Gerações, Ondas e Eras:

Modos de Fazer a Guerra [Warfare] e RPMA

DR. ROBERT J. BUNKER

A publicação do artigo escrito pelo Coronel Owen E. Jensen, USAF, intitulado "Information Warfare: Principles of Third-Wave War" [Guerra de Informação: Princípios da Guerra de Terceira Onda] no número do Airpower Journal WINTER 1994, representa um acontecimento significativo. As idéias tofflerianas, que obtiveram tanta aceitação no Exército, começam, agora, a influenciar abertamente o diálogo na Força Aérea a respeito da guerra futura baseada na informação. Nesse artigo, o Coronel Jensen afirma que "os Tofflers fornecem, provavelmente, a explicação mais clara e exata de como se desenvolveu esse novo tipo de guerra".1

Deveria haver uma reflexão bem instruída antes que a Força Aérea abrace abertamente a trindade toffleriana de guerra agrária, industrial e de informação. Tal reflexão exige a compreensão das três teorias principais a res-peito da guerra futura que estão em debate, hoje em dia, nos periódicos militares: guerra de quarta geração, guerra da terceira onda e guerra de quarta era.2 Esses modos de fazer a guerra e as perspectivas da revolução nos assuntos políticos e militares (RPMA) precisam ser analisados, especificamente, porque são essas suposições que fornecem os fundamentos de todas as projeções teóricas sobre guerras futuras.3 Os casos em que a metodologia em que se apóia essa suposição é insuficiente, devem, portanto, ser motivo de preocupação, porque, se uma teoria não for capaz de explicar com exatidão modos passados de fazer a guerra e revoluções militares, ela será, certamente, incapaz de explicá-los adequadamente quando futuros.

Só depois de uma análise deste tipo é que os oficiais da Força Aérea podem decidir que atributos do enquadramento toffleriano e dos enquadramentos que com ele competem devem ser utilizados na criação de princípios pós-clausewitzianos da guerra futura.4 Este artigo dá uma visão sinótica de cada uma das teorias em competição, discute os impactos e os insucessos delas e apresenta uma comparação conceitual limitada, de modo que decisões bem instruídas a esse respeito possam começar a ser tomadas de modo independente.

Guerra de Quarta Geração (1989)

Esta teoria da guerra foi desenvolvida por William S. Lind e quatro oficiais do Exército e do Corpo de Fuzileiros dos Estados Unidos (USMC).5 O Sr. Lind, que foi assessor legislativo de dois senadores, é o diretor de um think tank conservador e autoridade em guerra de movimento. A guerra de quarta geração é, primordialmente, uma teoria em nível tático que, ocasionalmente, incursiona no nível ope- racional, e se situa na era moderna que vai da época do Tratado de Westfália, em 1648, até o presente (tabela 1). Foi publicada ao mesmo tempo no número de outubro de 1989 da Marine Corps Gazette e na Military Review.

Essa teoria se baseia num resultado qualitativo dialético do entrechoque tese-antítese, e não se desenvolveu satisfatoriamente até o momento. Tanto a introdução de nova tecnologia quanto de novas concepções se vê como base de cada geração sucessiva de guerra. Neste contexto, as revoluções militares se vêem como inovações táticas na guerra, talvez operacionais, que concedem uma vantagem decisiva ao primeiro que se adaptar a elas. Por esta razão a atual revolução militar seria comparável à que ocorreu nas décadas de 1920 e 1930, no que se refere ao escopo.

Respondendo a artigos do presente autor e do Tenente-Coronel Thomas X. Hammes, Lind e dois de seus colegas Fuzileiros fizeram uma reavaliação dessa teoria no número de dezembro de 1994 na Marine Corps Gazette, ficando suas perspectivas teóricas basicamente as mesmas.6 As concepções, e não a tecnologia, dominariam a guerra futura. Esses autores não fizeram senão dar o passo seguinte em relação a opiniões veementes a respeito da potencial fragmentação da sociedade americana devida ao abandono da cultura judaico-cristã.

Guerra de Primeira Geração (Tecnologia)

Essa forma de guerra, desenvolvida cerca de 1648, baseava-se no mosquete de alma lisa e em táticas centralizadas na linha e na coluna. Essa geração da guerra era linear e contemplava o desdobramento de pequenos exércitos profissionais que se valiam de exercícios rígidos para maximizar o poder de fogo. É interessante notar que os exércitos revolucionários franceses, com seus baixos níveis de treinamento e levas maciças de gente, foram incluídos nessa geração. Tais exércitos representavam a antítese do sistema militar prussiano que havia antes dominado esse modo de fazer a guerra.

Guerra de Segunda Geração (Tecnologia)

A segunda geração "foi uma resposta ao mosquete de tubo raiado, às armas de carregamento pela culatra, ao arame farpado, à metralhadora e ao fogo indireto".7 A tática permaneceu essencialmente linear ainda que o fogo e o movimento se tornasse, então, comum à medida que as tropas se dispersavam lateralmente. A artilharia maciça substituiu a massa humana, à medida que o fogo indireto começou a dominar o campo de batalha. Essa geração contemplou o reconhecimento formal e a adoção da arte operacional idealizada pelos prussianos.

Guerra de Terceira Geração (Concepções)

A guerra de terceira geração baseava-se antes em concepções que em tecnologia. As táticas alemãs de infiltração, concebidas na Primeira Guerra Mundial, eram verdadeiramente não-lineares, o que resultava em que a manobra, em vez da escaramuça, se vale da destruição da força adversária. Essas idéias foram, então, aplicadas ao desenvolvimento do carro de combate e abstraídas, no nível operacional, para ser a base das campanhas blitzkrieg da Segunda Guerra Mundial, centralizadas no tempo, em vez de no local.

