associated Press).

80. Veja-se, por exemplo, Patricia Edmonds e Ann Oldenberg, “Chasing the Values Vote,” USA Today, 5A (discutindo “por que os americanos estão mais inquietos a respeito de valores do que estiveram em qualquer outro momento da história moderna”).

81. Veja-se Vince Passaro, “Dragon Fiction,” Harper’s Magazine, September 1996, 64, 68. Fazendo a resenha do gênero emergente “Christian Thrillers,” Passaro diz:

Não lhes custa muito, lendo ... autores cristãos evangélicos, perceber que a obsessão com a ordem pública, com a moralidade pública, com códigos, regras, consensos e pecado são idéias políticas americanas, religiosas em sua origem, mas não na aplicação atual. O cristianismo da direita evangélica está profundamente arraigado numa nostalgia política, um impulso para restaurar uma America que aparentemente se perdeu. É claro que o que essa America perdeu foi a realidade; essa America jamais existiu e jamais existirá, mas desde a avalanche dos votos combinados dados a Richard Nixon e George Wallace em 1968, essa America-que-nunca-existiu tornou-se a idéia central que dirige nossa vida política. (p. 64,68)

Cf. David T. Courtwright, “Violence in America,” American Heritage, September 1996, 36 (observando as semelhanças entre a criminalidade na fronteira, no século 19, e o crime urbano atualmente).

82. “General Krulak Warns of ‘Lack of Values’ in Society,” National Security Law Report, April 1996, 9, 10.

83. Veja-se, por exemplo, “Smarter than Ever,” Air Force Times, 22 July 1996, 12 (discutindo a ascensão do nível educacional do pessoal subalterno). Como um comentário adicional, um levantamento nacional recente revelou que as atitudes dos adolescentes com relação a valores morais e sociais é muito mais convencional que se acredita geralmente. Veja-se Dianne Hales, “How Teenagers Veja-se Things,” Parade Magazine, 18 August 1996, 4.

84. “General Krulak Warns,” 10.

85. Ibid.

86. Veja-se “Marines Plan Values Training,” 6.

87. Daniel Chirot, Modern Tyrants: The Power and Prevalence of Evil in Our Age (New York: Free Press, 1994), 417.

88. Ibid.

89. O número de grandes consumidores de bebida alcoólica entre os militares supera o de civis por mais de 50%, uma relação que permaneceu sem alterações por mais de 15 anos, a despeito de grandes programas preventivos de abuso de substâncias. Veja-se Nolan Walters, “Today, a Good Soldier Is a Sober Soldier, in the Military’s Eyes,” Philadelphia Inquirer, 26 June 1996, B1.

90. James Q. Wilson, “A Rhythm to the Madness,” Time, 23 August 1993, 31.

91. Charles E. Merriam explica que

o princípio militar e o princípio democrático estão em direta contradição um para com o outro. A hierarquia militar envolve autoridade do topo para a base, enquanto os sistemas democráticos estão baseado no consentimento dos governados a partir das camadas mais baixas. O princípio militar desenvolve a idéia de disciplina e da obediência sem questionamento. A sociedade política democrática baseia-se no consentimento dos governados, dado livremente.

Citando Quincy Wright em “Security without Militarism: Preserving Civilian Control in American Political Institutions,” in Civil-Military Relationships in American Life, 148.

92. Secretary of the Air Force Policy Letter, Dealing with Democracy (1991), 4.

93. Veja-se Kohn, “Out of Control,” 3.

94. O Professor Huntington explicitou de uma nova forma o seu conceito de controle civil objetivo no número de Current, de fevereiro de 1996. De um modo específico ele disse que o controle civil objetivo envolve

1) um alto nível de profissionalismo militar e o reconhecimento por parte dos oficiais dos limites de sua competência profissional; 2) a efetiva subordinação das forças armadas aos líderes políticos civis que tomam as decisões básicas a respeito de política externa e militar; 3) o reconhecimento e aceitação por essa liderança de uma área de competência profissional e de autonomia para os militares; e 4) como resultado, a minimização da intervenção militar em política e da intervenção política nas forças armadas.

Samuel P. Huntington, “Democracy and Armed Forces,” Current, February 1996, 17.