Guerra de Quarta Geração (Tecnologia)

Proposta originalmente no artigo de 1989 de Lind e outros, como uma das duas alternativas de guerra futura, este caminho foi abandonado pelos autores em benefício de um caminho baseado em concepções quando essa teoria ficou ligada ao livro de 1991 do Dr Martin van Creveld The Transformation of War. É uma pena, porque o potencial apresentado pelo armamento de energia dirigida, pela robótica e pelas operações baseadas nos meios de comunicação e descortinado no caminho da guerra de tecnologia era, de um modo geral, exato e foi tratado por ambas as outras teorias que fazem parte deste ensaio.

Guerra de Quarta Geração (Concepções)

A quarta geração emergente, proposta por Lind e outros, se vê, agora, como firmemente apoiada em concepções, especialmente não-ocidentais. O terrorismo, que contorna a tradicional força militar e ataca diretamente a população civil de uma nação, é visto como um componente importante desse modo de fazer a guerra. A base transnacional ou não-nacional do terrorismo o torna extremamente difícil de ser atacado. Em última análise, esta forma de guerra é de caráter não-trinitário e, por isso, é pós-clausewitziana.

Impacto. Embora publicada simultaneamente tanto num periódico do Corpo de Fuzileiros quanto num periódico do Exército, esta teoria prosperou com maior impacto no Corpo de Fuzileiros. Aparentemente isto aconteceu por causa do maior interesse do Corpo de Fuzileiros em conflitos de baixa intensidade, insurreições e terrorismo, questões em que a teoria se concentrava ( isto é, as formas de guerra futura que se estavam desenvolvendo). A influência da teoria da quarta geração sobre o Corpo de Fuzileiros permanece restrita, porque se concentra mais nas ameaças subnacionais e não-ocidentais ao nosso governo do que em fornecer, realmente, quaisquer sugestões sobre o deve ser feito para enfrentá-las. Essa teoria não teve influência discernível no pensamento da Força Aérea, da Marinha ou do Exército.

Crítica. Uma crítica dessa teoria apareceu num artigo do Maj Kenneth McKenzie, USMC, publicado no número do outono de 1993 da revista Parameters.8 Seus argumentos, bem elaborados e persuasivos, dirigiram-se aos defeituosos pilares metodológicos e históricos da teoria. Os argumentos contra sua importância, porém, tiveram menor êxito e foram contestados por um vivo comentário de van Creveld no número subseqüente.9

Critiquei as características metodológicas e históricas dessa teoria num artigo de setembro de 1994 da Marine Corps Gazette. A preocupação particular era que a separação entre tecnologia e concepções resultava num modo equivocado de modelar a guerra. Ainda assim, ao mesmo tempo que se sugeria ser o paradigma da quarta era - muito mais amplo e abrangente - melhor explicação para a "revolução militar" de nosso mundo mo-derno cambiante, a teoria de Lind e outros era reconhecida como visionária.

Os artigos de crítica e apoio publicados no número de março de 1995 da Marine Corps Gazette concentravam-se na reavaliação da guerra de quarta geração após cinco anos.10 Essa reavaliação originou uma grande controvérsia acerca da utilidade básica dessa teoria e de para onde se dirigem a sociedade americana e o Corpo de Fuzileiros.

Guerra de Terceira Onda (1993)

Uma referência pioneira publicada em relação à guerra de terceira onda remonta ao artigo de 1991 no Los Angeles Times escrito por Alvin e Heidi Toffler.11 Somente depois da publicação do seu livro de 1993, War and Anti-War: Survival at the Dawn of the 21st Century, porém, é que a teoria da guerra de terceira onda se tornou amplamente conhe-cida.12 Alvin Toffler é um dos mais conhe- cidos futuristas do século 21. Foi correspondente em Washington, editor-adjunto de Fortune, bolsista e consultor de empresas importantes. Junto com sua esposa Heidi, escreveu numerosos livros e artigos que popularizaram sua idéias.

War and Anti-War é a continuação desses escritos pioneiros, e a primeira tentativa desses autores de analisar assuntos militares. A guerra é vista como extensão do modo pelo qual a riqueza se faz na sociedade. Por isso, subordina-se ao modo de produção que prevalece na sociedade. Semelhantemente ao materialismo Marxista, sem a bagagem normativa que o acompanha, essa teoria consi-dera a humanidade como desenvolvendo-se em três ondas no curso de sua história (por exemplo "supercivilizações ") (ver tabela 2).

As revoluções militares, nessa teoria, se vêem como acontecimentos monumentais, sinais do desenvolvimento de novas formas de guerra:

Uma revolução militar, no sentido mais pleno, só ocorre quando surge uma nova civilização para desafiar a antiga, quando toda uma sociedade se transforma, obrigando suas forças armadas a mudarem em todos os níveis simultaneamente - da tecnologia e da cultura até a organização, a tática, o treinamento, a doutrina e a logística. Quando isso acontece, transforma-se a relação entre as forças armadas e a economia e a sociedade, e o equilíbrio de poder na terra é abalado.13

Segundo esse seu modo de ver, a revolução militar que testemunhamos agora é vista como sendo tão significativa quanto o foi a Revolução Francesa do final do século XVIII.

Primeira Onda (Agrícola)

Esta forma de guerra baseia-se em exércitos mal organizados, mal equipados e mal conduzidos que se envolvem em combates periódicos. Os comandos são verbais, o pagamento é irregular e comumente em espécie, e a natureza do morticínio é face-a-face. As civilizações da primeira onda, que travaram esse tipo de guerra, vão desde a Grécia clássica e a Europa feudal até à antiga China. As legiões romanas, no seu apogeu, foram uma exceção a essa idéia.

Guerra de Segunda Onda (Industrial)

A forma de guerra de segunda onda é vista como representativa da civilização industrial. Exércitos em massa, usando armamento padronizado, produzido em linha de montagem, empreendem uma guerra ilimitada baseada no desgaste. Os oficiais são educados em Academias militares e ordens são dadas por escrito. A metralhadora e as forças mecanizadas originaram o desenvolvimento de táticas completamente novas. A guerra transformou-se de uma luta entre governantes em uma luta entre povos corporificados pelos estados-nações. Esta forma de guerra alcançou o ápice de seu potencial destrutivo com o desenvolvimento dos enormes arsenais nucleares acumulados pelas superpotências.

Guerra de Terceira Onda (Conhecimento)

Esta forma de guerra, que está aparecendo, se baseia numa nova economia que é conduzida pela informação.14 Esta é a forma de guerra concebida pelos Tofflers sobre a qual mais se escreveu. As munições guiadas com precisão, os robôs, a tecnologia não-letal, o armamento de energia dirigida e os vírus de computador se vêem, todos eles, como características da guerra de terceira onda. Discute-se também a desmassificação, as capacidades de nicho e a ciberguerra e, em conseqüência, os oficiais das forças armadas ficaram melhor informados a respeito dos desenvolvimentos da tecnologia adiantada.

Junto com a apresentação dessas tecnologias exóticas e intrigantes está uma pluralidade de questões que dizem respeito a seu impacto militar potencial e a sua factibilidade. Infelizmente, as implicações dessas tecnologias na ética militar e nos ideais da sociedade são muito freqüentemente ignoradas. Acrescente-se que a natureza da forma de guerra de terceira onda é pós-clausewitziana, e que a idéia é correta em muitas de suas implicações técnicas.

Impacto. A teoria da terceira onda, com sua orientação futurista e de alta tecnologia, teve um impacto significativo no pensamento de oficiais do Exército de elevada hierarquia, particularmente do Gen Gordon R. Sullivan, ex-Chefe do Estado-Maior do Exército. Uma conseqüência disso é que algumas de sua idéias estão diretamente ligadas à criação do "Information Age Army" [Exército na Era da Informação], concebido no Training and Doctrine Command (TRADOC) Pamphlet 525-5, Force XXI Operations. As ondas de guerra dos Tofflers apareceram em pelo menos uma publicação oficial do Exército, e esses autores são citados constantemente por oficiais do Exército nos simpósios militares. A influência institucional deles sobre o Exército pode, porém, ser transitória, agora que o Gen Sullivan passou para a reserva. Em virtude de estarem a Marinha e o Corpo de Fuzileiros apenas iniciando sua entrada no aspecto de tecnologia adiantada do debate relativo à RPMA, este conceito de guerra teve pouco impacto perceptível em ambas essas Forças. Como se disse na introdução, as idéias da guerra de terceira onda estão, agora, penetrando no debate da Força Aérea, atualmente centrado nos aspectos informacionais da guerra futura.

Crítica. A crítica da teoria toffleriana está crescendo lentamente à medida que sua influência sobre a chefia superior do Exército é percebida. Enquanto um certo número de seus aspectos antecipatórios são vistos como contribuições significativas para o pensamento acerca do combate da guerra no futuro, suas ondas de guerra - como mostramos, o Coronel RR Richard Swain, do Exército dos Estados Unidos, o Dr Steven Metz e eu - não encontram apoio na realidade histórica.15

O Dr Metz, ex-professor do Air War College, embora manifeste preocupação com a popularidade da teoria de guerra de terceira onda entre os militares, desmereceu discretamente o significado da teoria na edição de Parameters, WINTER 1994-1995. Num ensaio publicado no número May-June 1995 da Military Review, lancei um ataque muito mais direto contra sua utilidade, questionando, especificamente, o fato de que as formas de guerra que ela concebe estão gravemente comprometidas e, em conseqüência, podem ser mais uma carga que um benefício para o debate da RPMA no Exército.

Os Tofflers estão certos ao dizer que nossa sociedade está sendo envolvida em uma transformação monumental. Entretanto, por serem os primeiros futuristas e os que se puseram mais adiante, tiveram, infelizmente, que racionalizar esta transformação interpretando a história de modo a confirmar sua teoria abstrata das supercivilizações.

Guerra de Quarta Era (1994)

Esta teoria da guerra foi desenvolvida em 1987 pelo Dr T. Lindsay Moore e pelo presente autor num seminário de pesquisa sobre guerra clássica, na Claremont Graduate School. Somos professores de pós-graduação no campo de estudos de segurança nacional e nos valemos primordialmente de análise histórica em nossas pesquisas. O conceito de guerra de quarta era se baseia numa teoria da ciência política que examina o desenvolvimento da civilização ocidental ao longo dos últimos 2500 anos. O fundamento energético da sociedade muda, e isso tem um impacto direto sobre as formas de organização política e seus sistemas econômicos e militares - esta é a hipótese básica dessa teoria. A própria teoria diz respeito à ascensão e queda de comunidades políticas, épocas cíclicas de predomínio comercial e modos ocidentais evolutivos de fazer a guerra. Essa teoria foi desenvolvida intencionalmente, nos últimos nove anos, para aplicação prática pelos elaboradores de política militares e governamentais dos Estados Unidos, por causa das imensas preocupações quanto à segurança nacional que ela suscita.