95. Desch, 67, 69.

96. Cf. Prof Eliot A. Cohen. “O controle civil também significa estar seguro de que numa época de rápida mudança tecnológica, as forças permaneçam abertas intelectualmente, que os pensadores não sofram conseqüências ruins por se dedicarem a refletir a respeito de sua profissão e falar abertamente acerca disso” (grifei). Eliot A. Cohen, “Beyond ‘Bottom Up,’ ” National Review, 15 November 1993, 40, 43.

97. Veja-se Roger Charles, “It’s a War for Soul of U.S. Military,” Baltimore Sun, 2 June 1996, 1F.

98. William P. Lawrence e Frank A. Aukofer, America’s Team: The Odd Couple — A Report on the Relationship between the Media and the Military (Nashville: Freedom Forum First Amendment Center, 1995), viii.

99. Veja-se Charles C. Moskos com Thomas E. Ricks, Reporting War When There Is No War, Cantigney Conference Series Special Report (Chicago: Northwestern University, 1996), 8.

100. Veja-se, por exemplo, James Fallows, “Why Americans Hate the Media,” Atlantic, February 1996, 45.

101. Apud Chris Murray in “Troops Learn How to Deal with Shelling from Reporters,” Air Force Times, 7 June 1993, 28.

102. Veja-se Callard, 120.

103. Ibid.

104. Veja-se Bill Gertz, “Pentagon Tells Reporters in Bosnia Soldiers’ OK Needed Before Quotes,” Washington Times, 9 May 1996, 4.

105. Veja-se “Report Shows Distrust Prevalent within the Army,” Washington Times, 30 May 1996, 4.

106. “O Exército efetivamente desistiu da oportunidade de tornar públicas suas operações durante a Guerra do Golfo quando foi eficaz em esconder da cobertura pelos meios de comunicação desde a Segunda Guerra Mundial.” Veja-se Moskos, Reporting War, 41 (citando John J. Fialka, Hotel Warriors: Covering the Gulf War [Washington, D.C.: Woodrow Wilson Center Press, 1992]).

107. A despeito de uma ordem executiva cuja intenção era reduzir a quantidade de material classificado, o sistema de segredo dos Estados Unidos, de 2 bilhões de dólares, estava, em 1996, classificando mais de 6 milhões de documentos anualmente. Veja-se “Martin Faga Describes Work of Government Secrecy Commission,” National Security Law Newsletter, April 1996, 7, 11.

108. Max Frankel, “Top Secret,” New York Times Magazine, 16 June 1996, 20.

109. “Tigela de arroz” é uma expressão coloquial militar que indica lealdade inflexível a um projeto motivada por interesse pessoal.

110. Veja-se “U.S. Military Foresees Increase in Spending,” Defense News, 4–10 December 1995, 16. (“Projeta-se que o gasto das forças armadas dos Estados Unidos em guerra de informação [IW] cresça ao longo da próxima década.”)

111. Veja-se Shalikashvili, 28.

112. Veja-se Peter Grier, “Information Warfare,” Air Force Magazine, March 1995, 34, 35 (citando o Prof Thomas Czerwinski da School of Information Warfare, National Defense University).

113. Daniel Schorr, “Too Many Rushed to Judgment on Navy Leader’s Suicide,” Christian Science Monitor, 31 May 1996, 19 (citando Hillary Rodham Clinton). O repórter que deu o furo na história do Almirante Boorda foi, depois, despedido. Veja-se Howard Kurtz, “Reporter Who Broke Story on Adm. Boorda Is Fired,” Washington Post, 25 July 1996, 11.

114. Cf. Moskos, Reporting War, 11. (“Dan Rather, servindo na Bósnia, perguntou a um comandante do Exército: — ‘Qual seu maior temor?’ O comandante respondeu: — ‘Dizer a coisa errada para a mídia.’”).

115. Veja-se Ben-Meir, 25.

116. Ibid.

117. Ibid.

118. Veja-se, por exemplo, “Navy Personnel in San Diego Barred from Partisan Events,” Baltimore Sun, 8 August 1996, 10 (narrando como as regras militares proibindo a participação em atividades políticas partidárias limitarão severamente as atividades do pessoal naval na Convenção Republicana Nacional de San Diego).