Embora abrangente em seu escopo, muitos componentes da teoria da guerra de quarta era ainda não foram publicados. Desde 1989, existem documentos relativos a essa teoria, tendo partes dela aparecido inicialmente em um artigo, de setembro de 1994, da Marine Corps Gazette.16 Até hoje, só os aspectos de guerra de superfície desta teoria ainda em evolução foram publicados.

A teoria divide a civilização ocidental em quatro eras energéticas (tabela 3). Cada era se compõe de uma ou mais sucessões energéticas, cada uma exprimindo seus modos próprios e singulares de fazer a guerra, ba-seados na exploração experimental e institucionalizada de uma determinada forma de energia (por exemplo, humana, animal, mecânica, do motor, pós-motor). Os sistemas militares são vistos como uma síntese da tecnologia e de concepções que diferem qualitativamente entre dois modos de fazer a guerra.

As revoluções militares são vistas, nesse contexto, como o atingimento de um novo limiar de energia pela civilização ocidental. As revoluções militares intra-era (isto é, dentro de um paradigma de energia) são vistas como fenômenos significantemente menos disruptivos, enquanto revoluções militares inter-eras (isto é, entre paradigmas de energia) são vistas como a ocorrência de mudanças maciças na civilização.

Com base nas tendências históricas identificadas nessa teoria, a atual RPMA representa uma revolução militar inter-eras que porá a sobrevivência da atual forma predominante de organização política - o estado-nação - em considerável questionamento; em conseqüência, dará, afinal, lugar a uma forma pós-moderna de comunidade política. Esta revolução militar, por enquanto em sua fases iniciais, é vista como sendo da mesma magnitude do Renascimento.

Guerra de Primeira Era (Clássica)

A guerra de primeira era existiu no mundo clássico e se baseava na exploração da forma humana de energia. Os dois modos de fazer a guerra que então se desenvolveram foram a guerra helênica, baseada na falange, e a guerra romana, baseada na legião. Durante essa época toda a economia se baseava na escravidão, as cidades-estados eram a base da comunidade política e o paradigma ideológico predomi- nante se apoiava na qualidade (isto é, as relações e diferenças entre senhores e escravos)

Guerra de Segunda Era (Medieval)

A guerra de segunda era ocorreu no mundo medieval. Essa era compreende três modos de fazer a guerra e se baseia na exploração da energia animal. Os atacantes de surpresa das fronteiras da Europa introduziram a guerra baseada em cavalaria em massa, que resultou na queda de Roma e num período de barbarismo no Ocidente. Os estados que sucederam a metade ocidental desse grande império reagiram por meio do desenvolvimento de forças de cavalaria baseadas internamente. Sob as monarquias feudais tardias, essas forças evoluíram para a forma da cavalaria dos cavaleiros medievais. Durante essa época da civilização, a economia se baseava no feudo, o estado feudal se tornou a forma predominante de organização política e a ideologia se apoiava na providência divina cujos traços se viam na Igreja.

Guerra de Terceira Era (Moderna)

A guerra moderna, ou de terceira era, existe num paradigma de energia mecânica. Esse paradigma compreende duas sucessões energéticas baseadas na energia da máquina e na energia do motor, respectivamente. A primeira sucessão energética, baseada na energia da máquina, viu o surgimento dos exércitos mercenários durante a época dinástica e sua institucionalização final durante a Idade do Absolutismo. O modo de produção predominante foi representado pelo mer- cantilismo e a forma política mais importante foram os estados dinásticos. A segunda sucessão energética, baseada na energia do motor, testemunhou o surgimento da guerra coletiva, introduzida pela França napoleônica, na sua fase inicial, e pelo desenvolvimento da idéia alemã de blitzkrieg na sua fase institucionalizada, posterior e mais moderna. O capitalismo substituiu o mercantilismo como base da economia, e o estado-nação substituiu o estado dinástico como ponto focal da organização política.

Guerra de Quarta Era (Pós-Moderna)

A guerra de quarta era representa a forma emergente de guerra no mundo pós- moderno. Dois modos iniciais de fazer a guerra baseados em fontes de energia pós-mecânica estão em desenvolvimento. São, respectivamente, os modos de fazer a guerra não-ocidental e de tecnologia avançada. A guerra não-ocidental baseia-se na mistura do terrorismo com o conflito de baixa intensidade (LIC) como um desafio ao domínio do ocidente na guerra moderna. É um modo de fazer a guerra em muitos aspectos equivalente à guerra de quarta geração baseada em concepções.17 Além disso, a urbanização das nações em desenvolvimento se vê como impedidora de grande parte do atual domínio do Ocidente na guerra moderna, em suas operações em outros continentes. Este impedimento de domínio é o resultado da degradação da superioridade qualitativa de armamentos no terreno restritivo do tipo pobre de aglomerados urbanos espalhados e do problema de distinguir combatentes individuais das massas civis inocentes.

A guerra de tecnologia adiantada representa o surgimento de novas tecnologias militares, como armas guiadas com precisão, guerra de informação, armamento não-letal, unidades robóticas combatentes e armamento de energia dirigida. Tanto Lind quanto os Tofflers reconhecem esse surgimento de novas tecnologias. Contudo, só os Tofflers o incorporam plenamente a suas projeções da guerra futura. Enquanto os Tofflers vêem o Exército dos Estados Unidos como tendo adotado, na Guerra do Golfo, sua doutrina em relação a tal tecnologia adiantada, eu argumento que ela foi usada, apenas, com um papel "adicional" e que não alterou significativamente a doutrina da Batalha Ar-Terra, ba-seada em princípios de combate na guerra moderna.

Impacto. O impacto da teoria de guerra de quarta era, foi, até aqui, limitado, embora tenha contribuído para o redirecionamento do debate no Corpo de Fuzileiros afastando-o da guerra de movimento e aproximando-o tanto dos aspectos de RPMA da guerra de tecnologia adiantada quanto dos da guerra não-ocidental.18 Planejada para o Exército, esta teoria está, agora, sendo usada para contribuir para o questionamento das premissas básicas por trás da idéia de operações de não-guerra (OOTW), das implicações da tecnologia não-letal em termos de força político-militar e das idéias fundamentais do espaço de combate.19 Na Força Aérea e na Marinha, nenhum impacto foi notado além de uma indagação inicial do Naval Doctrine Command, dizendo respeito às aplicações navais dessa teoria.

Crítica. Não houve tempo para que se desenvolvesse qualquer crítica profunda como resposta a esta teoria. Comentários anteriores referiram sua incapacidade de tratar dos desenvolvimentos da guerra aérea, falta de ênfase em tecnologia adiantada da informação, o fato de ela não refletir a realidade da batalha e o excesso de consideração de um único fator (energia) na explicação da mudança histórica. A teoria receberá, sem dúvida, à medida que mais componentes sejam publicados, uma crítica mais robusta, como a do Tenente-General RR Victor H. Krulak, CFN/EUA.20

Conclusão

Como disse, os Tofflers divulgaram a teoria da guerra futura mais popular. Alguns componentes de sua teoria de guerra de terceira onda, porém, estão, possivelmente, criticamente viciados. Por essa razão, é preciso compará-la com as outras duas teorias postas em evidência neste ensaio antes que seja reconhecida como sendo o trabalho com autoridade definitiva nesse assunto. Para ajudar essa comparação, os modos de fazer a guerra qualitativamente modelados em cada um desses enquadramentos foram colocados lado a lado para análise (tabela 4).

As suberas contidas na guerra de quarta era fornecem as delineações modais mais minuciosas da história ocidental dentre as três teorias apresentadas neste ensaio. A razão disso é que esta teoria foi antes e principalmente um modelo de tendências históricas e, apenas nos últimos anos, começou a ser usada para prever modos futuros de fazer a guerra. Em face dos modos de fazer a guerra apresentados na teoria da quarta era, as ondas de guerra concebidas pelos Tofflers aparecem como o que são: "clips da MTV". 21

As gerações da guerra moderna, desenvolvidas por Lind e seus colegas, por outro lado, se equiparam bastante bem às suberas desta teoria. A razão é que as gerações de que eles falam estão próximas dos reais modos de fazer a guerra que existiram durantes os últimos séculos.22 Considerando-se o passado dos que desenvolveram a teoria de guerra de quarta geração, no governo e nas forças armadas, a exatidão deles não deve surpreender.

Uma comparação ulterior dessas teorias pode ser feita tendo em vista o modo pelo qual percebem a atual RPMA em curso (tabela 5). Os adeptos da quarta geração consideraram, originalmente, a atual revolução militar na mesma escala da que se realizou nas décadas de 1920 e 1930 com o desenvolvimento da blindagem, da aviação embarcada e das idéias de operações anfíbias e bombardeios estratégicos. 23 A teoria deles não pode dar conta de maiores magnitudes de mudança por causa do seu nível de análise limitado. Conectando-a com o trabalho do Dr Martin van Creveld, porém, seus autores defendem, agora, o ponto de vista de que a guerra será feita fora do enquadramento do estado-nação e possuirá características não trinitárias.

Os Tofflers sugerem que a atual revolução militar seja equivalente em grandeza à Revolução Francesa. Além da mudança no nível tático e operacional, prevê uma mudança significativa na civilização. O conhe-cimento se tornará a nova forma de riqueza e, em conseqüência, desenvolver-se-ão novas estruturas econômicas, políticas, sociais e militares. Entretanto, porque seus conceitos abstratos não encontram base na história ocidental, sua "ondas de civilização" sofrem um vício e, portanto, não articulam apropriadamente o processo histórico que se está realizando agora.24

A teoria de guerra de quarta era reconhece que tanto a mudança tática quanto a operacional, junto com a mudança da estrutura econômica, política, social e militar se realizarão. Contudo, esta teoria considera a atual revolução militar equivalente ao Renascimento. Por causa deste ponto de vista, prevê um deslocamento no fundamento energético da civilização ocidental junto com uma alteração na natureza da força político-militar e com a desinstitucionalização da violência política (isto é, a perda do monopólio da guerra por parte do estado-nação). Em conseqüência, ocorrerá o surgimento de empresários da força armada (por exemplo, terroristas, grupos de guerrilha, comandantes locais, exércitos particulares, cartéis da droga e empresas multinacionais) envolvidos na guerra, pondo em questão a legitimidade política e, conseqüentemente, a sobrevivência do estado-nação durante o próximo século.25

Não obstante quaisquer defeitos apontados nestas comparações dos modos de ver a guerra e a revolução militar, as três principais teorias da guerra futura enfatizadas neste ensaio podem, cada uma delas, oferecer ainda uma contribuição para o debate que se inicia na Força Aérea quanto à RPMA (embora a contribuição oferecida pelos Tofflers tenha a probabilidade de ser muito menor do que se pensou inicialmente). Para que essas contribuições sejam plenamente compreendidas, porém, devem ser explorados os documentos primários referentes a cada teoria, de modo que se possa avaliar seu benefício potencial para o desenvolvimento de concepções ope-racionais pós-clausewitzianas na Força Aérea.