119. O contexto é o seguinte:

O que é mais importante — a saúde a longo prazo das relações civis-militares nos Estados Unidos dependerá do reconhecimento da natureza dúplice da guerra. Campo de batalha significa dar à guerra sua gramática, disse Clausewitz, mas a política fornece a lógica, os fins. Desse modo, os generais devem sentir-se livres para explicar o que é razoável que se consiga por meios militares. (grifei)

Thomas Donnelly, “Post-Modern Statesmen, Post-Modern Soldiers” (inédito, 1995), 7–8.

120. Mike Galloucis, “Can You Be Candid in the Military?” Air Force Times, 1 April 1996, 33.

121. Veja-se generally Rowan Scarborough, “Webb Keelhauls Navy for Abandoning Its Men,” Washington Times, 26 April 1996, 1.

122. Bacevich, “What Are Soldiers For?” 118.

123. Ibid.

124. Veja-se, para o aspecto geral, David H. Hackworth, “‘Naked’ Mission,” Newsweek, 12 August 1996, 68; e “What Went Wrong in Somalia?” U.S. News & World Report, 18 October 1993, 33.

125. Veja-se Joyce Price, “Specter Demands Change at Pentagon,” Washington Times, 1 July 1996, 1. Cf. Douglas Mackinnon, “Clinton Enshrined in the Pentagon,” Washington Times, 23 March 1996, C1 (alegando que mesmo antes do bombardeamento de Khobar, os militares “tinham perdido completamente o respeito” pelo Secretário Perry). Veja-se , também, John Fialka, “Defense Chief Perry Faces a Grilling as Congress Looks for Answers in Saudi Arabia Bomb Attack,” Wall Street Journal, 9 July 1996, 1, 20.

126. Veja-se John Mintz e R. Jeffrey Smith, “Military Underestimated Terrorists, Perry Says,” Washington Post, 10 July 1996, 1. Veja-se, também, David H. Hackworth, “Saudi Blast Shows What’s Wrong,” Air Force Times, 12 August 1996, 54 (argumentando que os “chefes militares estão, de novo, na defensiva quando ficam na atitude de não-é-minha-culpa e passam a responsabilidade adiante”).

127. “Seven Careers Damaged in Black Hawk Review Action,” Air Force Magazine, October 1995, 16.

128. Veja-se, para o aspecto geral,Charles J. Dunlap, Jr., “The Military Justice System and Command Accountability,” Military Review, October 1995, 16.

129. Veja-se, para o aspecto geral, Roy K. Flint, “The Truman-MacArthur Conflict: Dilemmas of Civil-Military Relations in the Nuclear Age,” in The United States Military under the Constitution of the United States, 1789–1989, 223.

130. Veja-se Effie Bathen, “U.S. Colonel under Probe for Alleged Remarks,” European Stars and Stripes, 29 December 1995, 1. Cf. “Hello, General? War Isn’t Heck,” Chicago Tribune, 30 December 1995, 22 (criticando a ação disciplinar recomendada).

131. Veja-se Kohn, “Out of Control,” 7.

132. John Keegan, “The Warrior’s Code of No Surrender,” U.S. News & World Report, 23 January 1995, 47.

133. Veja-se Callard, 120.

134. Veja-se Lloyd J. Matthews, “Censorship and Professional Writing in the Army Today,” Army, November 1995, 11.

135. Veja-se, por exemplo, Jonathan S. Landay, “Pentagon Debated Role of US Citizen Soldiers in Combat Overseas,” Christian Science Monitor, 26 July 1996, 3 (citando Michael O’Hanlon, da Brookings Institution, sustentando que as unidades terrestres da Guarda Nacional não podem preparar-se rapidamente para combate).

136. Ibid. (discutindo a “influência política maciça da Guarda Nacional”).


Colaborador

Coronel Charles J. Dunlap, Jr.

O Coronel Charles J. Dunlap, Jr. (Bacharelado em Artes, Saint Joseph’s University; Juris Doctor, Villanova University) é advogado no Comando Estratégico dos EUA, Base Aérea Offutt, Nebrasca. É autor de numerosos artigos sobre assuntos legais e de segurança nacional publicados em periódicos como Parameters, Military Review, Joint Force Quarterly e The National Interest. O Cel Dunlap cursou a Escola de Estado-Maior das Forças Armadas e é graduado com distinção do National War College.

As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade do Ar ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.


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