Além disso, é imperativo fazerem-se uma reflexão e um debate sério a respeito da magnitude histórica da revolução militar que ora se realiza. A incapacidade de reconhecer a verdadeira grandeza das mudanças que estão ocorrendo resultará em que se façam hipóteses inexatas ao formular conceitos estratégicos e operacionais. Como primeiro problema, precisamos nos perguntar se a guerra ainda é "uma luta entre estados-nações ou coalizões deles em torno da preservação e da extensão da soberania nacional" ou se está agora, rapidamente, desviando-se para ser "uma luta entre formas competidoras de organização política e social em torno de qual o sucessor do estado-nação acabará por ser estruturado".

Adendo*

O artigo "Generations, Waves and Epochs: Modes of Warfare and the RPMA", publicado no número Spring 96 do Airpower Journal, fez referência a duas teorias menos conhecidas a respeito da guerra futura, que não eram objeto de debates nos periódicos militares. Desde que escrevi o artigo, no verão de 1995, essas duas teorias começaram a influenciar ativamente o pensamento militar. A fim de facilitar mais ainda o debate, na Força Aérea, da emergente revolução em assuntos político-militares (RPMA), eis uma sinopse e uma análise dessas duas teorias.

Guerra de Sexta Geração

O principal proponente da guerra de sexta geração russa é o General-Major Vladimir Slipchenko (na reserva), chefe do Departamento de Pesquisa Científica da Academia de Estado-Maior. Ele tem um doutorado em ciências militares e é considerado um dos principais teóricos militares da Rússia. Seu pouco conhecido artigo "A Russian's Analysis of Warfare Leanding to the Sixth Generation" (Field Artillery, October 93) fornece uma das poucas resenhas dessa teoria escritas em inglês.

O artigo "The Russian Military's Strategies for 'Sixth Generation' Warfare" (Orbis, Summer 94), da Dra. Mary C. Fitzgerald, também é importante. Ele traz a referência a uma conversa com o GM Slipchenko em Moscou, em maio de 1993, que diz respeito a essas gerações. Um artigo mais recente e acessível do Capitão-de-Corveta Brandall G. Bowdish Marinha dos EUA, "The Revolution in Military Affairs: The Sixth Generation" (Military Review, Nov-Dec 95), vale-se muito do ensaio do GM Slipchenko, tal qual o faz esta sinopse.

Essa teoria contempla cinco gerações de guerra ocorrendo na história, com uma sexta geração aparecendo agora. A análise se baseia nas revoluções técnicas que promovem gerações de guerras sempre mais adiantadas. As guerras de primeira geração são conside-radas como tendo ocorrido durante os períodos das sociedades feudais e escravocratas. As forças combatiam como infantaria e cavalaria, sem armas de fogo. A guerra de segunda geração se baseia no advento da pólvora e das armas de fogo de alma lisa, e na expansão da produção tecnológica. As guerras de terceira geração foram produtos do desenvolvimento de armas portáteis de cano raiado e da artilharia de tubo. Por sua vez, a guerra de quarta geração, se fundamentou nas armas automáticas, carros de combate e aeronaves militares, novos meios de transporte e equipamento de comunicações. A guerra de quinta geração se baseia em mísseis nucleares, uma geração de guerra que chegou a um beco sem saída, porque, se desencadeada seria a última em nosso planeta.

A guerra de sexta geração é concebida como sendo travada apenas pelos estados mais adiantados tecnicamente, como os Estados Unidos. As capacidades de ataque de precisão, armamento não-letal, computadorização do campo de batalha e outras tecnologias adiantadas se concebem como base desse modo emergente de fazer a guerra. Os estados-nações adversários serão derrotados a um custo marginal em baixas e sem a ocupação de seus territórios. Em alguns aspectos, a teoria militar soviética é mais adiantada que o pensamento americano. Os soviéticos proclamaram uma revolução técnico-militar (MTR) como tendo ocorrido no ínicio da década de 80. A MTR foi precursora da idéia de revolução nos assuntos militares (RMA), da década de 90, promovida por Andy Marshall, do Office of Net Assessment (ONA). O resultado disso é que esta teoria está sendo consi-derada com seriedade pelo ONA e por outras agências do governo. Como a guerra de sexta geração valoriza a "ascendência das operações aeroespaciais" será só uma questão de tempo para que ela comece a influenciar abertamente o pensamento da Força Aérea quanto à guerra futura.

Desenvolveram-se poucas críticas desta teoria por causa das credenciais acadêmicas do General Slipchenko e do aparecimento recente da teoria. Minha crítica básica é que classificar 2000 anos de civilização ocidental na guerra de primeira geração é uma modelagem histórica inexata. Por causa desta falha metodológica, o "contexto estratégico" mais amplo da RPMA, agora em curso, nunca é tratado. Em conseqüência, não se faz menção das novas entidades capazes de fazer a guerra, que estão aparecendo. No máximo, só uma RMA é vista como ocorrendo, igual em magnitude aos desenvolvimentos técnicos das décadas de 1920 e 1930, ou aos que ocorreram nas décadas de 1950 e 1960.

Onze Revoluções Militares Modernas (1994)

Esta teoria foi desenvolvida pelo Dr. Andrew F. Krepinevich e foi publicada como "Cavalry to Computer: The Pattern of Military Revolutions" (The National Interest, Fall 94). O Dr. Krepinevich, que pertenceu ao Office of Net Assessement e é um respeitado teórico militar, é, atualmente, diretor do Center for Strategic and Budgetary Assessment e professor adjunto na Universidade Johns Hopkins.

Esta teoria se concentra em dez revoluções militares que ocorreram no mundo moderno, desde o século XIV, e na décima primeira que está em vias de ocorrer. A análise se baseia nas alterações do potencial de combate e na eficácia militar, produtos do adiantamento da tecnologia. As revoluções históricas identificadas são a Revolução da Infantaria, do século XIV, a Revolução da Artilharia, do século XV, a Revolução do Singre e Atire, do século XV, a Revolução das Fortalezas, do século XVI, a Revolução da Pólvora, do século XVI, a Revolução Napoleônica, do final do século XVIII, a Revolução na Guerra Terrestre, no século XIX, a Revolução Naval, no século XIX, a Revolução em Mecanização, Aviação e Informação Interguerras, no começo do século XX, e a Revolução Nuclear, de meados do século XX.

Admite-se que um vislumbre da recente revolução militar se deu com a Guerra do Golfo. A teoria do Dr. Krepinevich, como a teoria russa da guerra de sexta geração, reco-nhece que os avanços na tecnologia da informação e da seleção de alvos com precisão estão resultando em um deslocamento opera-cional da natureza da guerra. Eles são vistos, porém, através do prisma dos quatro elementos que compõem as revoluções militares: mudança tecnológica, desenvolvimento de sistemas, inovação operacional e adptação organizacional. Por esta razão, são levantadas muitas questões e observações de grande visão sobre a revolução militar que está acontecendo.

Esta teoria de nível operacional tem sido objeto de referência nos periódicos que tratam de políticas e na publicação inter-forças Joint Force Quarterly. Ela representa uma percepção da guerra futura baseada no tipo de revolução militar que parece concordar com a visão do ONA. Em conseqüência, esta teoria está ganhando influência junto aos tomadores de decisão de elevada hierarquia. Esta teoria valoriza observações que parecem tecnicamente corretas no nível operacional da análise, já que se debruça apenas sobre o mundo moderno, a partir do século XIV. Este ponto forte é, também, seu maior inconve-niente. A teoria só pode dar conta do tipo de mudança RMA que ocorreu durante as décadas de1920 e 1930. Em virtude do nível micro de sua análise, as mudanças nos fatores social, político e econômico, que dizem res-peito à RPMA, não podem ser levadas em conta, como também não pode ser levado em conta o deslocamento do sistema internacional, que se afasta do predomínio dos estados-nações.

Dr. Robert J. Bunker

San Bernadino, CA


Notas

1. Cel Owen E. Jensen, USAF, "Information Warfare: Principles of Third-Wave War." Airpower Journal 8, no. 4 (WINTER 1994): 35-36.

2. Teorias menos conhecidas incluem a guerra de "sexta geração" russa e as 10 revoluções militares percebidas por Andrew F. Krepinevich. Para mais informação sobre essas teorias, veja-se Mary C. Fitzgerald, "The Russian Military's Strategy for 'Sixth Generation' Warfare," Orbis, Summer 1994, 457-76; Andrew F. Krepinevich, "Cavalry to Computer: The Pattern of Military Revolutions," The National Interest, Fall 1994, 30-42.

3. Desenvolvi o conceito de RPMA porque o debate anterior sobre RMA ignorava as ramificações políticas maciças que o desenvolvimento da guerra futura terá em nossa sociedade e nosso governo. Uma mudança militar como a que estamos testemunhando não se realiza num vácuo político. Para surpresa minha, Chuck de Caro, o teórico de "SoftWar", também havia referido numa conversa, numa conferência SO/LIC [Operações Especiais/Conflito de Baixa Intensidade], em dezembro de 1994, em Washington, D.C., a necessidade de um novo constructo político-militar. O uso por mim do conceito RPMA remonta, originalmente, ao meu artigo "Rethinking OOTW", no número November-December 1995 da Military Review.

4. É louvável o passo inicial dado pelo Coronel Jensen para estabelecer princípios da guerra futura. Essas providências estão ocorrendo nas outras Forças, embora, às vezes, de maneira não tão aberta; tomara que se desenvolvam em um sinergismo entre as Forças à medida que um grande número dessas idéias comecem a ser publicadas. Infelizmente, o mesmo processo pode estar, também, começando no mundo não-ocidental. Veja-se Brig V.K. Nair, War in the Gulf: Lessons for the Third World (New Delhi: Lancer International, 1991).

5. Cel Keith M. Nightengale, USA; Cap John Schmitt, USMC; Cel Joseph W. Sutton, USA; e Ten Cel G.I. Wilson, USMCR.

6. Robert J. Bunker, "The Transition to Fourth Epoch War," Marine Corps Gazette, September 1994, 20-32; Ten Cel Thomas X. Hammes. "The Evolution of War: The Fourth Generation," Marine Corps Gazette, September 1994, 35-44; William S. Lind, Maj John Schmitt, USMCR, and Col Gary I. Wilson, USMCR, "Fourth Generation Warfare: Another Look," Marine Corps Gazette, December 1994, 34-37.

7. "The Changing Face of War: Into the Fourth Generation," Military Review, October 1989, 3.

8. Kenneth F. McKenzie, Jr., "Elegant Irrelevance: Fourth Generation Warfare," Parameters, Autumn 1993, 51-60.

9. Martin van Creveld e Maj Kenneth F. McKenzie, Jr., "Fourth Generation Gap?" Parameters, WINTER 1993-1994, 109; para comentários adicionais veja-se , Robert T. Foley e Maj Kenneth F. McKenzie, Jr., "Clausewitz and 'Fourth Generation Warfare'", Parameters, Spring 1994, 116-18.

10. Maj Mark H. Bean, "Fourth Generation Warfare?" Marine Corps Gazette, March 1995, 53-54; Cel RR Michael D. Wyly, USMC, "Fourth Generation Warfare: What Does It Mean to Every Marine?" Marine Corps Gazette, March 1995, 55-58; Ten Cel Charles A. Krohn, USA, na reserva, "Other Reponses to 'Fourth Generation.'" Marine Corps Gazette, March 1995, 59.

11. Alvin e Heidi Toffler. "A New Theory of Warfare: The 'Third Wave' Arrives," Los Angeles Times, 5 e 6 de março de 1991, B7.

12. Tenho que concordar com a observação de Steve Metz de que os Tofflers não desenvolveram uma verdadeira teoria da guerra, como Martin van Creveld em The Transformation of War. No máximo desenvolveram um "conceito de guerra". Steven Metz, "A Wake for Clausewitz: Toward a Philosophy of 21st-Century Warfare," Parameters, WINTER 1994-95, 126-32. Entretanto, para evitar confusão, usarei o termo teoria quando comparar as idéias dos Tofflers às duas outras teorias tratadas neste ensaio.

13. Alvin e Heidi Toffler, War and Anti-War: Survival at the Dawn of the 21st Century (New York: Little, Brown and Co., 1993), 32.

14. O visionário Peter F. Drucker, que se pode considerar o mais adiantado e mais respeitado futurista do nosso século, escreveu mais de 20 livros a respeito de gerência, economia, política e sociedade. Seu livro de 1993, Post-Capitalist Society, é uma narrativa da atual revolução da informação muito equilibrada, acadêmica e pouco sensacionalista.

15. Cel Richard M. Swain, USA, resenha de War and Anti-War: Survival at the Dawn of the 21st Century, de Alvin e Heidi Toffler, Military Review, February 1994, 77-78; "A Wake for Clausewitz: Toward a Philosophy of 21st-Century Warfare." Parameters, WINTER 1994-95, 126-132; Robert J. Bunker, "The Tofflerian Paradox," Military Review, May-June 1995, 99-102.

16. T. Lindsay Moore. "The Structure of War," (não publicado), 1989: 1-33.

17. A pesquisa atual está tratando do aparecimento de soldados não-institucionalizados e de sua interação com a tecnologia adiantada e com a emergência de novas entidades capazes de fazer a guerra.

18. O impacto desta teoria no debate teórico do Corpo de Fuzileiros só se tornou importante quando combinado com os quatro editoriais a respeito de guerra futura escritos pelo Cel RR John E. Greenwood, USMC, editor da Marine Corps Gazette, e com os artigos publicados na Marine Corps Gazette pelo Cel Thomas X. Hammes, no número de setembro de 1994, e por William S. Lind, Maj John Schmitt e Cel Gary I. Wilson, no número de dezembro de 1994. Estão sendo, agora, enviados para avaliação, ao Marine Corps Combat Development Command (MCCDC), trabalhos de pesquisa relativos a esta teoria.

19. Veja-se Bunker, "Rethinking OOTW"; Robert J. Bunker e T. Lindsay Moore, "Nonlethal Technology and Forth Epoch War: A New Paradigm of Politico-Military Force,"Land Warfare Paper No. 23, Association of the United States Army, Institute of Land Warfare, Arlington, Va., February 1996; e Robert J. Bunker. "Advanced Battlespace and Cybermaneuver Concepts: Implications for Force XXI," Parameters, Autumn 1996 (elaborado originalmente para o TRADOC como National Security Studies Program (NSSP) Report 95-2, California State University, San Bernardino, California, July 1995).

20. Fred E. Perry et al., "The Future Revisited," Marine Corps Gazette, December 1994, 35-36.

21. Metz, 130-131.

22. As gerações e as suberas modernas têm muitas semelhanças. A divergência principal é que a escola da quarta geração não aceita que cada modo de fazer a guerra seja uma síntese de tecnologia com concepções.

23. Este é um modo de ver também sustentado por Andrew F. Krepinevich em seu trabalho.

24. Metz, 126-132; "The Tofflerian Paradox," Military Review, May-June 1995.

25. A predominância mercenária na guerra ocidental é correlativa de transições intereras, como aquela em que estamos entrando. Esses soldados não-institucionalizados representarão uma das principais ameaças a nossa segurança nacional durante o próximo século.


Colaborador

O Dr Robert J. Bunker (Bacharel em Artes e Bacharel em Ciências, California State Polytechnic University, Pomona; Mestrado em Artes e Doutorado, The Claremont Graduate School) é professor-adjunto, Programa de Estudos de Segurança Nacional, California State University, San Bernardino. Foi também professor de operações especiais nas operações militares de não-guerra (LIC/MOOTW) da American Military University. Sua pesquisa se concentra na influência da tecnologia (energia) sobre a guerra e a organização política, bem como sobre as implicações das formas de guerra emergentes na segurança nacional. O Dr Bunker já publicou artigos em periódicos militares como a Marine Corps Gazette e a Military Review e serve como assessor do 2025 Study da Força Aérea.


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